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Tribunal de Contas identifica falta de medicamentos e falhas estruturais em unidades básicas de saúde

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O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) identificou falta de medicamentos, equipes incompletas e problemas estruturais durante fiscalizações em Unidades Básicas de Saúde (UBS) nos municípios de Cáceres, Matupá, Diamantino e Guarantã do Norte. Ao todo, cinco municípios foram avaliados e apenas Sorriso apresentou resultado satisfatório.

Os levantamentos, apreciados em sessões do Plenário Virtual, tiveram o objetivo de avaliar as condições de infraestrutura, a disponibilidade de recursos, a organização dos processos de trabalho e a efetividade na prestação dos serviços oferecidos à população.

Conselheiro Antonio Joaquim

Nas vistorias, foram constatados problemas como ausência de carrinhos de emergência, desfibriladores e vacinas, falta de alvarás sanitários e de vistorias do Corpo de Bombeiros. As equipes técnicas apontaram ainda prejuízos no acompanhamento integral da saúde da criança e da mulher.

Cáceres

Sob relatoria do conselheiro Antonio Joaquim, o levantamento feito no município de Cáceres percorreu quatro unidades básicas de saúde, nas quais foram identificadas 16 falhas, sendo que uma delas foi corrigida pela gestão após a fiscalização.

Durante a fiscalização, a equipe técnica constatou que nenhuma das unidades possuía o quadro completo de profissionais, conforme exigido pela Política Nacional de Atenção Básica (PNAB/2017). Também foram encontrados telhados danificados, espaços inadequados, infiltrações, desabastecimento de medicamentos e prejuízos aos atendimentos voltados à saúde da mulher e da criança, além da falta de carrinhos de emergência, desfibriladores, nebulizadores e estufas de esterilização.

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No voto, o relator determinou que a gestão municipal corrija as irregularidades no prazo de 180 dias e recomendou, por exemplo, a elaboração de um plano de metas para resolver o déficit de profissionais e a instituição de uma comissão técnica para diagnóstico da infraestrutura. Também foi instaurado um processo de monitoramento para verificar o cumprimento de todas as medidas.

Diamantino

Conselheiro Campos Neto | Foto: Thiago Bergamasco

Na fiscalização de três unidades básicas de saúde em Diamantino, embora tenham sido constatados resultados positivos quanto ao atendimento à saúde da criança e da mulher, foram identificadas 12 falhas, como deficiência na contratação de profissionais e ausência de itens críticos como carrinhos de emergência, desfibriladores e conservadora de vacinas em todas as unidades.

Sob relatoria do conselheiro Campos Neto, o levantamento também apontou o desabastecimento da vacina Tetra Viral e ausência de condutas padronizadas para casos suspeitos ou confirmados de hanseníase.

Frente ao exposto, embora as falhas não tenham sido consideradas graves o suficiente para punições imediatas, o relator determinou a correção integral de todas as falhas e a instauração de um processo de monitoramento para verificar se as correções serão implementadas.

Matupá

Em Matupá, também sob relatoria de Campos Neto, o levantamento percorreu três unidades que apresentaram resultado intermediário. Conforme o relator, embora tenham sido identificados aspectos positivos, permaneceram diversas falhas que impedem o funcionamento satisfatório das UBS, como falta de reposição de profissionais afastados, falhas na estrutura física e nos carrinhos de emergência, prejuízos na assistência farmacêutica e irregularidades na oferta e conservação de vacinas.

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O conselheiro determinou que a gestão adote providências imediatas para sanar as falhas remanescentes e garantir os serviços básicos de saúde à população local.

Guarantã do Norte

As três unidades fiscalizadas em Guarantã do Norte, também de relatoria de Campos Neto, apresentaram falhas relacionadas à composição incompleta das equipes de saúde, à dificuldade no provimento de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e à falta de um plano estruturado de capacitação permanente.

