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Tribunal de Contas reúne quase 1,2 mil participantes em webinar sobre políticas públicas para a primeira infância

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Presidente da Copec, conselheiro Antonio Joaquim | Foto: Tony Ribeiro

O aprimoramento de políticas públicas da educação na primeira infância a partir de dados científicos, pelo viés da equidade, norteou o webinar “Aprendizagem e Bem-Estar na Primeira Infância: Evidências para as Políticas Públicas”, realizado pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) nesta terça-feira (4). Organizado pela Comissão Permanente de Educação e Cultura (Copec) em parceria com o Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação (Gaepe-MT), o evento reuniu quase 1,2 mil pessoas para conhecer o Estudo Internacional de Aprendizagem e Bem-Estar Infantil (IELS), a maior pesquisa internacional dedicada à avaliação do desenvolvimento e do bem-estar de crianças na primeira infância.

Durante a solenidade de abertura do evento, o presidente da Copec, conselheiro Antonio Joaquim, destacou que investir na primeira infância é a estratégia mais eficaz para promover igualdade de oportunidades e transformar a realidade social. Segundo o conselheiro, o webinar amplia o acesso de educadores a evidências científicas capazes de subsidiar a prática pedagógica e a formulação de políticas públicas. O webinar deu início às comemorações do Mês da Primeira Infância no TCE-MT.

“Estamos propiciando a oportunidade para que quase 1,2 mil professores, coordenadores e gestores tenham acesso a informações que poderão ser utilizadas no dia a dia da sala de aula para melhorar a qualidade da educação infantil, pois, quando o professor identificar uma criança que tem dificuldade de aprendizagem, deve oferecer o apoio específico para ela a fim de potencializar seus resultados. Isso mostra a importância da intersetorialidade entre educação, saúde e assistência social”, declarou Antonio Joaquim.

O conselheiro aproveitou a oportunidade para propor à Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, uma das instituições parceiras do estudo no Brasil, a realização de um levantamento em Mato Grosso para acompanhar, nos próximos anos, os impactos dessas evidências no estado. “Quem sabe poderemos ser um case para avaliar os impactos desse estudo internacional”, pontuou.

Representando a Fundação, Beatriz Abuchaim explicou que o IELS oferece um panorama inédito sobre o desenvolvimento de crianças de cinco anos ao final da pré-escola. “O Brasil investiu maciçamente no acesso à educação infantil, mas ainda não tínhamos dados concretos sobre a qualidade desse atendimento e sobre o que as crianças estão, de fato, aprendendo e o que deve ser melhorado nas áreas de saúde e desenvolvimento social”, disse.

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Na mesma linha, a presidente-executiva do Instituto Articule e coordenadora do Gaepe-Brasil e do Gaepe-Mato Grosso, Alessandra Gotti, defendeu o uso de evidências para orientar decisões voltadas à infância. “A prioridade absoluta garantida às crianças pela Constituição também deve significar prioridade aos dados como ferramentas para iluminar as políticas públicas”, declarou, ao destacar que a mobilização liderada pelo conselheiro Antonio Joaquim contribuiu para um aumento de 30% na oferta de vagas na educação infantil no estado.

Representando o Ministério da Educação (MEC), o coordenador-geral de Equidade Educacional da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI), Caio Callegari, afirmou que a análise dos resultados deve passar por duas lentes: afeto e equidade. “Não existe qualidade sistêmica sem equidade, que exige tratar desigualmente os desiguais sob a lógica da justiça social. Essa perspectiva orientou o novo Plano Nacional de Educação e deverá estar presente também na elaboração dos Planos Municipais de Educação, prevista para o próximo ano.”

Já o procurador do Ministério Público de Contas (MPC-MT) Gustavo Deschamps enfatizou que os primeiros anos de vida são determinantes para toda a trajetória das crianças. “O que uma criança vive até os cinco anos molda sua trajetória escolar, sua saúde e suas oportunidades pelo resto da vida. Por isso, investir cedo é a política pública mais estratégica e eficiente que um estado pode executar. Esses números não são apenas dados técnicos, mas um chamado à ação para gestores, técnicos, órgãos de controle e toda a sociedade.”

O estudo foi apresentado pelo professor e pesquisador do Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador nacional do IELS no Brasil, Thiago Bartholo. A iniciativa é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), organismo internacional que reúne nove países comprometidos com a promoção de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico e social.

