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Baixada Cuiabana: desenvolvimento com justiça social e respeito às vocações da região

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Por Natasha Slhessarenko

Visitar novamente Barão de Melgaço, Poconé, Nossa Senhora do Livramento, Nobres, Rosário Oeste e Acorizal é compreender ainda mais, de forma muito clara, a importância estratégica da Baixada Cuiabana para o presente e o futuro de Mato Grosso.

Esses municípios estão no entorno da capital, compartilham laços históricos e culturais profundos e possuem enorme potencial para gerar riqueza, empregos e oportunidades. Ao mesmo tempo, enfrentam problemas que há décadas limitam o desenvolvimento regional e comprometem a qualidade de vida da população.

O que encontrei nessas visitas foi um povo trabalhador, que produz, empreende e preserva tradições, mas que ainda convive com dificuldades no acesso à saúde, à moradia digna, à infraestrutura e às oportunidades para permanecer e prosperar em sua própria terra.

Saúde mais perto das pessoas

A saúde é, sem dúvida, uma das maiores preocupações da população da Baixada Cuiabana. Embora estejam próximos de Cuiabá, milhares de moradores dependem da capital para consultas com especialistas, exames de alta complexidade e procedimentos que deveriam estar disponíveis em suas próprias regiões.

Essa concentração sobrecarrega o sistema de saúde e impõe longas esperas e deslocamentos desgastantes para pacientes e familiares.

É preciso fortalecer a rede regional com policlínicas, centros de diagnóstico, telemedicina e maior oferta de especialidades médicas. Saúde não pode ser sinônimo de viagem, ambulâncias nas estradas, filas e incertezas. O atendimento precisa chegar mais perto das pessoas, com eficiência, agilidade e dignidade.

Moradia digna e infraestrutura urbana

Outro desafio evidente é a necessidade de ampliar o acesso à moradia. Muitas famílias ainda aguardam a oportunidade de conquistar a casa própria e viver em bairros com pavimentação, saneamento básico, iluminação pública e equipamentos comunitários adequados.

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Moradia não é apenas um teto. É segurança, estabilidade e qualidade de vida, é dignidade! Investir em habitação e infraestrutura urbana significa promover desenvolvimento social e oferecer melhores condições para que as famílias construam seu futuro.

Agricultura familiar

A agricultura familiar é um dos pilares econômicos da Baixada Cuiabana. Pequenos produtores movimentam a economia local e garantem alimentos para milhares de famílias.

Em Nossa Senhora do Livramento, a instalação de uma unidade mista da Embrapa pelo Ministério da Agricultura representa um avanço importante, ao aproximar pesquisa, tecnologia e inovação do campo. Esse investimento amplia a produtividade e fortalece setores como hortifruticultura e psicultura, essenciais para o desenvolvimento regional.
Importante ressaltar que em Nossa Senhora do Livramento, uma vocação já desperta é a produção de queijos artesanais premiados mundialmente.

E aqui é importante ressaltar também a adesão do município ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), outra iniciativa do MAPA que fortalece a organização regional da inspeção sanitária e amplia as oportunidades para que agroindústrias locais comercializem seus produtos em todo o território nacional.

Valorização das comunidades tradicionais

Em Barão de Melgaço, ribeirinhos e pescadores enfrentam dificuldades e aguardam soluções para questões como o pagamento do seguro-defeso, fundamental para garantir renda e segurança às famílias durante o período de preservação ambiental.

Em Nossa Senhora do Livramento, comunidades quilombolas mantêm viva uma herança cultural de valor incalculável e precisam de políticas públicas que promovam inclusão, infraestrutura e geração de renda.

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Turismo sustentável como motor de desenvolvimento

A Baixada Cuiabana reúne alguns dos destinos mais belos de Mato Grosso. Nobres, especialmente na região de Bom Jardim, recebe visitantes de todo o mundo. Poconé e Barão de Melgaço são referências de acesso ao Pantanal.

Para transformar esse potencial em empregos e renda, é necessário investir em estradas, acessos, sinalização, qualificação profissional e estrutura adequada para receber turistas, sempre com respeito ao meio ambiente.

E para além do turismo, trazer a Cuiabá um braço da ferrovia Senador Vicente Vuolo representará um salto na economia de toda a Baixada.
Uma região que merece mais atenção

A Baixada Cuiabana reúne todas as condições para crescer de forma sustentável e inclusiva. O que falta é uma atuação mais efetiva do poder público, capaz de descentralizar serviços de saúde, ampliar programas habitacionais, fortalecer a agricultura familiar, apoiar as comunidades tradicionais e impulsionar o turismo.

