Mato Grosso
Mesa técnica do TCE-MT abre caminho para ampliar mercados da agricultura familiar
O trabalho conduzido pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) para desburocratizar o acesso da agricultura familiar à certificação sanitária avançou nesta quinta-feira (27). O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, entregou ao Tribunal relatório com os resultados das ações pactuadas na Mesa Técnica nº 01/2025, que reúne medidas para fortalecer o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), ampliar a comercialização da produção e facilitar o acesso de pequenos produtores a novos mercados e às compras públicas. O documento foi entregue durante evento realizado na Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária no Estado de Mato Grosso (SFA-MT).
Para o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, a entrega do relatório consolida um trabalho construído a partir do diálogo interinstitucional, com foco em transformar a certificação sanitária em instrumento de desenvolvimento socioeconômico em Mato Grosso. “Na mesa técnica, dialogamos entre diversas instituições, construímos um diagnóstico e acordamos medidas para desburocratizar a comercialização de produtos da agricultura familiar, ampliar mercados e viabilizar a competitividade da produção por meio da certificação. Dessa forma, abrimos caminhos para que o pequeno produtor tenha mais condições de regularizar sua produção, acessar novos mercados e levar seu alimento à mesa da população”, declarou.
Durante o evento, foram anunciadas novas ações do Projeto ConSIM-MT, voltado à ampliação do SISBI-POA no estado. O escopo é um dos desdobramentos da solução acordada na mesa técnica, concluída em novembro de 2025. Na cerimônia, o tema foi exaltado pelo ministro André de Paula. “A política pública voltada à agricultura familiar é uma das mais importantes que o Ministério da Agricultura toca. Hoje, temos consórcios de municípios de Mato Grosso se envolvendo e fazendo uma parceria para capacitar os municípios a vender para o comércio local. Não é apenas vender para o Brasil inteiro, mas também estar habilitado a fornecer às compras públicas”, afirmou.

O relatório foi entregue a Adriângelo Antunes, secretário-executivo da Comissão Permanente de Meio Ambiente e Sustentabilidade (COPMAS) do TCE-MT, que é presidida por Sérgio Ricardo. “A gestão do presidente Sérgio é pautada pelo consensualismo, que é unir todos que trabalham em prol do estado, sejam as entidades, as instituições e a iniciativa privada, para resolver problemas específicos. No caso, as desigualdades de Mato Grosso refletem muito na questão da agricultura familiar, que precisa de fomento, regulamentação e incentivo para melhorar a qualidade de vida das famílias que trabalham nesse setor”, pontuou Antunes.
Na ocasião, o presidente da AMM, Hemerson Máximo, reforçou que os avanços apresentados na cerimônia são resultado do trabalho desenvolvido a partir da mesa técnica do TCE-MT. “Já são mais de 72 municípios com o SISBI-POA e outros 62 em fase de finalização para adquirir o sistema. Estamos falando de 134 municípios envolvidos nessa certificação e vamos chegar aos 142. É um trabalho muito gratificante e fico muito feliz de fazer parte disso juntamente com o Tribunal de Contas. Tenho certeza de que vamos avançar muito.”
Na mesma linha, o presidente do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental Alto Teles Pires (CIDESA) e prefeito de Nova Mutum, Leandro Felix, destacou o apoio técnico e institucional do Tribunal. “O pequeno produtor sabe produzir e tem aptidão no fazer, mas enfrenta uma dificuldade enorme na questão técnica. É aí que entram o consórcio e o apoio do Tribunal de Contas, para que possamos cumprir a legislação de forma correta e, ao mesmo tempo, garantir que o produtor esteja legalizado e possa entregar seu produto com qualidade ao consumidor final”, afirmou.
“A mesa técnica do TCE-MT transforma conflitos em resultados positivos a partir do diálogo. O Tribunal reúne os atores envolvidos, constrói um diagnóstico técnico comum e cria um ambiente institucional seguro para que sejam pactuadas soluções viáveis, com responsabilidades e prazos definidos. Neste caso, o resultado já pode ser percebido na ampliação do acesso dos municípios ao SISBI-POA e na abertura de novos mercados e oportunidades para a agricultura familiar. É o consensualismo transformando diálogo em resultado para a sociedade”, destacou Lisandra Barros, auditora pública e secretária de Normas, Jurisprudência e Consensualismo do TCE-MT.
A agenda do ministro também marcou o anúncio de capacitações que serão realizadas em parceria com a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM). Durante a cerimônia, também foram lançados o Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO) e o certificado de equivalência que permite a ampliação do escopo do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental Alto Teles Pires para a atividade de abate.
