TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Justiça condena 12 pessoas da Operação Jumbo a mais de 130 anos por tráfico e lavagem de dinheiro
A Justiça de Mato Grosso proferiu sentença contra 12 pessoas envolvidas na Operação Jumbo, deflagrada pela Polícia Federal, pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. As penas aplicadas aos réus, somadas, ultrapassam a impressionante marca de 130 anos de prisão.
A decisão foi assinada na última sexta-feira (9) pela juíza Raíssa da Silva Santos Amaral, da 4ª Vara Criminal de Cáceres. A ação penal desvendou a atuação de um grupo criminoso estruturado para o tráfico de entorpecentes e a meticulosa ocultação de valores ilícitos, que se utilizava de empresas e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.
A investigação da Polícia Federal se concentrou em um sofisticado esquema com ramificações nos setores de combustíveis e transporte. Esses segmentos eram utilizados para dar uma falsa aparência de legalidade ao dinheiro oriundo do tráfico de drogas, inclusive com o uso de empresas de fachada e contas bancárias de terceiros.
Penas severas para líderes e única absolvição
As condenações mais severas foram destinadas aos líderes e operadores centrais da organização. Fernando da Silva Porto e Tcharles Rodrigo Ferreira de Moraes receberam, cada um, a pena de 25 anos e 7 meses de reclusão em regime fechado.
Em contraponto às condenações, a empresária Kesia Morais Cardeal foi a única ré a ser absolvida de todas as acusações, em defesa conduzida pelos advogados Valber Melo e Matheus Correia. Com a sentença absolutória, a magistrada determinou a imediata revogação de todas as medidas cautelares impostas à empresária, incluindo o desbloqueio de bens e valores que haviam sido apreendidos durante a investigação.
Na fundamentação da sentença, a juíza Raíssa da Silva Santos Amaral destacou que o conjunto probatório foi robusto o suficiente para comprovar a participação dos demais acusados nos crimes. A magistrada ressaltou a coerência entre as provas técnicas, os relatórios investigativos e os depoimentos colhidos em juízo.
“Com efeito, apesar das negativas dos réus, os depoimentos em juízo dos policiais que participaram das diligências investigativas e/ou efetuaram as buscas e prisões, por serem harmônicos e coerentes com as demais provas, são idôneos e aptos a comprovar a autoria dos delitos de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro”, pontuou a juíza.
A decisão também enfatizou que, no crime de organização criminosa, não é necessária a concretização de todos os delitos pretendidos pelo grupo para a consumação penal, uma vez que se trata de um crime formal.
Além das penas de prisão, a Justiça determinou a destruição das drogas apreendidas e a abertura de procedimentos para definir a destinação dos bens e valores que foram bloqueados durante a operação.
Outros Condenados e as Penas Aplicadas:
- Franciely Vieira Botelho – 8 anos e 1 mês
- Geovani de Carvalho Queiroz – 15 anos, 5 meses e 10 dias
- Gilberto Sampaio de Oliveira – 8 anos e 9 meses
- Jimmy Lucas Marques Viana – 8 anos e 1 mês
- Johnny Luiz Santos – 8 anos e 1 mês
- Josivaldo de Lima Gomes Filho – 13 anos e 9 meses
- Márcio de Oliveira Marques – 8 anos e 1 mês
- Mariela Caballero Olmedo – 8 anos e 1 mês
- Mirian de Luna Cavalcanti Marques – 8 anos e 1 mês
- Tiago Teixeira da Silva – 11 anos, 6 meses e 26 dias
A Operação Jumbo
A Operação Jumbo, deflagrada pela Polícia Federal, desarticulou uma complexa rede criminosa envolvida no tráfico internacional de drogas e na lavagem de capitais. O grupo utilizava empresas de fachada, como postos de combustíveis e agências de turismo, especialmente na fronteira com a Bolívia.
A investigação apontou que a organização movimentou cerca de R$ 350 milhões em um período de quatro anos, por meio do tráfico de entorpecentes e da ocultação de valores ilícitos em Mato Grosso. A ação judicial faz parte da segunda fase da Operação Jumbo, que focou em uma organização criminosa ligada a uma facção, responsável por estruturar toda a cadeia logística para aquisição, armazenamento e distribuição de cocaína no estado.
A droga, segundo apurado, era adquirida em Porto Esperidião, armazenada em Mirassol d’Oeste e, posteriormente, distribuída para Cuiabá e outras localidades. Postos de combustíveis na capital foram identificados como instrumentos para a lavagem de dinheiro, com movimentações financeiras incompatíveis com as atividades econômicas declaradas.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Carlinhos Bezerra é condenado a 36 anos pelo assassinato da ex e namorado dela
O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra foi condenado, nesta sexta-feira (31.07), a 36 anos de reclusão em regime inicial fechado pelos assassinatos de Thays Machado e de seu namorado, Willian César Moreno, ocorridos em janeiro de 2023, em Cuiabá. O julgamento foi realizado no Fórum da Capital, sob a presidência da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, titular da 1ª Vara Criminal.
Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos enfrentou o júri popular em uma sessão que começou por volta das 9h e se estendeu até as 22h30. Os jurados reconheceram a autoria de dois homicídios qualificados, sendo o de Thays enquadrado como feminicídio. Com a condenação, ele permanecerá preso no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
Além do feminicídio, foram reconhecidas as qualificadoras de motivo torpe e do uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas, já que os disparos foram feitos de surpresa com arma de fogo.
O crime aconteceu na noite de 18 de janeiro de 2023, em frente ao condomínio onde morava a mãe de Thays, no Bairro Consil, em Cuiabá. Após os homicídios, o empresário deixou a cidade e foi preso em flagrante pela Polícia Civil em uma propriedade rural da família, em Campo Verde.
Durante o interrogatório, Carlinhos afirmou que manteve um relacionamento de aproximadamente três anos e sete meses com Thays, marcado por constantes términos e reconciliações. Ele disse ainda que não há um único dia em que deixe de lamentar o crime.
“Assumo que errei como nunca poderia ter errado na minha vida. Digo com certeza que essa coisa me corrói todos os dias”, declarou.
Os depoimentos
Ao longo do julgamento, prestaram depoimento o delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcel de Oliveira; o delegado que atuava em Campo Verde à época dos fatos, Philipe de Paula da Silva Pinho; a investigadora Luciene Benedita Taques; e a investigadora Lívia Cristina Silva Sales, responsável pela extração dos dados dos quatro celulares apreendidos.
Marcel de Oliveira detalhou as diligências após o crime e afirmou que, depois da prisão de Carlinhos, os investigadores passaram a apurar como o empresário obtinha informações sobre a rotina e a localização de Thays. Segundo o delegado, após um mandado de busca e apreensão na residência do acusado, a Polícia Civil encontrou um vasto conjunto de documentos que demonstrariam uma perseguição sistemática à vítima.
Entre os materiais apreendidos estavam impressões de conversas, anotações com informações sobre a localização de Thays, registros das pessoas com quem ela teria se encontrado, datas, horários, deslocamentos e observações sobre sua rotina e comportamento.
“Era uma perseguição sistemática de tudo o que a vítima fazia. Encontramos um farto material probatório”, afirmou o delegado.
Marcel também relatou que Thays havia sido perseguida por Carlinhos poucas horas antes do crime. Na ocasião, ela procurou atendimento na Central de Ocorrências da Prainha, onde foi recebida pela investigadora Luciene Benedita Taques, que estava de plantão.
Em depoimento, Luciene contou que Thays e Willian compareceram à unidade policial durante a madrugada após perceberem que estavam sendo seguidos pelo empresário. Conforme a investigadora, Thays informou que já possuía um boletim de ocorrência registrado contra o ex-companheiro e solicitou uma análise telefônica, pois acreditava estar sendo monitorada.
Questionado sobre o episódio, Carlinhos negou que estivesse perseguindo Thays. Segundo ele, apenas queria verificar com quem a ex-companheira estava e entender “o motivo pelo qual ela havia terminado” o relacionamento.
Também ouvida durante o julgamento, a investigadora Lívia Cristina Silva Sales apresentou os resultados da perícia nos quatro celulares apreendidos com o empresário. Segundo ela, entre 31 de dezembro de 2022 e 18 de janeiro de 2023, data dos assassinatos, Carlinhos realizou mais de 900 ligações telefônicas para a ex-companheira, uma média superior a 50 chamadas por dia.
Imbróglio no júri
O processo foi marcado por uma série de tentativas da defesa para adiar ou anular a realização do júri popular. Inicialmente previsto para o dia 21 de julho, o julgamento foi suspenso após os advogados do réu abandonarem o plenário, alegando um “arcabouço de problemas” no processo que comprometeria o direito de defesa.
Posteriormente, a defesa apresentou novo pedido para adiar a sessão e afastar a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira da condução do júri. O requerimento foi rejeitado pela Justiça, que manteve a magistrada à frente do caso e preservou a prisão preventiva do acusado.
Momentos antes do início da nova sessão, a defesa voltou a pedir o adiamento. O advogado Elson Marcelino da Silva alegou supostas irregularidades processuais, afirmou que o réu estava com sarna e chegou a solicitar a mudança do plenário. Todos os requerimentos foram rejeitados pela juíza, que entendeu que o estado de saúde do acusado não comprometia sua participação no júri e que não havia cerceamento ao direito de defesa.
*Com informações do Midia News
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