livre pensar
Saber ouvir
Luiz Henrique Lima
Há por aí uma grande profusão de cursos de oratória. Alguns de reconhecidos profissionais que cobram bem caro; outros de notórios picaretas que não passam de caça-níqueis.
Há cursos de oratória para políticos, empresários, pastores, vendedores, professores, entre outros. Tais cursos prometem fazer o aluno se expressar melhor em público, cativar audiências, persuadir plateias, conquistar clientes e alcançar sucesso.
Há até micro-especializações, como treinamentos para falar perante júris ou para jornalistas, em mensagens para redes sociais ou em provas orais de concursos públicos.
Todos só querem saber de falar melhor, com voz empostada e tom afinado. Falar mais tempo e mais alto. De preferência, falar sozinho ou, pelo menos, falar por último.
O que me surpreende é que quase não se ofereçam cursos de escutatória. Aliás, essa palavra, que significa a arte de ouvir, sequer existia, até que foi inventada por Rubem Alves, numa de suas belíssimas crônicas.
Sim, porque saber ouvir é tão importante – ou às vezes mais – quanto saber falar.
No entanto, quase todos só se interessam por falar e muito poucos por ouvir.
Quem não sabe ouvir não tem condições de liderar.
Líderes sábios ouvem seus conselheiros antes de decidir. Líderes populares autênticos procuram ouvir o povo a que desejam servir. Líderes efetivos ouvem diversas alternativas na busca da melhor opção. Líderes espirituais ouvem a voz da consciência.
Líderes medíocres não gostam de ouvir aqueles que são mais qualificados. Líderes vaidosos não aceitam ouvir críticas. Líderes autoritários não admitem ouvir opiniões divergentes. Líderes autossuficientes somente conseguem ouvir a própria voz. Líderes desequilibrados são incapazes de ouvir a voz da razão.
Além dos líderes, as instituições, especialmente as públicas, também deveriam aprender a ouvir. Ouvir seus clientes, seus colaboradores e principalmente a sociedade, pois é no interesse público que reside a razão de sua própria existência. Assim como as pessoas, convencer uma instituição pública a aprender a ouvir é difícil, mas não impossível.
Quem aprende a ouvir depois aprende muito mais, simplesmente ouvindo.
Quem aprende a ouvir aprende a saber o que ouvir, a quem ouvir, quando ouvir e como ouvir. Quem aprende a ouvir aprende a distinguir o fato da fofoca, a informação do preconceito, o argumento da falácia e a precisão do exagero.
Quem aprende a ouvir ouve até o que não é dito, mas precisa ser compreendido. Quem aprende a ouvir se acostuma a falar menos, mas o que fala costuma ser mais útil.
O exercício de ouvir desenvolve inúmeros aspectos da inteligência humana e amplifica a empatia com o próximo e a possibilidade de resolução de conflitos.
Se todos aprendessem a ouvir, viveríamos numa sociedade menos ruidosa e redundante e, certamente, mais venturosa e pacífica.
Luiz Henrique Lima é Conselheiro Substituto do TCE-MT.
artigos
Série Governantes: Faça a sua parte
Por Francisney Liberato
“Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.” John F. Kennedy
Uma das características mais marcantes do brasileiro é a sua criatividade. Ele consegue desenvolver e pôr em prática várias habilidades como: ideias, pensamentos, empreendedorismo, visando o seu bem-estar e o seu conforto, como também o de sua família.
Segundo o site “Terra”, em 30/09/2019, é apresentada uma pesquisa a qual conclui: “A pesquisa Amway Global Entrepreneurship Report (AGER) revela que 56% dos brasileiros desejam ser donos do seu próprio negócio. Destes, 74% são jovens entre 18 e 35 anos. O índice do Brasil é maior que a média global, que está em 47%”.