Esses municípios não podem ser vistos apenas como cidades próximas da capital. São territórios com identidade própria, enorme potencial econômico e uma população que merece viver com mais dignidade, oportunidades e qualidade de vida.

Acredito que o desenvolvimento de Mato Grosso passa, necessariamente, pela valorização da Baixada Cuiabana e pelo compromisso com políticas públicas que façam a diferença na vida das pessoas. Quando cuidamos da saúde, da moradia, da produção e da infraestrutura, construímos um estado mais equilibrado, mais humano, mais justo e mais preparado para o futuro.

Dra. Natasha Slhessarenko é médica, empresária e servidora pública em Mato Grosso.
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Saúde mental: um desafio urgente para o empresariado

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Por Wenceslau Júnior

Recentemente, aceitei o convite do pessoal da Confraria de Profissionais de Marketing de MT para palestrar no Dia do Profissional de Marketing e foi uma experiência que me fez refletir muito. Falei sobre minha trajetória empresarial, sobre os desafios de empreender em Mato Grosso e sobre tudo aquilo que aprendemos ao longo da caminhada. Mas, mais do que contar uma história, aquele momento me fez pensar sobre as histórias que tenho ouvido diariamente de empresários cuiabanos e mato-grossenses.

Em conversas quase sempre sinceras e carregadas de preocupação, tenho percebido algo em comum: muitos empresários estão cansados. Alguns, adoecidos.

Desde a pandemia da covid-19, o ambiente empresarial brasileiro se transformou em uma verdadeira prova de resistência. Naquele primeiro momento, acreditava-se que a crise duraria 60 ou 90 dias. Muitos empresários recorreram a empréstimos bancários para manter as portas abertas, preservar empregos e honrar a folha de pagamento de seus colaboradores. Era uma decisão tomada com esperança.

Mas a pandemia não durou três meses. Durou anos.

E, a cada nova dificuldade, novos empréstimos foram sendo contratados. O resultado disso aparece agora, cinco anos depois. A corda está esticada. Há empresas operando no limite e empresários vivendo sob uma pressão silenciosa e permanente.

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Empreender no Brasil nunca foi fácil. Além das dificuldades econômicas, convivemos diariamente com insegurança jurídica, alta carga tributária, burocracia e um cenário de constantes mudanças. Tudo isso tira o sono de quem empreende.

E quando falamos de empresários, estamos falando, principalmente, de micro, pequenos e médios empreendedores. Pessoas que carregam nas costas seus próprios sonhos e a responsabilidade sobre dezenas de famílias que dependem daqueles negócios para sobreviver.

Embora ainda sejam escassas as pesquisas nacionais específicas sobre saúde mental dos empresários, levantamentos recentes de entidades empresariais e consultorias mostram um avanço preocupante dos quadros de ansiedade, esgotamento e adoecimento emocional entre empreendedores e lideranças corporativas brasileiras.

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em 2025, com 1.627 empresários do setor de alimentação fora do lar, revelou um dado alarmante: 54% dos empreendedores apresentaram sinais de adoecimento mental, como ansiedade e depressão. Entre empresas com contas em atraso, esse índice sobe para 65%. Os sintomas mais citados foram insônia, crises de ansiedade, exaustão e isolamento social.

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Esses números ajudam a traduzir algo que muitos já percebemos no dia a dia.

Mato Grosso é um estado forte, produtivo e empreendedor. Nosso comércio, nossos serviços e nosso turismo geram empregos, movimentam cidades e ajudam a construir oportunidades. Mas é preciso olhar também para quem está por trás dos CNPJs.

O empresário não pode ser visto apenas como alguém que produz riqueza. Ele é um ser humano. Tem medos, responsabilidades, angústias e limites.

Precisamos falar mais sobre saúde mental no ambiente empresarial sem preconceitos ou julgamentos. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza. Dividir preocupações também não.

Talvez esteja na hora de entendermos que cuidar da saúde emocional dos empresários é também cuidar da economia, dos empregos e do futuro das nossas cidades.

Porque empresas saudáveis dependem, antes de tudo, de pessoas saudáveis.

Wenceslau Júnior é empresário do setor de material de construção há mais de 40 anos em Mato Grosso. E é presidente do Sistema Comércio de Mato Grosso, formado por Fecomércio, Sesc, Senac e IPF-MT, desde 2018.

 

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