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Saúde mental: um desafio urgente para o empresariado

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Por Wenceslau Júnior

Recentemente, aceitei o convite do pessoal da Confraria de Profissionais de Marketing de MT para palestrar no Dia do Profissional de Marketing e foi uma experiência que me fez refletir muito. Falei sobre minha trajetória empresarial, sobre os desafios de empreender em Mato Grosso e sobre tudo aquilo que aprendemos ao longo da caminhada. Mas, mais do que contar uma história, aquele momento me fez pensar sobre as histórias que tenho ouvido diariamente de empresários cuiabanos e mato-grossenses.

Em conversas quase sempre sinceras e carregadas de preocupação, tenho percebido algo em comum: muitos empresários estão cansados. Alguns, adoecidos.

Desde a pandemia da covid-19, o ambiente empresarial brasileiro se transformou em uma verdadeira prova de resistência. Naquele primeiro momento, acreditava-se que a crise duraria 60 ou 90 dias. Muitos empresários recorreram a empréstimos bancários para manter as portas abertas, preservar empregos e honrar a folha de pagamento de seus colaboradores. Era uma decisão tomada com esperança.

Mas a pandemia não durou três meses. Durou anos.

E, a cada nova dificuldade, novos empréstimos foram sendo contratados. O resultado disso aparece agora, cinco anos depois. A corda está esticada. Há empresas operando no limite e empresários vivendo sob uma pressão silenciosa e permanente.

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Empreender no Brasil nunca foi fácil. Além das dificuldades econômicas, convivemos diariamente com insegurança jurídica, alta carga tributária, burocracia e um cenário de constantes mudanças. Tudo isso tira o sono de quem empreende.

E quando falamos de empresários, estamos falando, principalmente, de micro, pequenos e médios empreendedores. Pessoas que carregam nas costas seus próprios sonhos e a responsabilidade sobre dezenas de famílias que dependem daqueles negócios para sobreviver.

Embora ainda sejam escassas as pesquisas nacionais específicas sobre saúde mental dos empresários, levantamentos recentes de entidades empresariais e consultorias mostram um avanço preocupante dos quadros de ansiedade, esgotamento e adoecimento emocional entre empreendedores e lideranças corporativas brasileiras.

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em 2025, com 1.627 empresários do setor de alimentação fora do lar, revelou um dado alarmante: 54% dos empreendedores apresentaram sinais de adoecimento mental, como ansiedade e depressão. Entre empresas com contas em atraso, esse índice sobe para 65%. Os sintomas mais citados foram insônia, crises de ansiedade, exaustão e isolamento social.

Leia mais:  O silêncio que adoece e a gentileza que cura

Esses números ajudam a traduzir algo que muitos já percebemos no dia a dia.

Mato Grosso é um estado forte, produtivo e empreendedor. Nosso comércio, nossos serviços e nosso turismo geram empregos, movimentam cidades e ajudam a construir oportunidades. Mas é preciso olhar também para quem está por trás dos CNPJs.

O empresário não pode ser visto apenas como alguém que produz riqueza. Ele é um ser humano. Tem medos, responsabilidades, angústias e limites.

Precisamos falar mais sobre saúde mental no ambiente empresarial sem preconceitos ou julgamentos. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza. Dividir preocupações também não.

Talvez esteja na hora de entendermos que cuidar da saúde emocional dos empresários é também cuidar da economia, dos empregos e do futuro das nossas cidades.

Porque empresas saudáveis dependem, antes de tudo, de pessoas saudáveis.

Wenceslau Júnior é empresário do setor de material de construção há mais de 40 anos em Mato Grosso. E é presidente do Sistema Comércio de Mato Grosso, formado por Fecomércio, Sesc, Senac e IPF-MT, desde 2018.

 

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Nova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa

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Por Giovana Fortunato
Ainda sem data de lançamento no mercado, o medicamento fezoniletanto apresentou resultados satisfatórios em estudos clínicos realizados com mais de 3 mil mulheres
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma nova medicação não hormonal para controlar ondas de calor e suores noturnos, sintomas associados à menopausa que afetam cerca de 80% das mulheres entre 40 e 65 anos.

O  medicamento é uma alternativa para quem não pode se beneficiar ou não responde efetivamente ao tratamento de reposição hormonal. Apesar do aval da Anvisa, ainda não há definição de preço nem data oficial de lançamento da nova droga no mercado brasileiro.

O medicamento fezoniletanto, que chega ao mercado com o nome de Veoza, foi desenvolvido pelo laboratório Astellas Farma. A nova droga atua no sistema nervoso, limitando manifestações vasomotoras, como fogachos, em mulheres que estão na transição para a menopausa e mesmo na pós-menopausa. No Brasil, mais de um terço delas apresenta ocorrências de moderadas a intensas, justamente o alvo do novo tratamento.

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Os principais incômodos do climatério, associados à paralisação na produção de hormônios femininos pelos ovários, são ondas de calor, suores frios, alterações de humor e também do sono. O declínio hormonal tem repercussão nos circuitos cerebrais que regulam a temperatura corporal, gerando os chamados sintomas vasomotores.

As ondas de calor e/ou suores noturnos associados à menopausa têm duração mediana de 7,4 anos. Em algumas mulheres podem persistir por uma década ou mais, comprometendo atividades diárias, qualidade do sono e de vida.

A aprovação da Anvisa considerou três estudos clínicos sobre o fezoniletanto que envolveram mais de 3 mil participantes. A medicação reduziu significativamente a frequência das ondas de calor e/ou suores noturnos.

A dosagem ministrada em 4 semanas levou à redução de 55% da frequência dos sintomas vasomotores. Em 12 semanas, o estudo revelou resultados ainda melhores: 64%. Como evidência, considerou-se que o medicamento diminuiu a intensidade média dos sintomas vasomotores para níveis leves a moderados.

Como benefícios adicionais, observados na quarta e na décima segunda semanas, mulheres que fizeram uso da nova droga apresentaram melhora na qualidade do sono, diminuição no comprometimento das atividades diárias e do trabalho e ganhos em qualidade de vida.

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O fezoniletanto desponta como alternativa para mulheres que não podem fazer reposição hormonal, devido a contraindicações como câncer de mama, infarto e histórico de trombose, e mesmo a pacientes que não obtiveram sucesso com terapia de hormônios.

Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade, e professora da UFMT.
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