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Por Francisney Liberato
As mensagens entram em nossa mente sem ao menos pedir permissão.
Já que estamos tratando a ansiedade com várias técnicas que eu estou ensinado, lá vai mais uma que, com certeza, à época, percebia que afetava muito a minha fase extremamente ansiosa, e o pior: sem o controle devido para isso.
Todos nós, seres humanos, aprendemos pelos sentidos, isto é, o que vimos, ouvimos, apalpamos, degustamos e tocamos. Com a sua permissão ou não, o fato é: absorvemos tudo pelos sentidos, de forma voluntária e consciente ou involuntária e inconsciente.
Se há uma seleção com sabedoria sobre o que alimentaremos no nosso cérebro, saiba que ele lhe agradecerá, já que as suas ações, pensamentos, ideias, criação, enfim, são reflexos do que alimentou a sua mente.
No clímax da minha ansiedade, ficava sempre me perguntando por que eu estava daquele jeito, sem gerência da minha vida, já que nunca tinha ocorrido algo similar na minha fase adulta.
Na minha reflexão, à época, eu estava assistindo muitos noticiários sobre a covid-19 e, como se sabe, as mensagens apreendidas pelos sentidos muitas vezes não se mostram satisfatórias. As notícias de pessoas contaminadas, recontaminadas e mortes afetavam a minha mente e a minha emoção, e eu estava sendo sufocado pela ansiedade, que foi causado pelo coronavírus.
O melhor a ser feito é: se você não está preparado mental e emocionalmente para receber esses tipos de mensagens, devido a sua situação atual, é preferível abandonar esses costumes e atitudes.
Se recupere primeiro para depois assistir, ver e ouvir mensagens como essas. Apesar de que eu prefiro não recomendar o acesso a notícias e informações negativas. Os meios de comunicação precisam divulgar desgraças, mortes, misérias etc. para aumentar o ibope da empresa.
Vale ressaltar que os games ou jogos violentos praticados em videogame e smartphone também impactam negativamente o seu cérebro. Se um livro nos remete a algo ruim, é melhor não o ler. Isso vale para todos os dados, informações, mensagens, aprendidos por quaisquer meios de comunicação.
Pense assim: um notebook recebe informações (input), processa os dados (process data: processador e memória) e, por fim, transfere e divulga os resultados (output).
O nosso cérebro é similar a um notebook, a depender do que colocamos nele, ele apenas vai processar e transmitir o que contém dentro, o que pode ser coisas boas ou não. A lógica é a seguinte: se introduzimos dados e informações positivas, haverá tratamento e processamento dessas informações, e sabe o que você transmitirá? Informações e mensagens positivas e que valem a pena ser compartilhadas.
Mateus 12:34 nos alerta sobre o que introduzimos na nossa vida. Vejamos: “Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração”.
Se não há controle mental suficiente para ter a melhor decisão, evite se aproximar de mensagens que não te façam bem e aumentam a sua ansiedade.
A mente sadia é salutar para uma vida boa, alegre e mais feliz. Tudo isso é fruto de nossas escolhas, portanto, saiba decidir as notícias que permitirá que entrem no seu cérebro.
Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 23 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.
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Outubro Rosa também é mês para falar de câncer de boca: exame simples pode salvar vidas
Por Laura Magalhães
Outubro chegou e, com ele, a cor rosa toma as ruas, as redes sociais e as campanhas de saúde em todo o país. O movimento, que nasceu para conscientizar sobre o câncer de mama, abriu espaço para algo maior: a conversa sobre prevenção e diagnóstico precoce de todos os tipos de câncer. E é nesse contexto que eu, como cirurgiã-dentista, quero trazer um alerta que raramente ganha os holofotes da campanha: o câncer de boca.