Estudo Internacional de Aprendizagem e Bem-Estar Infantil

O IELS buscou compreender o desenvolvimento das crianças e identificar os fatores que favorecem resultados positivos de aprendizagem e bem-estar, por meio da análise de diferentes contextos que influenciam o desenvolvimento infantil, incluindo o ambiente familiar, a comunidade, as instituições de educação infantil e as características individuais das crianças, relacionando esses aspectos aos resultados de aprendizagem, às funções executivas e ao desenvolvimento socioemocional.

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Durante a apresentação do estudo, realizado em 2025, o professor e pesquisador Thiago Bartholo, que coordenou a pesquisa no Brasil, agradeceu ao convite do TCE-MT para mostrar os resultados obtidos. “No Brasil, coletamos dados de uma amostra representativa de crianças de cinco anos nos estados de São Paulo, Ceará e Pará. Visitamos escolas, realizamos atividades com as crianças, conversamos com os pais e responsáveis para produzir esse retrato, que é o maior estudo já produzido no Brasil sobre as múltiplas infâncias, focado no desenvolvimento, aprendizado e bem-estar delas”, esclareceu Thiago.

Os dez indicadores presentes na pesquisa foram divididos nas categorias aprendizagens fundamentais, funções executivas e habilidades socioemocionais. Deles, o professor destacou três como resultados positivos, em que o Brasil aparece na média entre os nove países participantes: literacia emergente, empatia e identificação de emoções e atribuição de emoções. “A literacia emergente engloba o vocabulário, a capacidade de assimilar uma história e consciência fonológica”, explicou.

Já no indicador de numeracia emergente, que representa a habilidade matemática, e nas três atribuições das funções executivas (memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade mental), as crianças brasileiras que participaram da pesquisa apresentaram resultados abaixo da média e maior desigualdade entre os resultados. “Esse é um alerta importante que aponta para a necessidade de aprofundamento, pois as funções executivas representam a base para a aquisição de outras competências e aprendizados fundamentais.”

Por fim, o especialista destacou que os resultados mostram uma forte correlação entre os diferentes domínios avaliados no IELS, sugerindo que o desenvolvimento infantil ocorre de forma integrada e interdependente. “As evidências reforçam a importância de políticas e práticas pedagógicas voltadas ao desenvolvimento integral”, concluiu.

O resultado completo da participação brasileira no IELS pode ser acessado no portal da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. Clique aqui 

Já o relatório completo do estudo internacional está disponível no site da OCDE. Clique aqui 

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Sérgio Ricardo alerta gestores sobre ampliação da arrecadação em encontro sobre Reforma Tributária

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Presidente Sérgio Ricardo durante abertura do 2° Encontro Sobre Reforma Tributária para Municípios | Foto: Tony Ribeiro

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, alertou gestores de todo o estado sobre a importância de ampliar a arrecadação própria até 31 de dezembro de 2026, durante a abertura do 2º Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios, nesta quarta-feira (14).

Promovido pela Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (COPSFID), o evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas para discutir os impactos da reforma e orientar as prefeituras sobre medidas que podem influenciar a distribuição de recursos durante a transição para o novo sistema tributário.

“Vamos conversar com os prefeitos para que eles atentem para a arrecadação que vão fazer até o dia 31 de dezembro. O que os municípios irão receber a partir do ano que vem vai depender muito do que arrecadaram de 2019 até 31 de dezembro deste ano”, afirmou o presidente.

2° Encontro Sobre Reforma Tributária para Municípios
Presidente da COPSFID, Valter Albano, coordenador do encontro técnico | Foto: Tony Ribeiro

O presidente relacionou a preparação para a reforma ao Plano de Metas Mato Grosso 2050, elaborado pelo Tribunal para orientar o desenvolvimento do estado nas próximas décadas, e destacou a situação dos municípios de pequeno porte, que mantêm câmara, prefeitura e secretarias com população reduzida e baixa arrecadação própria. “Temos municípios com 3 mil, 2 mil, 1 mil habitantes que definitivamente não se sustentam. Eles só sobrevivem por causa dos repasses federais e estaduais”, disse.

Na ocasião, o presidente da COPSFID, Valter Albano, reforçou que o encerramento do ano representa um marco para a arrecadação municipal e cobrou maior rigor na cobrança de tributos. “Não haverá mais espaço para facilidades tributárias, para a autoridade gestora fazer de conta que não é o caso de cobrar o imposto. Agora é a hora da verdade, da transparência. Quem administrar bem, for atrás dos devedores e realizar a receita na forma da lei sai bem. Quem não fizer isso terá perdas adicionais. E o limite é 31 de dezembro deste ano”, reforçou.

