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Câncer de tireoide, alimentação e obesidade

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Por Mariana Ramos

Quando se fala em câncer, é natural procurar respostas sobre o que poderia ter causado a doença. No caso do câncer de tireoide, perguntas sobre alimentação, excesso de peso e hábitos de vida aparecem com frequência. O problema começa quando associações observadas em estudos são transformadas em relações diretas de causa e efeito.

O câncer de tireoide não tem uma causa única. Existem fatores de risco bem estabelecidos, como exposição à radiação ionizante, especialmente durante a infância, histórico familiar e determinadas alterações genéticas. Outros fatores vêm sendo investigados pela ciência, entre eles obesidade, alimentação e aspectos metabólicos.

Nos últimos anos, a possível relação entre excesso de peso e câncer de tireoide ganhou espaço nas pesquisas. Estudos epidemiológicos apontam associação entre maior índice de massa corporal e aumento do risco de câncer de tireoide. Isso, porém, não significa afirmar que a obesidade cause diretamente a doença ou que uma pessoa desenvolveu câncer porque ganhou peso. Embora estudos observacionais mostrem uma associação entre excesso de peso e câncer de tireoide, ainda não está estabelecido que a obesidade, por si só, seja uma causa direta da doença.

Essa distinção é fundamental. Associação significa que duas condições aparecem relacionadas em determinados grupos estudados. Demonstrar causalidade exige evidências muito mais robustas. No organismo humano, diferentes mecanismos podem estar envolvidos, incluindo alterações hormonais, inflamação crônica e alterações metabólicas, mas essas relações ainda estão sendo estudadas.

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Com a alimentação ocorre algo semelhante. Não existe uma dieta capaz de garantir a prevenção do câncer de tireoide, assim como não há fundamento científico para atribuir a doença ao consumo isolado de determinado alimento. Dietas restritivas, suplementos ou exclusões alimentares divulgadas como formas de “proteger a tireoide” precisam ser vistas com cautela.

O iodo merece atenção especial porque é essencial para a produção dos hormônios tireoidianos. Tanto a deficiência quanto o excesso podem interferir no funcionamento da glândula, mas isso não significa que aumentar deliberadamente o consumo de iodo seja uma estratégia de prevenção do câncer. *Não há evidência de que a suplementação de iodo em altas doses previna o câncer de tireoide.* Suplementação sem indicação médica, inclusive com produtos à base de algas ou altas concentrações de iodo, pode ser prejudicial à tireoide.

Por outro lado, reconhecer os limites do conhecimento científico não diminui a importância de uma vida saudável. Alimentação equilibrada, atividade física, não fumar e controle adequado das doenças metabólicas são medidas importantes para a saúde como um todo, mas não devem ser apresentadas como uma forma específica de prevenir o câncer de tireoide.

Há ainda uma questão que considero particularmente importante: a culpa. Quando vinculamos de maneira simplista câncer, peso e alimentação, corremos o risco de fazer o paciente acreditar que adoeceu porque não se cuidou o suficiente. Essa conclusão não é respaldada pela ciência e pode acrescentar sofrimento a alguém que já enfrenta um diagnóstico complexo.

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A medicina precisa comunicar risco sem produzir culpa. Precisamos distinguir aquilo que já conhecemos daquilo que ainda está sendo investigado e combater informações que prometem prevenir ou tratar doenças por meio de soluções alimentares milagrosas.

É preciso cuidado para não transformar fatores associados em causas comprovadas ou criar a falsa ideia de que existe uma fórmula capaz de impedir o desenvolvimento da doença.

A ciência avança justamente porque investiga essas possíveis relações, revê evidências e estabelece limites para aquilo que podemos afirmar. Enquanto a relação entre obesidade, metabolismo e câncer de tireoide continua sendo estudada, não podemos simplificar uma doença complexa nem responsabilizar o paciente pelo diagnóstico.

Conscientizar é, acima de tudo, oferecer informação segura. E, quando falamos em câncer de tireoide por ocasião da campanha Setembro Azul e Rosa  , isso significa combater mitos, evitar promessas sem respaldo científico e orientar cada pessoa de acordo com seus fatores de risco, sua condição clínica e sua história.

Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
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artigos

A higiene emocional

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Por Francisney Liberato

Sua saúde emocional é tão importante quanto a física. Cuide de ambas!

Assim como cuidamos do corpo, a alma também precisa de cuidados diários. Escovamos os dentes para evitar cáries, tomamos banho para remover a sujeira. E as emoções? Raiva, inveja, mágoa, são como resíduos que se acumulam e contaminam nosso bem-estar.

Ignorar a higiene emocional é como usar a mesma roupa suja por dias: o mau cheiro incomoda a todos, inclusive a nós mesmos. Emoções negativas não digeridas nos tornam amargos, afastam as pessoas e, pior, adoecem nosso corpo e mente.

Negligenciar a saúde emocional pode causar ansiedade, depressão e outras doenças. É preciso encarar as emoções, processá-las e liberá-las, assim como fazemos com a sujeira do corpo.

Meditação, terapia, exercícios físicos e atividades de lazer são ferramentas poderosas para essa faxina interna. Reserve um tempo diário para se conectar consigo mesmo, identificar e liberar as emoções tóxicas. Sua saúde mental e física agradece.

Não permita que o lixo emocional te defina. Limpe-se, renove-se e permita que a leveza e a alegria floresçam em sua vida.

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Marque verdadeiro ou falso:

  1. (    ) Emoções negativas são sempre ruins e devem ser evitadas a todo custo.
  2. (    ) A higiene emocional é um processo contínuo, não uma solução rápida.
  3. (    ) Ignorar as emoções negativas faz com que elas desapareçam.

Desafios para a ação:

  1. Identifique suas emoções: comece a prestar atenção em como você se sente ao longo do dia e nomeie suas emoções.
  2. Expresse suas emoções de forma saudável: encontre maneiras de liberar as emoções negativas, como conversar com alguém de confiança, escrever um diário ou praticar atividades físicas.
  3. Crie um ritual de higiene emocional: reserve um tempo diário para cuidar da sua saúde mental, seja através da meditação, da leitura, de passatempo ou de qualquer outra atividade que te faça bem.

Perguntas para reflexão:

  1. Quais emoções negativas você tende a acumular mais?
  2. Como essas emoções afetam sua vida e seus relacionamentos?
  3. Que hábitos você poderia adotar para melhorar sua higiene emocional?
Gabarito
1 F
2 V
3 F

Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.

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