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Polícia prende membros de quadrilha que roubava gado em Mato Grosso
Entre os crimes praticados pelos suspeitos está o roubo ocorrido na propriedade rural em São Félix do Araguaia, em que os assaltantes desistiram de levar os animais, subtraíndo objetos pessoais, equipamentos eletrônicos e maquinários das vítimas.
PJC | MT
Caminhão boiadeiro apreendido com os suspeitos de roubo de gado
Integrantes de um grupo criminoso envolvido em roubos de gado tiveram mandados de prisão cumpridos em uma força tarefa da Polícia Judiciária Civil com apoio da Polícia Militar, realizada na quinta-feira (21.02). Os suspeitos, M.A.S. e T.P.N. tiveram a participação identificada em roubos ocorridos em fazendas de Porto Alegre do Norte e São Félix do Araguaia (1.125 e 1.156 km ao Norte).
A prisão dos suspeitos foi realizada em ação envolvendo policiais civis das Delegacias de Porto Alegre do Norte, Confresa, Vila Rica, Canabrava do Norte, Alto Boa Vista, São Félix do Araguaia e Comodoro com apoio da Polícia Militar. M.A.S. foi preso em Vila Rica e T.P.N. no município de Comodoro.
PJC | MT
Delegado, Marcello Maidame
De acordo com o delegado Marcello Maidame, responsável pelas investigações, o grupo criminoso era investigado há algum tempo como responsáveis por roubos urbanos na cidade de Confresa, porém recentemente foi identificado que os suspeitos migraram para roubos de gado na zona rural da região.
“Os suspeitos estão presos desde o dia 27 de janeiro, ocasião em que foram detidos em situação de flagrante. A ação criminosa do grupo contava com o apoio logístico de dois caminhões boiadeiros, que foram apreendidos pela Polícia Militar no mesmo dia em Confresa”, disse o delegado
O grupo também contava com o apoio de outro veículo, um veículo gol branco furtado que foi apreendido na quarta-feira (20) pelos investigadores em mãos da suspeita C.P.S, presa em flagrante em Confresa por receptação.
Entre os crimes praticados pelos suspeitos está o roubo ocorrido na propriedade rural em São Félix do Araguaia, em que os assaltantes desistiram de levar os animais, subtraíndo objetos pessoais, equipamentos eletrônicos e maquinários das vítimas.
Em Porto Alegre do Norte-MT os investigados mantiveram em cárcere privado mais de dez pessoas e pretendiam subtrair pelo menos 200 animais, mas desistiram do roubo após uma das vítimas conseguir fugir da ação dos criminosos. Na fuga os bandidos subtraíram objetos pessoais e eletrônicos, além de uma caminhonete SW4.
O delegado destacou que os criminosos são extremamente perigosos que agiam armados e atuavam com violência. “Enquanto alguns integrantes tinham a função de manter as vítimas, geralmente caseiros das fazendas, em cárcere privado sob a ameaça de morte, outros movimentavam o gado para embarque e transporte”, disse o delegado.
Os presos serão indiciados pelos crimes de latrocínio tentado, roubo, cárcere privado e organização criminosa e foram encaminhados para a cadeia pública de Porto Alegre do Norte, aguardando a conclusão das investigações e julgamento pelo judiciário.
*Com informação da PJC | MT
caceres
Fazenda Jacobina guarda relíquias do Brasil Imperial e abrigou o médico da Sabinada
Por João Arruda | Cáceres (MT)
A Fazenda Jacobina, fundada por portugueses em 1769, no município de Cáceres — a 210 quilômetros a oeste de Cuiabá —, situada na rodovia federal 070, guarda verdadeiras relíquias do Brasil Imperial.
No terreiro à frente do imponente casarão colonial estão máquinas que saíram da Europa, principalmente da Inglaterra, cruzaram o Oceano Atlântico até adentrar pelo Estuário da Prata, entre Uruguai e Argentina, e dali percorreram uma longa jornada até atingir Cáceres, com distância de 3.412 quilômetros de navegação.
Partes desse maquinário, tomadas por ferrugem, ainda exibem inscrições como “Dave Paxma & Gold Engennier Gold Hester England”.
A Jacobina, quando implantada, foi estratégica: serviu para fornecer alimentos aos primeiros núcleos de povoação da então Província de Mato Grosso, que pertencia, à época, à Capitania de São Paulo.
Era dessa fazenda que saíam suprimentos para alimentar as cidades onde se extraía o ouro, como Cuiabá, Nossa Senhora do Livramento, Poconé e Vila Bela da Santíssima Trindade.
Os portugueses mantinham a fazenda sob sigilo para não despertar a cobiça dos vizinhos espanhóis.
A produção saía em canoas e batelões até atingir, pelo Córrego Jacobina, que desagua no Rio Paraguai, abaixo de Cáceres, 70 quilômetros.
Já no século 19, com a independência do Brasil, rebeliões eclodiram em várias partes do país, e em uma delas a Jacobina entra na história dessas insurgências.
É no estado da Bahia que emerge o médico Francisco Sabino Vieira. Idealista, promove um levante que ficou denominado “A Sabinada”, que durou cinco meses e foi debelado.
O Império não condenou Sabino Vieira à morte, pois, se assim fizesse, ele se tornaria mártir, aumentando a insatisfação da Bahia com o Império.
O Brasil era governado pelo período Regencial — Dom Pedro II tinha apenas a regência. Batalhas travavam-se no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, no Maranhão e no Pará. Sentenciar Sabino Vieira, numa Bahia já pacificada, não seria a decisão mais sensata.
O Império o condenou à prisão no Forte Príncipe da Beira, à margem direita do Rio Guaporé (hoje município de Costa Marques, em Rondônia).
Então, a guarda imperial faz a escolta do médico Sabino Vieira em direção ao Príncipe da Beira. Em lombos de mulas, cortam o oeste da Bahia até varar Goiás e, de lá, meses nas estradas, atingem Mato Grosso pelo leste, seguindo rumo a Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá (atual Cuiabá). Seguindo em frente, chegam à Fazenda Jacobina, onde os responsáveis pela escolta apresentam ao pai do Barão de Vila Maria, Padre Joaquim José Gomes da Silva, o decreto do Império. Aí ocorre um fato interessante: a esposa estava acometida de febre e Sabino, médico formado na França, fez o tratamento. Então, a família do Barão de Vila Maria, que era afamada em todo o Mato Grosso pela alta produção de alimentos, decide ordenar a volta das tropas que escoltavam Sabino, com a seguinte ordem: “O doutor Sabino não irá seguir para o Forte Príncipe da Beira; ficará sob nossos auspícios”. E o médico baiano ficou até seus derradeiros dias na fazenda.
Já no Brasil República, seus restos mortais foram trasladados para o Rio de Janeiro, e ele é considerado herói nacional. Em Cáceres, dá nome a uma das importantes vias públicas do Centro Histórico.
Hoje, a Fazenda Jacobina mantém atividades agropastoris e funciona também como restaurante, de segunda a segunda, com cardápio regional.
A professora Edir Antônia de Almeida, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), ativista dos direitos humanos, toca projetos voltados ao fortalecimento da cultura mato-grossense e apresentará grupos de Cururu e de Siriri.
A fazenda recebe estudantes e professores de todo o país, inclusive da Bahia, e é tocada pelos herdeiros do empreendedor Vitório da Silva Lara: os irmãos Cristiano e Adriano — este apelidado de Imperador —, e sua mãe, Terezinha Lara.
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