Conselheiro José Carlos Novelli
O conselheiro José Carlos Novelli prestigiou o evento | Foto: Marcus Paulo

Já o conselheiro José Carlos Novelli questionou se haverá tempo para os municípios ampliarem a receita própria até o fim do prazo e avaliou que a regra pode precisar de alteração. Além disso, questionou se as emendas parlamentares, responsáveis por grande parte dos investimentos das prefeituras, serão consideradas no cálculo. “Municípios como Jangada, Rosário Oeste, Barão de Melgaço e Nortelândia tiveram receita de mais de R$ 60 milhões em 2025, mas a receita própria de todos eles está abaixo de 10%. Dos 60 milhões, arrecadaram 6. Estamos em outubro e o prazo é 2026. O que os municípios têm de fazer para aumentar essa receita?.”

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Nesse cenário, o secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, apontou os possíveis efeitos sobre a autonomia financeira de Mato Grosso. Segundo ele, cerca de 80% da receita estadual é própria, mas as regras da reforma podem aumentar a dependência de transferências federais. “Com a Reforma Tributária, se tudo continuar como está, corremos o risco de perder essa autonomia e depender de repasses federais”, disse. “Hoje, o Estado e os municípios são parceiros na melhor forma de implementação da Reforma Tributária e na garantia da continuidade dos serviços à população”, acrescentou.

Atuação conjunta

Evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas. 
Evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas | Foto: Tony Ribeiro

Na cerimônia de abertura, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), promotora de Justiça Anne Karine Louzich, defendeu a cooperação entre as instituições durante a transição e destacou a atuação do MPMT no combate à sonegação fiscal. “O Ministério Público tem uma atuação firme e consolidada, sobretudo em Mato Grosso, no enfrentamento às fraudes fiscais e no combate à sonegação. Temos desafios que estão por vir e precisamos cada vez mais dessa integração. Coloco o Ministério Público como parceiro deste Tribunal e dos fiscos estadual e municipais”, afirmou.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Máximo, destacou a participação dos municípios no encontro. “A presença de prefeitos, vereadores e secretários demonstra o compromisso dos municípios mato-grossenses para que a reforma seja implantada da melhor forma possível”, disse.

Para o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, o debate também deve buscar alternativas para compensar os efeitos da reforma sobre estados com elevada produção e grande volume de mercadorias destinadas a outros mercados. “É importante discutir cada vez mais esse tema para trazer um alento às prefeituras e buscar alguma compensação dentro da reforma para Mato Grosso, que tem uma grande produção, mas precisa levar seus produtos para fora do Estado”, avaliou.

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O deputado estadual eleito e ex-presidente da AMM Leonardo Bortolin destacou a importância da cobrança do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), tributo municipal que integra a transição para o novo modelo. “Até o final de 2026 se fecha o ciclo que vai dar base para o seguro-receita dos municípios, e isso vai impactar diretamente no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Por isso é importante que o ISS, que é competência do município, seja muito bem cobrado.”

No mesmo sentido, o membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) Yendis Costa destacou que o IBS será cobrado no destino e repassado às prefeituras por um comitê gestor nacional, e que os municípios terão de planejar a aplicação desses recursos. “O objetivo deste evento é demonstrar aos prefeitos e gestores municipais como será essa arrecadação a partir do ano que vem e qualificar o ente municipal para que tenha maior planejamento da sua arrecadação tributária.”

Também participaram da mesa de abertura o conselheiro Campos Neto, a controladora-geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, Bárbara Natália Nogueira Garnica, e o primeiro vice-presidente da AMM, prefeito de Rondolândia, José Guedes.

Programação

O encontro reúne especialistas para orientar prefeitos, vereadores e equipes técnicas sobre os efeitos da reforma e as medidas necessárias para preparar as administrações municipais. A programação segue até quinta-feira (15), com transmissão pela TV Contas (canal 30.2) e pelo canal do TCE-MT no YouTube.

A programação inclui palestras do procurador do Estado Rogério Gallo e do secretário Fábio Pimenta, do economista Alberto Mendes, responsável pelo anuário Multi Cidades, e de gestores fazendários do município de Serra (ES).

Na quinta-feira, estão previstas palestras de integrantes do Grupo de Trabalho sobre a Reforma Tributária da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), entre eles o auditor público externo do TCE-MT Joel Bino Júnior.

 

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