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O Brasil não é para amadores.O marketing também não.

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Por Rômulo Rampini

“O Brasil não é para amadores.
” A frase já virou praticamente um aviso para quem pretende investir, trabalhar, empreender e gerar receita no país. Estamos em um ano eleitoral, com o debate político aumentando as incertezas e deixando empresários e consumidores mais cautelosos.

Enquanto Brasília discute o futuro do país, o empresário continua pagando impostos, salários, fornecedores, juros e boletos. Esses, curiosamente, não entram em período eleitoral.

Mesmo após reduções recentes, a taxa Selic continua em 14% ao ano, mantendo o crédito caro. O consumo das famílias avançou apenas 0,5% no segundo trimestre de 2026. Isso não significa que o consumidor deixou de comprar, mas que passou a pesquisar, comparar e escolher com mais cuidado.

Ele continua no mercado, porém já não compra qualquer coisa, de qualquer empresa e por qualquer argumento. O problema é que muitas empresas ainda fazem marketing como se o consumidor
estivesse implorando para gastar.

Publicam uma arte motivacional, impulsionam um post,lançam uma promoção e esperam pelas vendas. Quando o resultado não aparece, culpam o algoritmo. Aliás, o algoritmo já deve ser o funcionário com mais responsabilidades dentro
de algumas empresas.

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Se as vendas caem, a culpa é dele. Se os leads não respondem, a culpa é dele. Se o atendimento demora quatro horas, aparentemente também é culpa dele.

Quase ninguém quer admitir que o problema pode estar na oferta, no posicionamento, no atendimento ou na completa ausência de um processo comercial. Tráfego pago não corrige uma empresa desorganizada. Ele apenas leva mais pessoas para conhecerem a desorganização.

Se a empresa depende somente de indicação, desconto ou
anúncio para vender, ela não possui uma estratégia comercial, possui uma sequência de tentativas. Isso funciona enquanto o mercado está aquecido, mas, quando o crédito fica caro e o consumo desacelera, a sorte perde eficiência rapidamente. É quando aparecem a marca pouco lembrada, o atendimento lento, o CRM abandonado e os contatos esquecidos em planilhas ou conversas de WhatsApp.

Marketing profissional não é publicar três vezes por semana, escolher uma música para o
vídeo ou comemorar alcance. É construir demanda, posicionar a empresa e ajudar o comercial a transformar interesse em receita. Isso exige integração entre marketing, vendas, CRM e atendimento.

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Sem essa estrutura, o lead chega, espera, desiste e compra
do concorrente. Depois, alguém abre o relatório e conclui que os anúncios não funcionaram.

Curtidas são agradáveis, mas ainda não encontrei fornecedor que aceite engajamento como
pagamento.
A preparação para 2027 não pode começar em janeiro. Precisa começar agora, com posicionamento claro, processos definidos, atendimento rápido e uma equipe comercial capaz de aproveitar as oportunidades. Quem decidir organizar tudo somente quando o caixa apertar descobrirá que estratégia feita no desespero geralmente recebe outro nome:
improviso.

A pergunta não é se sua empresa precisará de marketing. A pergunta é se ela terá estratégia suficiente quando postar, impulsionar e torcer já não funcionar.

Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS

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A doçura perdida no tempo: o que a infância ainda tem a nos ensinar

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Por Soraya Medeiros

Há uma doçura na infância que o tempo não consegue apagar completamente. Ela pode ficar escondida sob as responsabilidades, as decepções e a pressa da vida adulta, mas permanece dentro de nós. Basta uma música antiga, o cheiro de uma comida, uma fotografia ou uma brincadeira esquecida para que aquela criança desperte novamente.

Quando éramos pequenos, a felicidade parecia morar nas coisas mais simples. Estava em correr descalço, brincar de esconde-esconde, pega-pega, amarelinha, pular corda, andar de bicicleta ou transformar qualquer objeto em brinquedo. Um quintal podia virar um universo inteiro. Uma caixa de papelão se transformava em casa, carro ou castelo. Bastava imaginação.

E havia os doces. Uma bala, um pirulito, um pedaço de bolo, um chocolate recebido de alguém especial. Talvez o sabor nem fosse tão extraordinário, mas aquele gesto carregava algo maior. Era cuidado. Era carinho. Era a sensação de ser lembrado. Por isso alguns sabores atravessam décadas e permanecem ligados às pessoas que amamos.

A doçura da criança também estava na forma de enxergar o outro. Fazíamos amizade com uma facilidade que hoje parece impossível. Bastava perguntar: “Quer brincar comigo?”. Pouco depois, dividíamos brinquedos, inventávamos histórias e ríamos juntos como se aquela amizade existisse havia anos.

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Criança sabe rir com o corpo inteiro. Ri até perder o fôlego, até a barriga doer, sem se preocupar se alguém está olhando. Chora quando dói, mas muitas vezes, minutos depois, já está brincando novamente. Existe nela uma extraordinária capacidade de estar presente.

Jean Piaget, ao estudar o desenvolvimento infantil, mostrou como a criança constrói sua compreensão do mundo experimentando, perguntando, imaginando e descobrindo. Talvez tenhamos muito a reaprender com essa curiosidade que um dia também foi nossa.

Porque crescemos e, com o tempo, fomos aprendendo a desconfiar, controlar, calcular. Vieram as responsabilidades, as perdas, os boletos, as frustrações e as expectativas. Para não sofrer, construímos defesas. E algumas delas acabaram escondendo também nossa espontaneidade.

Quando foi que paramos de brincar? Quando foi que começamos a acreditar que adulto precisa estar sempre sério, ocupado e preocupado?

Nossa criança interior não pede que abandonemos responsabilidades. Ela apenas nos lembra que viver também é brincar, rir de bobagens, dançar sem saber dançar, cantar desafinado, tomar chuva, fazer algo simplesmente porque nos dá prazer e permitir que a alegria apareça sem precisar de uma ocasião especial.

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Resgatar essa criança é também recuperar nossa doçura. Não a ingenuidade que desconhece os perigos, mas a delicadeza de quem ainda consegue se emocionar. É olhar para uma flor, um pôr do sol, um animal brincando ou uma gargalhada e perceber que nem tudo precisa ter utilidade para ter valor.

Talvez amadurecer não seja deixar a infância para trás. Talvez seja aprender a caminhar com ela. Porque, por mais que o tempo passe, aquela criança ainda mora em algum lugar dentro de nós, esperando uma oportunidade para correr, brincar, sorrir e se encantar novamente.

E talvez ela queira apenas nos lembrar de algo que esquecemos enquanto crescíamos: a vida também foi feita para ser saboreada. E um pouco da sua doçura ainda está dentro de nós.

Soraya Medeiros é jornalista.

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