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A promessa que não cabe em jingle
Por Claiton Cavalcante
No dia 16 de agosto começa oficialmente a propaganda eleitoral no Brasil, e com ela voltam as promessas de sempre. Geração de empregos, desenvolvimento regional, prosperidade para todos. Palavras que enchem o horário eleitoral e somem discretamente assim que a eleição termina. O que fica, na prática, é quase sempre a mesma história: estados ricos em recursos naturais que continuam exportando matéria-prima e importando prosperidade.
Essa obsessão por atrair capital externo virou um vício político. Governadores, senadores e deputados competem para oferecer isenções fiscais e infraestrutura pública a multinacionais, como se o desenvolvimento fosse uma questão de sedução e não de construção. O problema não é atrair empresas de fora, isso faz sentido. O problema é que esse acaba sendo o único plano.
Chama atenção que alguns dos estados mais ricos em recursos naturais do Brasil sejam, paradoxalmente, os que menos industrializaram sua produção. Mato Grosso, Pará e Rondônia figuram entre os maiores produtores do país em suas respectivas cadeias, mas seguem sendo essencialmente fornecedores de matéria-prima. Colhem, extraem, cortam e mandam embora. E o valor agregado vai para outro lugar.
O Mato Grosso ilustra bem o paradoxo. O estado movimentou cerca de R$ 150 bilhões em exportações agrícolas em 2025, consolidando-se como o quarto maior exportador do país. Ainda assim, apenas cerca de 12% da sua economia é industrializada, abaixo da média nacional, o que o coloca na 10ª posição no ranking de competitividade entre os estados. Cidades como Sorriso e Lucas do Rio Verde produzem grãos em escala impressionante, mas os fertilizantes vêm de fora, as máquinas vêm de fora e boa parte do lucro vai embora com eles.
O Pará repete o roteiro com minério de ferro. A indústria local representa cerca de 10% do PIB estadual, enquanto toneladas de ferro bruto seguem para outros países. Rondônia faz o mesmo com madeira e cacau. São economias que produzem muito e transformam pouco.
Por que isso persiste? Parte da resposta está na geografia. Estados distantes dos grandes centros econômicos enfrentam logística cara, infraestrutura precária e dificuldade de atrair mão de obra qualificada. Mas a geografia sozinha não explica tudo.
Os estados mais industrializados do país, especialmente os do Sul e Sudeste, têm bancadas numerosas e décadas de influência sobre políticas federais de crédito, incentivo e regulação. Os efeitos aparecem na distribuição de recursos do BNDES, nas políticas de desoneração e nos acordos que raramente favorecem quem está longe desse eixo.
Some-se a isso a inexpressividade de muitos representantes dessas regiões. Candidatos que passaram pelo Mato Grosso atraíram ADM, Cargill, LDC e Bunge, mas quase ninguém apresentou um plano real para que um mato-grossense consiga abrir sua própria processadora de grãos. Incentivar o empreendedorismo local exige trabalho ingrato, como cortar a burocracia, reformar a carga tributária e conectar as universidades ao setor produtivo. Nada disso cabe em um jingle de trinta segundos.
A lógica econômica, porém, fala mais alto do que qualquer promessa de campanha. Uma caixa de fósforos gera muito mais emprego e renda do que o tronco de onde ela vem. Esse princípio simples é o que transformou economias inteiras. A Coreia do Sul não saiu da pobreza exportando arroz, pelo contrário, saiu processando, fabricando e agregando valor ao que tinha.
Ao Brasil não faltam recursos naturais. O que falta é vontade política para criar condições em que um cidadão comum consiga abrir e manter um negócio sem se perder em meses de burocracia e tributação confiscatória. Fundos de garantia para pequenas empresas e parcerias reais entre universidades e empreendedores são ferramentas simples que já funcionaram em outros países e poderiam funcionar aqui.
O mês de outubro está logo ali. O eleitor vai às urnas mais uma vez, e mais uma vez vai ouvir falar de empregos e desenvolvimento. Antes de digitar o número, vale perguntar se o candidato tem um plano concreto para industrializar o que produzimos aqui, ou se está vendendo mais uma promessa bonita.
Vote desprovido de paixão.
Claiton Cavalcante é membro da Academia Mato-Grossense de Ciências Contábeis e do Instituto dos Contadores do Brasil.
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Pré-diabetes: marcador precoce do risco cardiovascular
O pré-diabetes tem sido cada vez mais reconhecido não apenas como uma etapa anterior ao diabetes tipo 2, mas também como um importante sinal de alerta para o risco cardiovascular, muitas vezes silencioso e subestimado.
Caracterizado por níveis de glicose acima do normal, porém ainda não suficientes para o diagnóstico de diabetes, o pré-diabetes reflete um estado de resistência à insulina, no qual o organismo já apresenta dificuldade em manter o equilíbrio metabólico.
Esse cenário está frequentemente associado a outros fatores de risco, como aumento da gordura abdominal, dislipidemia, elevação da pressão arterial e inflamação crônica, compondo um conjunto de alterações que favorecem o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Mesmo antes da progressão para o diabetes, já é possível observar impacto nos vasos sanguíneos, com disfunção endotelial, que compromete a circulação e facilita o processo de aterosclerose, aumentando o risco de infarto e acidente vascular cerebral.
Do ponto de vista clínico, o pré-diabetes muitas vezes não apresenta sintomas claros, o que reforça a importância de exames de rotina, especialmente em pacientes com sobrepeso, histórico familiar ou outros fatores de risco metabólico.
A boa notícia é que esse é um estágio potencialmente reversível: intervenções no estilo de vida, com foco em alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do peso, têm impacto direto na melhora da sensibilidade à insulina e na redução do risco cardiovascular.
Em alguns casos, o acompanhamento médico pode incluir medidas adicionais, como uso de medicações e monitoramento mais próximo para otimizar o controle metabólico, sempre de forma individualizada.
Encarar o pré-diabetes como um marcador precoce de risco cardiovascular permite agir antes que o dano se estabeleça de forma mais avançada. Mais do que evitar o diabetes, trata-se de proteger o coração e preservar a saúde a longo prazo.
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