Vejam que no Brasil os jovens desejam criar e empreender, eles querem ter o seu próprio negócio. Isso é muito positivo para nossa nação. Infelizmente, uma coisa é desejar e querer ser um empresário, outra, bem diferente, é efetivar esse desejo.
Não podemos permitir que o conceito autocrático, isto é, esperar que as ideias, iniciativas e as respostas sejam exclusivamente do chefe, do líder, do diretor escolar, do pai e da mãe, do governante, do presidente, uma vez que, se agirmos dessa maneira, veremos falecer a nossa liberdade de criar.
É fundamental para todos que tenham uma mentalidade aberta e moderna que as pessoas criem e empreendam mais, pois é por intermédio disso que é gerada riqueza para o nosso país.
Você deve olhar para dentro de si e se perguntar: Qual é a sua vocação para melhorar a sua vida, a vida da sua família, dos seus entes queridos e do país onde reside? Essa reflexão é de extrema importância.
A responsabilidade é única e exclusivamente sua. Aqui existe um conceito fundamental que devemos ter como prisma em nossas vidas, que é chamado de Autorresponsabilidade. Em síntese, é necessário trazer para si a responsabilidade, e não a de colocar sobre o encargo do outro, como: os seus pais, seus familiares, seus empregadores e seus governantes. Em outras palavras, o sucesso ou fracasso da sua vida está em sua alçada.
Se pensarmos a vida dessa forma, saiba que teremos uma nação moderna e próspera, com índices de desenvolvimento econômico e humano semelhantes aos de países do primeiro mundo.
Entretanto, muitos indivíduos têm dificuldades de entender o seu propósito para esta vida. Muitos estudantes que estão cursando uma faculdade já pensam em desistir, por entender que não é bem isso o que sonham para sua vida. Enquanto existem muitos indivíduos desejando crescer evoluir, por outro lado, têm, infelizmente, os que esperam “a comida, o emprego, o dinheiro caírem do céu”.
John Fitzgerald Kenedy ou JFK foi um político norte-americano que governou os Estados Unidos (1961-1963), o seu nome está registrado como o 35° presidente daquela nação. Ele é considerado uma das grandes personalidades do século XX.
Kennedy se tornou o segundo presidente mais jovem do seu país, depois de Theodore Roosevelt. Infelizmente, não conseguiu terminar o seu mandato, uma vez que foi assassinado em 1963.
O presidente John Kennedy proferiu uma célebre frase que ainda tem uma enorme relevância para os nossos dias: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”.
Podemos parafrasear essa afirmação do ex-presidente americano para o nosso contexto: o que nós brasileiros podemos fazer pelo Brasil? O que estamos fazendo para melhorar o nosso país? Qual tem sido a minha e sua contrapartida para desenvolver e aperfeiçoar esta nação? Como podemos abandonar determinadas atitudes paternalistas e viver de forma mais racional, visando o bem comum? O Estado pertence a todos nós. Devemos fazer a nossa parte, e não exigir que Estado seja o responsável e provedor por tudo.
Nosso país é formado pela diversidade cultural, étnica e social de milhares de brasileiros, que nem sempre concordam com as decisões dos nossos governantes, mas todos fazemos parte da nação, e devemos caminhar em um mesmo sentido. A nossa Constituição de 1988 dispõe que todo poder se origina do povo. O poder está nas mãos de cada ser habitante deste país. Nós podemos e devemos fazer o melhor pelo Estado, independentemente de questões políticas e partidárias.
Não diga o que o país deve fazer por você, use a sua criatividade, empreendedorismo, e faça o seu melhor na medida de suas condições, e de acordo com as suas circunstâncias. Seja presente e deixe o seu legado para esta nação. A responsabilidade pelo sucesso ou fracasso do Brasil está em nossas mãos. Está disposto a tomar uma iniciativa para contribuir com a República Federativa do Brasil?
Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT, Palestrante Nacional, Professor, Coach, Mentor, Advogado e Contador, Autor dos Livros “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência” e “A arte de ser feliz”.
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