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Qual o papel do Brasil na tensão entre Venezuela e Guiana?

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Por Thays Felipe David de Oliveira

O mundo vem acompanhando a tensão existente entre a Venezuela e a Guiana. É sabido que a tensão teve início no dia 3 de dezembro, quando o presidente venezuelano Nicolás Maduro convocou um referendo que perguntava à população se apoiariam a concessão de cidadania venezuelana a 125 mil habitantes da cidade de Essequibo, localizada na Guiana, visando a anexação de parte dessa cidade.

Um dos principais motivos para esse tensionamento é que essa região é rica em petróleo, tornando-se mais acentuada desde 2015, quando a empresa ExxonMobil descobriu vários campos do combustível fóssil na área. Diante desse episódio, a Guiana acredita ser a proprietária do território, baseando-se em um documento de 1899, feito em Paris, que estabeleceu as fronteiras atuais. Enquanto isso, a Venezuela defende que, a partir do acordo de 1966 com o Reino Unido, anterior à independência da Guiana, o laudo de 1899 foi anulado, estabelecendo a base para uma nova solução negociada.

Ou seja, não é algo recente, e vários acordos têm sido assinados por pelo menos 200 anos entre os Estados para garantir a propriedade dessa região. Desde 2018, há um caso na Corte Internacional de Justiça (CIJ) que descreve que a Guiana não acredita que a Venezuela queira continuar as relações de forma diplomática e conciliadora. Nesse sentido, tudo isso é alimentado por causa dessa grande quantidade de recursos energéticos.

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No meio dessa tensão, encontramos o Brasil. Para que a Venezuela possa invadir a cidade de Essequibo, isso só pode ocorrer de duas formas: a primeira por via marítima, entretanto, é extremamente custoso para o governo venezuelano; a segunda seria passando pela cidade de Pacaraima, localizada em Roraima, no arco norte brasileiro, o que seria mais barato e tornaria o processo mais fácil.

Perante tais perspectivas, o Exército Brasileiro enviou uma tropa para reforçar a segurança na região, além daqueles que já estavam trabalhando na Operação Acolhida, também em Pacaraima. De forma complementar, no dia 5 de dezembro, foram enviados 20 tanques de guerra para Roraima, com o intuito de resguardar aquela região de maiores tensões e auxiliar no combate ao garimpo ilegal na área. Nesse sentido, os blindados devem permanecer na cidade de Boa Vista e ficar sob aviso para serem utilizados em caso de algum imprevisto em Pacaraima.

Vale salientar que há vários anos não existe um grande efetivo por parte do Exército Brasileiro no Norte do país, o que torna essa região cada vez mais vulnerável a tensões como a que está ocorrendo entre a Venezuela e a Guiana. Diante da falta de segurança na região amazônica brasileira, torna-se plausível uma maior preocupação neste momento atual. No entanto, esse movimento brasileiro também pode gerar um maior tensionamento, já que ambos os chefes de Estado estão preparados para qualquer ação necessária para preservar seus territórios.

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Thays Felipe David de Oliveira é doutora em Ciência Política e professora do curso de Relações Internacionais da Estácio.

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Tabagismo: um desafio de saúde pública e o papel do cuidado multiprofissional na cessação do hábito

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Por Carlos Eduardo Almeida Bouret

O tabagismo é uma ameaça silenciosa à saúde pública. Todos os anos, mais de 8 milhões de vidas são perdidas em decorrência do consumo de produtos derivados do tabaco, um número alarmante que reforça a importância de campanhas como o Maio Cinza e, especialmente, o Dia Mundial Sem Tabaco — celebrado em 31 de maio.

Como médico urologista e diretor-presidente da Unimed Cuiabá, acompanho de perto os impactos devastadores do cigarro não apenas nos pulmões, mas em diversos sistemas do organismo.

A fumaça do tabaco contém substâncias químicas comprovadamente nocivas e diretamente associadas ao desenvolvimento de câncer. Isso inclui, além do câncer de pulmão, doenças urológicas graves, como o câncer de bexiga, frequentemente relacionado ao hábito de fumar.

Nos últimos anos, um novo desafio se impôs: a falsa percepção de segurança em relação aos cigarros eletrônicos e a dispositivos como vapes e narguilés. É preciso ser claro: esses produtos não são alternativas seguras e podem ser tão ou até mais prejudiciais que o cigarro convencional, causando danos pulmonares significativos e mantendo a dependência da nicotina.

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É por isso que há uma mensagem de esperança que precisa ser amplificada. Parar de fumar traz benefícios rápidos e consistentes. Em apenas um ano, o risco de infarto pode cair pela metade. Após cinco anos, o risco de doenças cardíacas se aproxima daquele de uma pessoa que nunca fumou. Ou seja, sempre há tempo para recomeçar.

Nesse processo, o apoio faz toda a diferença. Nesse sentido, a Unimed Cuiabá disponibiliza o Programa Inspirar, exclusivo para tabagistas beneficiários do plano que desejam parar de fumar.

O programa é estruturado de forma multiprofissional e oferece um grupo terapêutico com abordagem integrada, com técnicas direcionadas ao tratamento do tabagista, manejo dos sintomas da cessação, desenvolvimento de habilidades para interromper o uso do tabaco e prevenção de recaídas. O cuidado também inclui consulta médica individual, baseada nas Diretrizes de Cessação do Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

O programa também conta com telemonitoramento realizado em três, cinco e doze meses após o encerramento da fase presencial.

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Além disso, o Grupo Recarga oferece suporte adicional aos participantes que já passaram pelo programa, concluíram a fase presencial e recaíram ou não conseguiram cessar o tabagismo, possibilitando novo acolhimento estruturado. O Workshop complementa as ações ao promover encontros presenciais para todos os participantes ativos, independentemente da fase do tratamento.

O Maio Cinza nos convida à reflexão e à ação. Reduzir o tabagismo é um compromisso com a saúde individual e coletiva.

Dr. Carlos Bouret é diretor-presidente da Unimed Cuiabá

 

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