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Os desafios atuais dos profissionais de RH

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Por Edilene Bocchi

No dia 20 de maio é celebrado o Dia do Profissional de RH, uma data que convida à reflexão sobre os desafios, responsabilidades e a importância estratégica desses profissionais dentro das organizações. Atuar em Recursos Humanos atualmente no Brasil alcançou um nível de desgaste e estresse absurdos.

Conforme uma pesquisa da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), há, em média, um profissional de RH para cada grupo de 141 colaboradores. São profissionais que estão em todos os tipos de empresas do setor público e privado, e são responsáveis por conectar pessoas e estratégias para desenvolver talentos e impulsionar os resultados da empresa.

Em um cenário ideal, o nível estratégico da organização leva ao RH a missão de preparar as pessoas para conduzir a empresa no caminho das estratégias definidas, sempre com metas adequadas aos objetivos que se deseja alcançar. Isso considerando organizações que já têm essas diretrizes definidas e disseminadas, não sendo raro encontrarmos empresas nas quais os objetivos de médio prazo sequer foram colocados na mesa para conhecimento de todos.

O efeito cascata disso exige do RH uma visão sistêmica e estratégica do negócio para compreender quais pontos precisam ser enfrentados, negociar os recursos necessários e alinhar equipes. Para que isso tudo aconteça é preciso que todos na organização estejam com saúde física e mental, um bem muito precioso.

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Em âmbito operacional, o profissional precisa fazer acontecer todas as rotinas da legislação e práticas de RH para garantir segurança jurídica e promover um ambiente justo e seguro que favoreça a saúde mental e o engajamento das pessoas. Isso tudo em um cenário onde preencher as vagas disponíveis exige muita criatividade, determinação e resiliência.

Sem falar na dificuldade de manter os talentos, apoiar a mudança de mentalidade das lideranças em todos os níveis para liderar e não chefiar, gerir conflitos que se estabelecem em diversas direções, agravados com a necessidade de implantação de práticas inclusivas de fato – não de faz de conta – cuidando para que os valores que estão no “quadrinho na parede” sejam de fato praticados nas ações e decisões de todos da organização.

Ainda há a necessidade de implantar e gerenciar o trabalho híbrido, que já é uma realidade e um atrativo para o recrutamento de talentos, bem como a implantação das atualizações da NR-01 onde riscos psicossociais passam a ser mapeados, informados, controlados e minimizados obrigatoriamente a partir deste mês de maio.

Isso tudo pode parecer que ser da área de RH é um grande sacrifício, porém, os profissionais desta área têm a oportunidade de participar ativamente do crescimento e melhoria da cultura de uma organização, permitindo apoiar o desenvolvimento de pessoas e de negócios. É aí que deve morar a motivação desses profissionais.

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O perigo que tenho observado é que, em geral, toda a organização deposita no profissional de recursos humanos a responsabilidade por solucionar problemas de ordem profissional e pessoal, gerando uma sobrecarga cada vez maior sobre esses profissionais. Este profissional, assim como outros líderes da organização, também é humano, possui talentos e fragilidades. Não dá para assumir a postura de Super Homem e de Mulher Maravilha, é preciso cuidar de si da mesma forma que se dedica a cuidar do outro.

Olhe para si com gentileza e amor. Lembre-se que pedir ajuda não é demérito, mas uma estratégia inteligente para se manter saudável e produtivo, e poder continuar ajudando os outros. Busque o desenvolvimento de novas habilidades para conseguir lidar com os desafios, bem como recursos para cuidar da sua saúde. Lembre-se: ninguém consegue dar o que não tem.

Parabéns aos profissionais de Recursos Humanos pela belíssima missão.

Edilene Bocchi é administradora e CEO da Vesi Consulting, empresa que atua na gestão de pessoas, coaching para lideranças e equipes, sucessão familiar e carreira – siga @vesiconsultingFoto: Edilene Bocchi/ Arquivo pessoal 

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Canetas emagrecedoras e saúde da tireoide: o que é mito e o que é verdade?

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Por Mariana Ramos

A tireoide é uma pequena glândula com grande impacto sobre o funcionamento do organismo. Responsável pela produção de hormônios que regulam o metabolismo, ela interfere diretamente em funções como controle do peso, disposição, temperatura corporal, funcionamento intestinal e saúde cardiovascular. O Dia Mundial da Tireoide, celebrado em 25 de maio, reforça a importância da conscientização e dos cuidados com a saúde tireoidiana.
Neste ano, um dos temas mais atuais relacionados à endocrinologia envolve as chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Esses medicamentos têm transformado o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, mas também despertaram dúvidas e preocupações, especialmente sobre possíveis efeitos na tireoide.

A principal inquietação surgiu a partir de estudos realizados em animais, nos quais doses elevadas de medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 foram associadas ao desenvolvimento de tumores em células específicas da tireoide, conhecidas como células C, responsáveis pela produção da calcitonina. A partir desses achados, as bulas passaram a recomendar cautela para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, um tipo raro de câncer, e para pacientes com síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2, conhecida como MEN2.

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Apesar desse alerta, é importante esclarecer que, até o momento, os estudos em pessoas não mostraram aumento claro do risco de câncer de tireoide relacionado ao uso dessas medicações. Isso acontece porque o organismo humano responde de forma diferente daquela observada nos estudos com animais. Em termos práticos, isso significa que o aviso existe por precaução, mas não há evidências consistentes de que essas medicações causem câncer de tireoide na população em geral.

Para a maioria dos pacientes com doenças tireoidianas, como hipotireoidismo, hipertireoidismo, nódulos benignos ou tireoidite de Hashimoto, o tratamento pode ser realizado com segurança, desde que haja acompanhamento médico. Inclusive, pessoas que fazem uso de levotiroxina e mantêm a função da tireoide controlada podem se beneficiar dessas terapias, quando bem indicadas.

O que exige maior atenção não é apenas o medicamento em si, mas o uso indiscriminado e sem supervisão. Nos últimos anos, a procura pelas canetas emagrecedoras cresceu significativamente, muitas vezes motivada por objetivos estéticos e pela influência das redes sociais. Sem uma avaliação clínica adequada, o tratamento pode ser iniciado em pessoas com contraindicações, doenças não diagnosticadas ou expectativas incompatíveis com a realidade.

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Antes da prescrição, o endocrinologista analisa o histórico pessoal e familiar e avalia se existe alguma condição de saúde que exija cuidados ou investigação adicional antes do início do tratamento. Esse cuidado é fundamental para garantir segurança e melhores resultados

Também é importante lembrar que, embora a tireoide tenha papel relevante no metabolismo, ela raramente é a única responsável pelo excesso de peso. A obesidade é uma doença complexa e multifatorial, influenciada por fatores genéticos, hormonais, comportamentais, emocionais e ambientais. Por isso, o tratamento deve sempre ser individualizado e baseado em uma abordagem ampla.

O Dia Mundial da Tireoide é uma oportunidade para reforçar a importância do diagnóstico precoce e do acesso à informação de qualidade. Em um cenário marcado pela rápida circulação de conteúdos nas redes sociais, esclarecer dúvidas com base em evidências científicas é essencial para que as pessoas tomem decisões seguras sobre a própria saúde.

Quando indicadas corretamente e acompanhadas por um especialista, as canetas emagrecedoras representam um importante avanço no tratamento da obesidade e podem trazer benefícios significativos à saúde metabólica, sem representar risco para a tireoide na grande maioria dos pacientes.

Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
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