Mato Grosso
Tribunal de Justiça manda Sinfra reavaliar documentos de habilitação de consórcio vencedor
Consórcio RDG Sinop afirma que documentação de habilitação já foi apresentada e considerada válida pelos órgãos responsáveis pela análise do certame
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso determinou que a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística reanalise documentos de habilitação apresentados no processo de concessão das rodovias estaduais que integram o chamado Lote 6, vencido pelo Consórcio RDG Sinop. A decisão, no entanto, não representa a suspensão definitiva da concessão nem invalida o resultado do leilão realizado na B3.
A medida judicial trata de uma etapa específica do procedimento licitatório: a análise da documentação de habilitação. Segundo informações relacionadas ao certame, os documentos exigidos já foram apresentados pela RDG Sinop e foram considerados válidos pelos órgãos técnicos que analisaram o processo administrativo.
A concessão envolve 634,35 quilômetros de rodovias estaduais, abrangendo trechos das MTs 020, 140, 225, 244 e 251, entre Campo Verde e Sinop. O leilão foi realizado em outubro de 2025, na sede da B3, em São Paulo, e teve a participação de três consórcios. A RDG Sinop venceu a disputa ao oferecer desconto de 13,81% sobre a tarifa de pedágio, resultando em tarifa de R$ 12,55. O contrato prevê prazo de 30 anos e investimentos estimados em R$ 2,7 bilhões em obras e melhorias.
O consórcio é formado pelas empresas Terracom, Construtora Camilos, Estrutural Concessões, Elenco Participações e Vale do Rio Novo Engenharia. Após o leilão, a própria Sinfra informou que a documentação das empresas participantes passaria por análise técnica antes da assinatura dos contratos de concessão.
Na prática, a decisão judicial determina que a Sinfra volte a examinar os documentos de habilitação, sem concluir, por si só, que a RDG Sinop não tenha capacidade técnica ou jurídica para assumir a concessão. Também não há, até o momento, decisão definitiva que anule o certame ou retire do consórcio a condição de vencedor do leilão.
A concessão é considerada estratégica para a logística de Mato Grosso, especialmente pela relevância da MT 140, apontada pelo Governo do Estado como corredor fundamental para o escoamento da produção agrícola e integração com a primeira ferrovia estadual, em implantação pela Rumo Logística.
Além dos investimentos em obras, o projeto prevê operação, manutenção, conservação das rodovias, atendimento aos usuários, guinchos e socorro mecânico, com expectativa de geração de 29 mil empregos ao longo do contrato, sendo 16 mil diretos e 13 mil indiretos.
Na defesa apresentada ao Tribunal de Justiça, a RDG Sinop sustenta que cumpriu as exigências do edital e que a documentação apresentada já foi submetida aos órgãos responsáveis pela análise do certame.
Mato Grosso
Sérgio Ricardo expõe falhas graves na MT-140 e intensifica fiscalização nas rodovias
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, iniciou na manhã desta quinta-feira (21) uma nova agenda de fiscalização presencial em rodovias de Mato Grosso. Desta vez, a vistoria percorreu trechos das rodovias MT-140 e MT-020, passando pelos municípios de Chapada dos Guimarães, Nova Brasilândia, Planalto da Serra, Paranatinga e Santa Rita do Trivelato.
Em um dos trechos mais críticos da MT-140, entre Planalto da Serra e Santa Rita do Trivelato, o presidente expôs falhas graves de engenharia em uma rodovia entregue recentemente. Durante a vistoria, foram identificados buracos, afundamentos na pista, ausência de acostamento, desbarrancamento nas laterais e mato alto comprometendo a visibilidade e a segurança dos motoristas.
Para Sérgio Ricardo, a má qualidade das obras representa desperdício de recursos públicos e prejuízos diretos à população e ao desenvolvimento econômico da região. “O projeto determinou uma execução de um jeito, mas foi feito de outro. O resultado é esse: o asfalto está todo comprometido e com muitos buracos. Nós, do Tribunal de Contas, vamos verificar minuciosamente os contratos, como tudo deveria ter sido feito.”
Durante a fiscalização, autoridades políticas municipais relataram o descaso do Poder Público diante das condições da rodovia. De acordo com o prefeito de Planalto da Serra, Natal Alves de Assis Sobrinho, obra foi entregue em 2024 e já apresenta graves problemas estruturais.