A mesa técnica
Proposta pelo presidente Sérgio Ricardo com o objetivo de desburocratizar a comercialização de produtos da agricultura familiar, ampliar mercados e viabilizar a competitividade da produção, a mesa técnica foi concluída em novembro e apontou soluções para a regularização sanitária e o desenvolvimento das agroindústrias de pequeno porte no estado. As deliberações concentraram-se em dois eixos, a expansão das adesões ao SISBI-POA por meio de consórcios públicos, e o aperfeiçoamento do Sistema de Inspeção Agroindustrial de Pequeno Porte de Mato Grosso (SIAPP-MT), ligado à Lei nº 12.387/2024.
Como medidas de aprimoramento da política pública do SIAPP-MT, o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea), a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) se comprometeram em revisar os parâmetros técnicos e de fiscalização, atualizar os limites máximos de produção para produtos cárneos, criar um selo artesanal e definir de critérios de análises laboratoriais compatíveis com a realidade dos pequenos produtores.
“Mato Grosso é um estado de muitas desigualdades. Temos ilhas de prosperidade, mas também temos ilhas de abandono e miséria, com pessoas vivendo em total insegurança alimentar. A solução é a produção de alimento e essa mesa técnica foi o primeiro passo para solucionar esse problema. Dialogamos entre diversas instituições para ter o diagnóstico e chegamos a um consenso do que precisa ser feito”, destacou o presidente Sérgio Ricardo no dia da conclusão da mesa.
TCE-MT amplia atuação para fortalecer a agricultura familiar
A atuação do TCE-MT em favor da agricultura familiar também integra uma agenda mais ampla de enfrentamento das desigualdades regionais. Em março deste ano, o presidente Sérgio Ricardo anunciou a elaboração do plano de metas “Mato Grosso 2050”, que prevê ações para fortalecer a agricultura familiar na Baixada Cuiabana, onde vivem cerca de 35 mil famílias de pequenos produtores. A proposta busca ampliar investimentos, melhorar a infraestrutura, estimular a produção e criar condições para a permanência dos jovens no campo, com participação de universidades, associações e representantes do setor produtivo.
Como parte dessa agenda, o presidente Sérgio Ricardo também determinou, em julho de 2026, a abertura de nova Mesa Técnica para destravar a regularização ambiental da agricultura familiar. A iniciativa busca enfrentar os entraves que dificultam a regularização de pequenas propriedades e, consequentemente, o acesso dos produtores a crédito, programas de incentivo e mercados. O trabalho deverá reunir órgãos públicos e representantes do setor para identificar os principais obstáculos e construir soluções que considerem as particularidades da agricultura familiar.
A nova frente amplia a atuação consensual do Tribunal sobre o tema, que passa a abranger não apenas a regularização sanitária e o acesso a mercados, mas também as condições ambientais necessárias para que os pequenos produtores possam produzir, acessar políticas públicas e ampliar sua atividade de forma regular e sustentável. Mesas técnicas
As mesas técnicas vêm se consolidando como um dos principais instrumentos de consensualismo do TCE-MT para a solução de problemas públicos complexos, sendo referência em outros tribunais de contas do país. Por meio delas, o Tribunal reúne gestores, órgãos de controle, instituições públicas e demais atores envolvidos para construir, com base em estudos técnicos e no diálogo interinstitucional, soluções juridicamente seguras e capazes de produzir resultados concretos.
O modelo já foi aplicado em temas de grande repercussão no estado, envolvendo áreas como saúde, saneamento básico, infraestrutura, transporte público, sistema prisional e gestão de resíduos sólidos. Entre os casos de maior repercussão estão mesas voltadas à continuidade dos serviços do do transporte coletivo de Cuiabá, aos atendimentos do Hospital de Câncer de Mato Grosso, à retomada das obras do Hospital Júlio Muller, à qualidade da alimentação no sistema prisional e à solução de entraves em grandes obras de infraestrutura, como a Ferrovia Estadual.
Mato Grosso
Setor de tecnologia apresenta carta de prioridades e busca ampliar participação em projetos de MT
Representantes de empresas de tecnologia da informação e inovação de Mato Grosso se reuniram com o governador Otaviano Pivetta, nesta quarta-feira (26), em Cuiabá, para discutir medidas voltadas ao fortalecimento do ecossistema tecnológico do Estado. O encontro foi realizado no Yumit Hub e abordou temas como formação profissional, inovação, compras públicas, transformação digital e participação de empresas locais em grandes projetos.
A reunião foi articulada pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Inovação de Mato Grosso (Asseiti-MT), entidade que reúne mais de 70 empresas associadas, com atuação na capital e no interior. O segmento inclui negócios de desenvolvimento de softwares, infraestrutura, conectividade, telecomunicações, segurança da informação, inteligência artificial, educação tecnológica e startups.
Durante o encontro, o presidente da Asseiti-MT e da Log Lab, Fernando Pereira, afirmou que Mato Grosso vive uma fase estratégica para transformar seu capital intelectual em uma referência na área de tecnologia.