Os números justificam a preocupação. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 17 mil casos novos de câncer de boca por ano entre 2026 e 2028. A doença ocupa a quinta posição entre os tumores mais incidentes na população masculina brasileira. São dados que revelam uma realidade incômoda: enquanto o câncer de mama avança em visibilidade, o tumor que se instala na boca — em língua, lábios, assoalho da boca e garganta — segue sendo diagnosticado, na maior parte das vezes, em estágios avançados.
Essa é a maior tragédia silenciosa da odontologia. O câncer de boca é um dos poucos tumores que podem ser identificados por um simples exame visual, feito em poucos minutos, dentro do consultório. Lesões suspeitas — feridas que não cicatrizam por mais de duas semanas, manchas brancas ou avermelhadas, nódulos, dificuldade para mastigar ou engolir — são sinais visíveis, acessíveis ao olhar treinado. Quando detectados cedo, as chances de cura são altas. Quando descobertos tarde, o prognóstico muda drasticamente e o tratamento deixa marcas profundas, muitas vezes comprometendo a fala, a mastigação e a autoestima do paciente.
Os fatores de risco são conhecidos e, em grande parte, modificáveis. O tabagismo lidera a lista, potencializado pelo consumo de álcool — a associação dos dois multiplica o risco. A infecção pelo HPV, sobretudo o tipo 16, tem ganhado relevância crescente, especialmente nos tumores de orofaringe, e explica o aumento de casos em pessoas mais jovens, que não fumam nem bebem. Somam-se a isso a exposição solar sem proteção (responsável pelos cânceres de lábio), a alimentação pobre em frutas e verduras e a saúde bucal deficiente.
É aqui que o Outubro Rosa nos ensina algo valioso. A campanha do câncer de mama mostrou ao Brasil o poder do autoexame e da mamografia de rastreamento. Por que não aplicar a mesma lógica à boca? O autoexame bucal existe, é simples e pode ser feito em frente ao espelho: basta observar e palpar lábios, língua, bochechas, céu da boca e garganta, procurando alterações. E a visita periódica ao cirurgiã-dentista cumpre papel equivalente ao da mamografia — a avaliação rotineira da mucosa bucal deve fazer parte de qualquer consulta odontológica, mesmo quando o paciente vai “só para uma limpeza”.
Precisamos romper uma barreira cultural: a consulta ao dentista não é apenas sobre dentes. A boca é o espelho da saúde do corpo inteiro, e o profissional que a examina com frequência é, muitas vezes, o primeiro a identificar sinais de doenças sistêmicas — incluindo o câncer. Cada consulta é uma oportunidade de rastreamento que não pode ser desperdiçada.
Neste Outubro Rosa, meu convite é duplo. À população: cuide-se, faça o autoexame, não deixe uma ferida na boca passar de duas semanas sem avaliação profissional. Aos colegas e à gestão pública: fortaleçamos o exame de mucosa como rotina absoluta e amplifiquemos o acesso ao diagnóstico precoce, especialmente nas unidades básicas de saúde, onde a maioria dos brasileiros é atendida.
O rosa é lindo, mas a prevenção é mais bonita ainda. Que este mês de conscientização sirva para lembrar que a boca também fala — e que ela pode estar avisando, muito antes dos sintomas, que algo precisa de atenção.
Laura Magalhães é cirurgiã-dentista | CRO-MT 2938, fundadora e CEO da Clínica Orale Vida – desde 2003, Graduada em Odontologia pela UNIC Cuiabá; Especialista em Ortodontia pela FUNORTE – Faculdades Unidas do Norte de Minas; Especialista em Dentística pela ABO-MT; Aperfeiçoamento em Ortodontia para Casos Complexos – Sistemas Ertty; Invisalign Doctor; Habilitada em Analgesia Relativa e Sedação Consciente com Óxido Nitroso e Certificada em Sedação Medicamentosa pela Associação Brasileira de Odontologia – Regional Araçatuba-SP; Professora do curso de Auxiliar em Saúde Bucal e Membro da Comissão de Ação Social do Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso.
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