Mato Grosso
Seca na bacia do Araguaia-Tocantins põe Estado em alerta e ameaça segurança hídrica regional
Mato Grosso, que detém cerca de 35% da área da Bacia do Araguaia-Tocantins, enfrenta um cenário crítico de escassez hídrica que ameaça o equilíbrio ambiental e a logística regional. Segundo o boletim mais recente do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a situação hidrológica da bacia é preocupante, com projeções indicando que a seca, já classificada como severa em diversas áreas, deve atingir níveis extremos ao longo de junho e julho.
Para o estado, a importância dessa bacia é estratégica. O rio Araguaia, que serve como fronteira natural entre o Mato Grosso e os estados de Goiás e Tocantins, é vital não apenas para a biodiversidade — sustentando ecossistemas como o Parque Estadual do Araguaia e o Pantanal do Araguaia —, mas também como um corredor logístico e fonte de recursos para municípios mato-grossenses como Barra do Garças, Cocalinho e São Félix do Araguaia.
Impacto além da margem dos rios
O levantamento do Cemaden, que utiliza o Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI), alerta que os níveis de vazão nos rios da bacia estão sistematicamente abaixo da média histórica. Esse déficit hídrico reflete um desequilíbrio que afeta o uso múltiplo da água, desde a pecuária e a agricultura familiar das regiões banhadas pelo Araguaia até a viabilidade do transporte fluvial na região Centro-Norte.
Embora o Mato Grosso concentre uma parcela significativa da bacia, o impacto da seca se estende para além das divisas estaduais, conectando o estado a um problema de escala nacional. A bacia Tocantins-Araguaia, que é a maior totalmente brasileira, desempenha um papel fundamental na estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). A queda nos níveis dos reservatórios da bacia, caso se agrave, coloca em risco a geração de energia hidrelétrica e aumenta a pressão sobre os custos de operação do setor elétrico em todo o país.
Ausência de monitoramento estadual
Apesar da escalada da crise, a resposta institucional tem sido limitada. Questionado sobre planos de contingência, ações de mitigação ou estratégias para a preservação das nascentes e margens dos rios afetados, o Governo de Mato Grosso não apresentou posicionamento oficial até o fechamento desta reportagem.
Especialistas em recursos hídricos alertam que o cenário é de “falta de margem para erro”. Com previsões meteorológicas indicando a persistência de chuvas abaixo da média e o risco real de evolução da seca para patamares extremos nas próximas semanas, a gestão da água torna-se o principal desafio para evitar que o Araguaia chegue a níveis históricos de redução, como os registrados em anos anteriores, onde a seca comprometeu severamente a pesca e a sobrevivência das comunidades ribeirinhas e indígenas que dependem diretamente do rio.
Mato Grosso
Mauro Mendes defende continuidade da gestão e promete “12 anos de prosperidade” em Mato Grosso
Em discurso no primeiro ato da campanha eleitoral, o candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil) defendeu a continuidade do modelo de gestão adotado nos últimos sete anos e afirmou que Mato Grosso deve buscar 12 anos de prosperidade.
A largada oficial neste domingo (16.08) foi em Lucas do Rio Verde, base política de Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato ao Governo do Estado e ex-prefeito do município por três mandatos.
“Não é sobre Mauro Mendes, não é sobre Pivetta, não é sobre qualquer um desses candidatos que aqui estão. Essas eleições são para o futuro que nós queremos nesse Mato Grosso. Vamos lutar a boa luta, vamos falar a verdade, vamos conquistar mentes e corações, e fazer desta batalha, uma batalha não por nós, mas acima de tudo, pelo nosso Mato Grosso”, discursou.
O ex-governador lembrou a parceria com Pivetta, que começou na eleição de 2010, quando os dois disputaram o Governo do Estado, e foi retomada em 2018. Para Mauro, a eleição deste ano representa a possibilidade de dar continuidade aos resultados alcançados nos últimos anos e evitar o retorno da velha política, marcada por promessas sem entregas.
“E nós queremos a gente séria que cuide bem desse dinheiro e que nos dê a sensação real e verdadeira que a nossa vida em Mato Grosso está melhorando, em nome de Jesus”.
Mauro também citou obras e resultados da gestão, como a recuperação da BR-163, os mais de 7 mil quilômetros de rodovias asfaltadas e os investimentos realizados em parceria com os municípios.
“Vamos encontrar escolas públicas melhores do que as escolas privadas, vamos encontrar lá em Cuiabá e em Alta Floresta, hospitais públicos melhores do que os hospitais privados”, afirmou.
Por sua vez, o governador Otaviano Pivetta destacou o simbolismo de iniciar a campanha em Lucas do Rio Verde, cidade onde construiu sua trajetória política. Ele lembrou a parceria com Mauro Mendes e citou como exemplo a atuação dos dois na solução para a concessão da BR-163.
“Uma coisa que jamais seria pensada, que é o Estado de Mato Grosso comprar uma concessionária privada por um real, mas um real, e fazer uma engenharia técnica e financeira, assumir o compromisso que na época nós não tínhamos muita segurança.”
Velha política
No discurso, Pivetta fez uma crítica contundente em relação à situação de Várzea Grande. Morador de Cuiabá, o governador disse que toda a semana ela vai a Várzea Grande e ficou incomodado com um problema de décadas da cidade: a falta de água aos moradores. Ele criticou a sucessão de administrações que, segundo ele, não conseguiu melhorar as condições de vida da população.
“Eu toda vez que eu vou a Várzea Grande eu me emociono, porque não é possível, não é possível que os sucessores, a sucessão de gestores dos últimos sei lá, 100 anos, deixaram uma cidade tão ruim para o povo viver, que maltrata tanto aquele povo. Isso dói no meu coração, Mauro”.
Para mudar essa realidade, ele defendeu uma intervenção para resolver o problema do abastecimento de água em Várzea Grande.
“Quando eu falei que nós íamos entrar em Várzea Grande com a aliança da água, não é brincadeira, não é por causa da campanha política, é porque foi o momento em que eu senti isso como governante, eu fui tocado e fui obrigado a fazer aquilo, porque se eu não fizesse eu seria um covarde.”
O ato em Lucas do Rio Verde também reuniu ainda a candidata à vice-governadora Gisela Simona (União Brasil), a candidata ao Senado, Margareth Buzetti, o também candidato ao Senado Antonio Galvan (Avante), além de deputados, prefeitos, lideranças políticas e candidatos.
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