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O novo índice que pode transformar o planejamento dos municípios de Mato Grosso

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Por Nilson Antônio Batista

Tomar decisões públicas sem dados confiáveis é como dirigir à noite com os faróis apagados. É possível seguir em frente, mas aumenta significativamente o risco de errar o caminho. Na administração pública, essa realidade se traduz em investimentos mal direcionados, políticas públicas pouco efetivas e oportunidades desperdiçadas.

Durante muito tempo, o planejamento governamental esteve apoiado em indicadores importantes, mas insuficientes para compreender toda a complexidade do desenvolvimento regional. O Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, continua sendo uma referência relevante, porém não consegue, sozinho, explicar as diferentes dinâmicas econômicas existentes entre os municípios, além de ser divulgado com defasagem que pode chegar a dois anos.

É justamente nesse contexto que surge uma importante inovação desenvolvida em Mato Grosso: o Índice Econômico Geral (IEG).

Apresentado durante o II Congresso do Conselho Nacional de Secretários Estaduais do Planejamento (Conseplan), o indicador foi desenvolvido por pesquisadores da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MT), em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), como parte dos estudos técnicos que subsidiam a elaboração do novo Zoneamento Socioeconômico e Ecológico (ZSEE) de Mato Grosso.

Mais do que criar um novo índice, o trabalho representa um avanço na forma de compreender o território mato-grossense. O IEG reúne, em uma única métrica, informações sobre produção agropecuária e extrativista, valor adicionado fiscal, especialização produtiva, concentração das atividades econômicas e dinamismo dos diferentes setores da economia. O resultado é um retrato mais completo da realidade econômica dos municípios.

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Na prática, isso significa oferecer aos gestores públicos uma ferramenta mais precisa para identificar potencialidades, corrigir desigualdades regionais e direcionar investimentos de maneira mais eficiente.

A primeira aplicação do índice revelou um cenário que merece atenção. Entre os 141 municípios mato-grossenses, apenas 22 alcançaram alto desempenho econômico. A maior parte apresenta desempenho intermediário, enquanto 41 municípios permanecem em um patamar considerado baixo. Esses números mostram que, embora Mato Grosso seja um dos estados que mais crescem no Brasil, esse crescimento ainda ocorre de forma desigual entre suas regiões.

Os municípios mais bem posicionados concentram-se, principalmente, nas regiões Centro-Sul e Norte, impulsionados pela força do agronegócio, pela infraestrutura logística e pela integração aos mercados nacionais e internacionais. Por outro lado, municípios com menor diversificação econômica e maior dependência das transferências públicas enfrentam desafios adicionais para promover o desenvolvimento.

Esses resultados reforçam uma premissa fundamental do planejamento governamental: políticas públicas eficazes dependem de diagnósticos igualmente eficazes.

Quando se conhece com maior precisão a realidade econômica de cada território, torna-se possível definir prioridades, fortalecer cadeias produtivas, orientar investimentos em infraestrutura, estimular novas atividades econômicas e acompanhar, ao longo do tempo, os efeitos das ações implementadas.

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Essa é, talvez, a maior contribuição do IEG. O índice não se limita a classificar municípios. Ele oferece inteligência para a tomada de decisão, permitindo que o planejamento deixe de ser baseado em percepções e passe a ser orientado por evidências.

Não por acaso, o indicador já integra o conjunto de variáveis estruturantes do novo Zoneamento Socioeconômico e Ecológico de Mato Grosso, instrumento que servirá de referência para o planejamento territorial do Estado nos próximos anos.

Vivemos uma época em que a gestão pública é cada vez mais cobrada por eficiência, transparência e resultados. Nesse cenário, ferramentas como o Índice Econômico Geral demonstram que investir em conhecimento, inovação e produção de dados qualificados não é apenas um avanço técnico, mas uma condição indispensável para construir políticas públicas mais justas, efetivas e sustentáveis.

Mais do que medir a economia, o IEG amplia a capacidade do Estado de compreender sua própria realidade. E compreender a realidade é, sem dúvida, o primeiro passo para transformá-la.

 
Nilson Antônio Batista é gestor governamental lotado na Secretaria de Estado de Planejamento de Mato Grosso (Seplag-MT).
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Um estado que produz tanto não pode falhar com sua juventude

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Por Irajá Lacerda

Mato Grosso é um estado jovem, forte e cheio de oportunidades. Somos referência nacional na produção de alimentos, atraímos investimentos e contribuímos de forma decisiva para o crescimento do Brasil. Mas nenhum indicador econômico pode nos deixar indiferentes diante de uma realidade preocupante: estamos perdendo nossos jovens para a violência.

O Atlas da Violência 2026 revela que Mato Grosso registrou 536 homicídios de jovens entre 15 e 29 anos em 2024, uma taxa de 57,2 mortes para cada 100 mil jovens, a sétima maior do país. Entre 2019 e 2024, o número de vítimas no estado cresceu 46,4%. No mesmo período, o Brasil registrou queda de 15,1% no número de homicídios de jovens. Enquanto o país avançava na redução dessas mortes, Mato Grosso caminhou na direção contrária.

Estamos falando de jovens que deveriam estar estudando, trabalhando, empreendendo e ajudando a construir o futuro do nosso estado. Enfrentar essa realidade exige mais do que reação. Exige prevenção, inteligência na segurança pública e políticas capazes de chegar antes que o crime chegue.

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A violência precisa ser enfrentada com força policial, investigação, inteligência, integração entre as forças de segurança e presença efetiva do estado. Por isso, é fundamental fortalecer a segurança pública e garantir condições para que ela atue com firmeza contra o crime. Ao mesmo tempo, é preciso ampliar as oportunidades para os jovens, com educação, apoio às famílias, esporte, qualificação profissional e acesso ao primeiro emprego.

Dados do IBGE mostram que 17,5% dos jovens brasileiros de 15 a 29 anos não estavam trabalhando, estudando ou se qualificando em 2025. Entre os jovens que abandonaram ou nunca frequentaram a escola e não concluíram o ensino médio, a necessidade de trabalhar foi o principal motivo.

Precisamos aproximar a educação da vida real e das oportunidades do mercado de trabalho. Mato Grosso deve ampliar a formação técnica e profissional, criar pontes entre escolas, institutos de ensino e empresas, fortalecer programas de primeiro emprego e garantir oportunidades também aos jovens do interior e das regiões de fronteira.

Uma política séria para a juventude precisa identificar os territórios onde a evasão escolar, o aliciamento pelo crime e a falta de oportunidades são mais graves. É justamente nesses lugares que o poder público precisa estar mais presente.

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Não existe solução simples para um problema tão complexo. Segurança pública, educação, emprego, esporte, cultura e fortalecimento das famílias precisam caminhar juntos. Uma coisa, porém, é certa: abandonar nossos jovens custa muito mais caro do que investir neles.

Proteger a juventude não é apenas uma pauta de segurança pública. É uma estratégia de desenvolvimento. O futuro de Mato Grosso não será medido apenas pelo quanto produzimos, mas também pelas oportunidades que conseguimos oferecer às novas gerações. Cuidar dos nossos jovens é cuidar da nossa gente e do futuro do nosso estado.

Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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