MINISTÉRIO PÚBLICO MT
MP investiga contratações e falta de concursos na educação
O Ministério Público de Mato Grosso, por meio da 8ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa da Educação de Cuiabá, instaurou três inquéritos civis para fiscalizar como estão sendo realizadas as contratações de profissionais da educação nas redes municipais de Cuiabá e Acorizal, além da rede estadual. A investigação pretende verificar a regularidade de concursos públicos e processos seletivos, além de checar se as administrações estão aderindo à Prova Nacional Docente, política lançada pelo Ministério da Educação em 2026 para qualificar a seleção de professores no país.
De acordo com o promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior, a ação é necessária para diagnosticar se existe uma dependência excessiva de contratos temporários em detrimento de cargos efetivos. O Ministério Público busca entender se há falta de concursos regulares e se as secretarias possuem um planejamento estruturado para a valorização da carreira docente, garantindo processos de seleção que sigam critérios técnicos, transparentes e impessoais.
Como parte dos inquéritos, foram enviados ofícios à Secretaria de Estado de Educação e às pastas municipais de Cuiabá e Acorizal. As instituições devem informar se já aderiram à PND ou apresentar justificativas e cronogramas para a futura adesão. O órgão também requisitou dados detalhados sobre o quadro atual de servidores, incluindo funções, locais de lotação e o tipo de vínculo de cada profissional, separando quem é efetivo de quem possui contrato temporário.
A preocupação do promotor baseia-se em dados do Censo Escolar, que revelam um crescimento nacional no número de professores com vínculos precários, chegando a ultrapassar 70% do corpo docente em algumas redes estaduais. Miguel Slhessarenko Junior ressalta que esse cenário contraria previsões constitucionais e legais que priorizam o concurso público.
Levantamentos do MEC indicam situações específicas nas localidades investigadas. Cuiabá é classificada como Prioridade 3, com 83% de concursados, mas o último certame ocorreu há pelo menos seis anos. Já Acorizal, também em Prioridade 3, apresenta 53,5% de inadequação docente e 64% de profissionais efetivos, sem informações registradas sobre o último concurso ou sobre a existência de um Plano de Cargos, Carreira e Remuneração para a categoria.
MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Homem é condenado a mais de 37 anos de prisão por tentativa de feminicídio em Cuiabá
O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, Breno Júnior de Oliveira Castro a 37 anos e quatro meses de reclusão, além de oito meses de detenção e três meses e 15 dias de prisão simples, pelos crimes de tentativa de feminicídio qualificado, estupro, violência psicológica e vias de fato. Os delitos foram praticados contra a companheira, Helena Louyse Mendes dos Santos, em um contexto de violência doméstica que se estendeu por cerca de dois anos.
O Conselho de Sentença reconheceu a autoria e a materialidade da tentativa de feminicídio, apontando ainda que o crime foi cometido com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Por decisão dos jurados, o condenado não terá direito de recorrer em liberdade, e a sentença determinou a execução imediata da pena, que deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) foi representado em plenário pelo promotor de Justiça Rodrigo Ribeiro Domingues.
Conforme a denúncia apresentada pelo MPMT, Helena foi submetida, entre 2023 e 2025, a um relacionamento abusivo marcado pelo controle de amizades, vestuário, estudos, trabalho e deslocamentos, além do monitoramento constante do celular e das redes sociais. O réu também a submetia a humilhações, ameaças e agressões físicas recorrentes, incluindo um episódio em que chegou a quebrar um aparelho celular contra o rosto da companheira.
O caso ganhou contornos ainda mais graves em julho de 2025, quando Breno Castro levou a vítima para uma área de mata, onde a agrediu violentamente com um cano de ferro e efetuou um disparo de arma de fogo. Após as agressões, ele a levou de volta para casa. No dia seguinte, segundo a denúncia, forçou a companheira a manter relação sexual. Posteriormente, abandonou a vítima ferida e desacordada em uma “boca de fumo”.
Helena sobreviveu graças ao atendimento prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O processo tramita sob o número 1016281-31.2025.8.11.0042.
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