“Nós estamos vivendo a maior revolução industrial dos últimos tempos, que é a revolução industrial tecnológica”, declarou.
Segundo Fernando, o desafio é fazer com que as empresas mato-grossenses ultrapassem os limites regionais e conquistem espaço nos cenários nacional e internacional. Ele destacou que a tecnologia permite a atuação competitiva de negócios independentemente da localização, desde que haja profissionais qualificados e condições adequadas para o desenvolvimento das empresas.
Nesse contexto, o presidente ressaltou a importância do Projeto Conecta Jovem, iniciativa voltada à capacitação e à inclusão de jovens no mercado de tecnologia da informação.
“Queremos colocar Mato Grosso no mapa da tecnologia mundial e, para isso, iniciativas como o Projeto Conecta Jovem são fundamentais, pois preparam a nossa juventude para as oportunidades desse mercado em expansão”, afirmou.
Fernando também defendeu a criação de ambientes favoráveis à inovação e destacou a importância do diálogo com o governo estadual para a construção de políticas públicas voltadas ao setor.
“A gente precisa criar ambientes tecnológicos para que possamos nos desenvolver”, disse.
Empresas locais buscam ampliar espaço
O diretor da Asseiti-MT e sócio-diretor da Stelmat, Allan Araújo, defendeu a união entre as empresas como forma de ampliar a competitividade e a capacidade de atuação do setor em Mato Grosso.
Ele lembrou que a associação já participou de negociações que contribuíram para a redução da carga tributária incidente sobre empresas de tecnologia, além de outras medidas voltadas à melhoria das condições de concorrência com negócios de maior porte instalados em outros estados.
De acordo com Allan, a reivindicação apresentada ao governo não representa um pedido de privilégio para as empresas locais. O objetivo, segundo ele, é garantir condições para que os negócios sediados em Mato Grosso possam crescer e disputar projetos públicos e privados de maior complexidade.
A Carta de Prioridades elaborada pela Asseiti-MT está estruturada em sete eixos: compras públicas de tecnologia; política estadual de inovação; formação e retenção de talentos; contratações temporárias do Estado; ambiente tributário e regulatório; governo digital e proteção de dados; e interiorização do setor tecnológico.
“Todos os eixos convergem para um mesmo objetivo: fazer da tecnologia um dos principais impulsionadores da economia mato-grossense”, explicou Allan.
O diretor também ressaltou que a tecnologia está integrada a praticamente todas as atividades econômicas, incluindo o agronegócio, o comércio, o setor automotivo e a área da saúde.
“A tecnologia hoje está no pano de fundo de toda e qualquer atividade. Não importa se é agro, revenda de automóveis, comércio ou hospitais. Hoje ninguém sobrevive sem tecnologia”, afirmou.
Estado sinaliza parcerias
O governador Otaviano Pivetta afirmou que o Estado pretende ampliar a abertura para parcerias com empresas privadas e utilizar a tecnologia como uma das bases para sustentar o crescimento econômico de Mato Grosso.
“Nós vamos abrir o Estado e as empresas públicas para essas parcerias, que são necessárias”, declarou.
Pivetta também projetou que o Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso poderá dobrar nos próximos dez anos. Para ele, a expansão da economia precisará ser acompanhada pela criação de empregos mais qualificados, o que exige investimentos em educação e formação profissional.
O governador afirmou ainda que o Estado deve oferecer condições para que jovens com interesse e aptidão na área possam construir suas carreiras em Mato Grosso.
“Para quem tiver vocação e quiser seguir a carreira de tecnologia, o Estado vai ser um ambiente apropriado para isso”, disse.
Pivetta reconheceu a importância do setor para o desenvolvimento estadual e afirmou estar disposto a acelerar as ações relacionadas à inovação e à transformação digital.
“Eu estou disposto a avançar rápido e eu sei que hoje, para avançar rápido, nós precisamos da tecnologia”, afirmou.
Formação e interiorização
Para Fernando Pereira, a participação do governo estadual no diálogo abre uma oportunidade para que Mato Grosso avance na criação de um ambiente capaz de reter profissionais e estimular o crescimento das empresas locais.
“Talento não tem CEP. O talento nasce em qualquer lugar”, destacou.
A expectativa da Asseiti-MT é que as discussões resultem em medidas concretas nas áreas de qualificação profissional, inovação, participação de empresas locais em projetos, digitalização dos serviços públicos e expansão do setor para o interior.
Com quatro décadas de atuação na representação da área de tecnologia e inovação, a associação afirma que pretende contribuir para a construção de um ambiente mais competitivo, no qual os negócios mato-grossenses possam ampliar sua capacidade técnica e participar de projetos que movimentam a economia do Estado.
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