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SOP tem novo nome: Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina

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Por Giovana Fortunato

A condição conhecida mundialmente como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou a adotar uma nova nomenclatura no meio científico internacional. A partir de um consenso global publicado na revista científica The Lancet, o termo em inglês Polycystic Ovary Syndrome (PCOS) foi substituído por Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome (PMOS), traduzido para o português como Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina.

A mudança reflete a evolução do conhecimento sobre essa condição, considerada uma das alterações endocrinometabólicas mais frequentes entre mulheres em idade reprodutiva. Estima-se que a síndrome afete cerca de uma em cada oito mulheres no mundo, totalizando mais de 170 milhões de pessoas globalmente.

O novo nome foi definido após um amplo processo internacional de consenso, que envolveu mais de 14.360 participantes entre pacientes, profissionais de saúde e pesquisadores, além da colaboração de 56 organizações médicas e científicas de diferentes países. A iniciativa incluiu pesquisas Delphi, workshops internacionais, análises culturais e linguísticas e estratégias para implementação global.

O objetivo da mudança foi substituir uma nomenclatura considerada limitada, já que o termo “ovários policísticos” não representa adequadamente a complexidade da síndrome. Nem todas as pacientes apresentam ovários com aspecto policístico ao ultrassom, e os chamados “cistos” descritos no nome tradicional correspondem, na maioria dos casos, a folículos ovarianos, e não a cistos propriamente ditos.

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Além disso, a condição envolve alterações que vão muito além dos ovários. Entre suas características estão o hiperandrogenismo, a resistência à insulina, as alterações metabólicas e o aumento do risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2, dislipidemias e doenças cardiovasculares.

Na nova nomenclatura, o termo “polyendocrine” destaca o envolvimento de múltiplos sistemas hormonais, incluindo alterações ovarianas, neuroendócrinas e metabólicas. A palavra “metabolic” reforça o impacto sobre o metabolismo e a saúde cardiometabólica. Já “ovarian” mantém a referência à disfunção ovariana e ovulatória, enquanto “syndrome” reconhece a diversidade de manifestações clínicas associadas à condição.

Segundo as entidades envolvidas no consenso, a atualização do nome busca aprimorar a compreensão da doença, facilitar o diagnóstico e ampliar o reconhecimento dos riscos metabólicos associados. A mudança de nomenclatura não altera os critérios diagnósticos nem as estratégias terapêuticas atualmente utilizadas, mas pretende refletir de forma mais precisa o entendimento científico contemporâneo sobre a síndrome.

A implementação do novo termo deverá ocorrer gradualmente nos próximos anos, com atualização de diretrizes médicas, materiais educacionais e documentos científicos em diversos países.

Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade, e professora da UFMT.
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Nova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa

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Por Giovana Fortunato
Ainda sem data de lançamento no mercado, o medicamento fezoniletanto apresentou resultados satisfatórios em estudos clínicos realizados com mais de 3 mil mulheres
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma nova medicação não hormonal para controlar ondas de calor e suores noturnos, sintomas associados à menopausa que afetam cerca de 80% das mulheres entre 40 e 65 anos.

O  medicamento é uma alternativa para quem não pode se beneficiar ou não responde efetivamente ao tratamento de reposição hormonal. Apesar do aval da Anvisa, ainda não há definição de preço nem data oficial de lançamento da nova droga no mercado brasileiro.

O medicamento fezoniletanto, que chega ao mercado com o nome de Veoza, foi desenvolvido pelo laboratório Astellas Farma. A nova droga atua no sistema nervoso, limitando manifestações vasomotoras, como fogachos, em mulheres que estão na transição para a menopausa e mesmo na pós-menopausa. No Brasil, mais de um terço delas apresenta ocorrências de moderadas a intensas, justamente o alvo do novo tratamento.

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Os principais incômodos do climatério, associados à paralisação na produção de hormônios femininos pelos ovários, são ondas de calor, suores frios, alterações de humor e também do sono. O declínio hormonal tem repercussão nos circuitos cerebrais que regulam a temperatura corporal, gerando os chamados sintomas vasomotores.

As ondas de calor e/ou suores noturnos associados à menopausa têm duração mediana de 7,4 anos. Em algumas mulheres podem persistir por uma década ou mais, comprometendo atividades diárias, qualidade do sono e de vida.

A aprovação da Anvisa considerou três estudos clínicos sobre o fezoniletanto que envolveram mais de 3 mil participantes. A medicação reduziu significativamente a frequência das ondas de calor e/ou suores noturnos.

A dosagem ministrada em 4 semanas levou à redução de 55% da frequência dos sintomas vasomotores. Em 12 semanas, o estudo revelou resultados ainda melhores: 64%. Como evidência, considerou-se que o medicamento diminuiu a intensidade média dos sintomas vasomotores para níveis leves a moderados.

Como benefícios adicionais, observados na quarta e na décima segunda semanas, mulheres que fizeram uso da nova droga apresentaram melhora na qualidade do sono, diminuição no comprometimento das atividades diárias e do trabalho e ganhos em qualidade de vida.

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O fezoniletanto desponta como alternativa para mulheres que não podem fazer reposição hormonal, devido a contraindicações como câncer de mama, infarto e histórico de trombose, e mesmo a pacientes que não obtiveram sucesso com terapia de hormônios.

Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade, e professora da UFMT.
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