Foi constatada ainda ausência de desfibriladores e de planejamento para manutenção e reposição de equipamentos, assim como problemas na dispensação de medicamentos e falhas na oferta de vacina de rotina.

No voto, o relator fez recomendações como recomposição das equipes de saúde, aquisição de desfibriladores, descentralização da distribuição de medicamentos e ampliação da vacinação.

Sorriso

Por fim, a fiscalização em Sorriso apontou resultado satisfatório nas três unidades vistoriadas. Pendências relacionadas à necessidade de médicos efetivos, alvarás e vistorias foram consideradas pontuais diante do cenário geral.

“Perante o cenário apresentado, é próprio extrair que os responsáveis obtiveram êxito em demonstrar que, de uma forma geral, o funcionamento das UBS do Município de Sorriso é satisfatório, e que as pendências mantidas foram mínimas”, salientou o relator, conselheiro Campos Neto.

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Guilherme Maluf defende fiscalização do impacto social dos gastos em saúde durante evento do TCU

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O presidente da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social do Tribunal de Contas de Mato Grosso (Copspas/TCE-MT), conselheiro Guilherme Antonio Maluf, defendeu, nesta segunda-feira (31), que o controle externo acompanhe o resultado social do gasto em saúde, e não apenas a sua regularidade.

Conselheiro do TCE-MT, Guilherme Maluf

A declaração foi dada no seminário “SUStentabilidade: financiamento da saúde e as redes de atenção”, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O evento reúne gestores, órgãos de controle, especialistas em busca de soluções para os desafios relacionados ao financiamento e à organização do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Não basta ter a política de saúde e não basta ter o recurso. É preciso fiscalizar o ganho social, se esse dinheiro não está indo para o ralo”, disse Maluf ao ressaltar o papel dos tribunais. “Não há, no meu ponto de vista, nada que impacta tanto na sustentabilidade dos gastos quanto uma política pública, seja ela eficiente ou ineficiente”, acrescentou.

Para ele, que é diretor de Desenvolvimento do Controle Externo e Transparência da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), essa atuação se torna ainda mais relevante em um cenário de aumento de gastos municipais com a saúde, motivados por fatores como o envelhecimento da população e o agravamento das mudanças climáticas globais.

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“Temos que ser muito versáteis no gastar e muito eficientes. E aí que eu trago a importância dos tribunais de contas dos estados trabalharem articulados com o TCU e com o Ministério da Saúde”, pontuou.

Outros temas em debate

Entre os temas em debate na Copspas, Maluf citou os hospitais de pequeno porte, que segundo ele podem ser mais resolutivos a um custo menor do que os grandes hospitais regionais, e a política de primeiro atendimento nas unidades básicas de saúde, que avaliou não estar corretamente direcionada em parte da rede.

Sobre a transformação digital do SUS, disse que parte dos municípios não tem estrutura para acompanhar o processo, por falta de equipamentos, de pessoal técnico e de prontuário eletrônico em uso na atenção ao paciente. “Será que todos os municípios estão preparados para ter essa maturidade da revolução digital? No meu estado não acontece”, afirmou.

O seminário

O seminário segue até 1º de setembro, no Auditório Ministro Pereira Lira, na sede do TCU, e é realizado em parceria com o Ministério da Saúde, o Instituto Rui Barbosa (IRB), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e o Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross).

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A programação trata do modelo de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), dos critérios de rateio dos recursos previstos na Lei Complementar 141/2012, dos desafios da regionalização e da organização das redes de atenção.

A mesa de abertura reuniu ainda o ministro do TCU Augusto Nardes, o secretário-executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, o presidente do Conasems, Hisham Hamida, o secretário de Saúde do Distrito Federal, Juracy Cavalcante, a secretária de Controle Externo do TCU, Juliana Moraes, o vice-presidente de Desenvolvimento de Políticas Públicas do IRB, Helvécio de Castro, e a diretora de Ensino e Admissão de Novos Associados do Ibross, Virgínia Angélica.

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