“O trecho, que antes era corredor de escoamento vindo da BR-163, hoje registra redução no fluxo de veículos devido às más condições da pista. A empreiteira recebeu ordem de serviço, mas não está executando. Muitas empresas entram no processo sem compromisso e acabam entregando serviços de baixa qualidade”, declarou.
Já o presidente da Câmara de Santa Rita do Trivelato, vereador Gilmar Zanutto, destacou os prejuízos econômicos causados pela situação da rodovia, como o aumento da distância até os destinos, comprometendo o transporte da produção agrícola e reduzindo a movimentação no comércio local.
“O tráfego que movimentava restaurantes, postos e hotéis deixou de passar pela região. Hoje, o trecho que deveria ser uma das principais rotas de escoamento está praticamente abandonado”, afirmou.
Segundo Sérgio Ricardo, o problema não é pontual. O presidente declarou que o TCE-MT tem recebido fotografias, vídeos e reclamações de moradores, caminhoneiros, produtores rurais, prefeitos e vereadores sobre a situação precária das vias, consideradas estratégicas para o escoamento da produção de todo estado.
“O Tribunal de Contas está cumprindo o seu papel ao entender a realidade de quem depende dessas rodovias para sobreviver. Os valores pagos pelas obras em Mato Grosso são inferiores aos praticados em outros estados, precisamos entender até que ponto os problemas nas rodovias são de responsabilidade das empresas e até que ponto são consequência de projetos mal elaborados”, afirmou.
O presidente também anunciou que pretende intensificar as ações de fiscalização presencial com viagens por diferentes regiões do estado.

Portão do Inferno (MT-251)
Ao passar pelo trecho conhecido como Portão do Inferno, na MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, o conselheiro criticou a demora do Estado em dar solução para o local e cobrou sobre a execução do túnel anunciado para a região.
“O povo de Mato Grosso está sendo profundamente prejudicado, assim como o povo de Chapada, que tem seu crescimento e desenvolvimento comprometidos por causa dessa obra que não sai do lugar. O transtorno está sendo causado à população há muito tempo e o Tribunal está cobrando respostas”, questionou.
Recuperação da rodovia e Fethab
Ainda no período da manhã, a vistoria passou por obras de recuperação no trecho entre Campo Verde e Planalto da Serra (MT-140/020), onde o presidente chamou a atenção para os investimentos feitos na rodovia. A obra, executada por meio de contrato da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), tem valor de R$ 26 milhões e utiliza recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab).
Neste sentido, Sérgio Ricardo questionou os rumores da possibilidade de extinção do fundo por parte do Governo do Estado. Segundo ele, apenas em 2025 o Fethab arrecadou cerca de R$ 4 bilhões, mas os investimentos obrigatórios em habitação e saneamento ficaram abaixo do previsto em lei.
Durante a fiscalização, o conselheiro apontou problemas estruturais no trecho em recuperação, especialmente relacionados à ausência de acostamento. Ele anunciou ainda que as especificações previstas em contrato e a responsabilidade da empresa executora pela manutenção da rodovia serão fiscalizadas pelos auditores do TCE-MT.

“Tem que ver o que diz o contrato e qual é a especificação do acostamento. A legislação determina que, durante cinco anos, a empresa responsável pela obra também deve fazer a manutenção do trecho”, esclareceu Sérgio Ricardo.
O presidente do TCE-MT defendeu ainda a revisão da política de contratação de obras públicas no estado. “Não dá mais para aceitar contratos baseados apenas no menor preço. O estado paga mal, a empresa não consegue executar a obra com qualidade e quem sofre é a população, que recebe estrada destruída, obra paralisada e prejuízo no desenvolvimento das cidades.”
Fiscalização em rodovias
O projeto de fiscalização presencial das rodovias conduzido pelo presidente do TCE-MT teve início em fevereiro, com auditoria nas obras da BR-163 sob responsabilidade do Governo do Estado. A primeira fiscalização ocorreu no trecho que passa por Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop, onde a equipe técnica analisou a execução dos serviços, a qualidade da pavimentação, drenagem, canteiro central, custos por quilômetro e o cumprimento do cronograma das obras.
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