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Hora de fazer a riqueza de Mato Grosso chegar ao povo
Mas é preciso dizer com clareza: essa riqueza ainda não chegou, como deveria, à vida da maioria dos mato-grossenses.
Por Jayme Campos
O Estado cresce, mas muitas famílias continuam à margem da segurança social. A economia avança, a arrecadação aumenta, a produção bate recordes, mas os benefícios desse desenvolvimento ainda não alcançam, na proporção necessária, quem mais precisa. Há municípios em que milhares de pessoas dependem do Bolsa Família para sobreviver.
Essa é a grande contradição que Mato Grosso precisa enfrentar.
O Estado precisa ir além dos grandes números. Precisa ser também o Estado da renda melhor distribuída, da comida na mesa, do emprego qualificado, da casa digna, da oportunidade para os jovens e da segurança financeira para as famílias.
Segundo o Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública, Mato Grosso aparece na última colocação no indicador de comprometimento de renda, que mede a relação entre dívidas bancárias e a renda total dos domicílios. Em outras palavras, apesar de toda a força da nossa economia, o cidadão mato-grossense está entre os mais pressionados pelas dívidas no Brasil.
Isso não é normal. E não pode ser tratado como se fosse apenas responsabilidade individual de quem se endividou.
Combater situação exige mais do que discursos. Exige decisão política. Exige governo presente. Exige uma gestão que compreenda que desenvolvimento econômico só tem sentido quando melhora a vida das pessoas.
Mato Grosso precisa virar essa página. Está na hora de fazer a riqueza produzida em nosso Estado chegar ao povo.
Isso significa investir em educação de qualidade, formação profissional, qualificação técnica, empreendedorismo, apoio aos pequenos negócios, infraestrutura urbana, saúde, habitação e programas sociais eficientes. Significa olhar para as regiões mais pobres, para os municípios menores, para as famílias que ainda vivem à margem da prosperidade que o Estado anuncia. Em resumo, precisa ouvir o clamor da população. O povo não pode ser tratado como um simples detalhe.
Um Estado verdadeiramente desenvolvido não pode se contentar em produzir riqueza. Precisa distribuir oportunidades.
O cidadão comum precisa sentir o crescimento no salário, no preço dos alimentos, na escola dos filhos, no atendimento de saúde, na segurança do bairro, na possibilidade de abrir um pequeno negócio, pagar suas contas e viver com dignidade.
Esse deve ser o centro de qualquer projeto sério para Mato Grosso.
O futuro do nosso Estado deve ser construído com mais equilíbrio, mais humanidade e mais compromisso com as pessoas. Para tal, basta vontade política e alguém com clara visão de sociedade.
Chegou a hora de repartir melhor as oportunidades. Chegou a hora de fazer a riqueza circular. Chegou a hora de garantir que o povo mato-grossense, que tanto trabalha e tanto produz, seja o principal beneficiário do desenvolvimento do próprio Estado. Porque riqueza de verdade não é apenas aquilo que aparece nas estatísticas. É aquilo que chega à mesa, à casa e à vida das pessoas
Jayme Campos, já foi prefeito de Várzea Grande, governador de Mato Grosso e exerce atualmente o segundo mandato de senador da República.
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Araguaia: uma região de enorme potencial que precisa ser ouvida
Durante muitos anos, a região do Araguaia foi conhecida como o “Vale dos Esquecidos”. A expressão, forte e dolorosa, traduz o sentimento de uma população que, apesar de viver em uma das regiões mais belas e promissoras de Mato Grosso, ainda convive com desafios históricos relacionados à infraestrutura, à saúde, à geração de oportunidades e à presença efetiva do poder público.
Recentemente, percorri 18 municípios da região em uma jornada intensa de escuta e diálogo. Foram dias de estrada, reuniões e conversas com moradores, lideranças comunitárias, representantes do setor produtivo, profissionais de saúde, educadores, povos indígenas e gestores locais. Mais do que uma viagem, foi uma oportunidade de olhar nos olhos das pessoas e compreender, de forma direta, as necessidades e os sonhos de quem constrói diariamente essa importante parte do nosso estado.
O Araguaia reúne vocações extraordinárias. A força do agronegócio, o potencial para a industrialização, a riqueza cultural e as belezas naturais, especialmente ao longo do Rio Araguaia, revelam uma região com enorme capacidade de crescimento. No entanto, esse potencial ainda esbarra em limitações estruturais que impedem que o desenvolvimento aconteça em toda a sua plenitude.
Uma das demandas mais recorrentes foi a necessidade de acelerar o processo de industrialização. Produzir é fundamental, mas agregar valor à produção local é o caminho para gerar empregos, ampliar a renda e criar novas perspectivas para os jovens e para as famílias da região. Ao mesmo tempo, ficou evidente a importância de investir na qualificação profissional, preparando a mão de obra para aproveitar as oportunidades que podem surgir com a expansão econômica.
O turismo também desponta como uma grande possibilidade. Poucos lugares em Mato Grosso possuem uma combinação tão singular de natureza exuberante, cultura e hospitalidade. O Rio Araguaia é um patrimônio de valor incalculável. Com planejamento, infraestrutura e incentivo adequado, a região pode se consolidar como um dos principais destinos turísticos do estado e do país.
Na área da infraestrutura, embora avanços importantes tenham sido realizados, como o asfaltamento de trechos da BR-158, ainda há muito a ser feito. Estradas em melhores condições representam segurança, integração regional, redução de custos logísticos e maior acesso a serviços essenciais.
Na saúde, o que ouvi reforçou uma realidade conhecida por quem atua há anos nessa área: a interiorização da assistência especializada é uma necessidade urgente. A ampliação da oferta de médicos especialistas, exames de maior complexidade e leitos de UTI pode reduzir a necessidade de longos e desgastantes deslocamentos até centros maiores, muitas vezes em situações delicadas e com risco para os pacientes.
Tive também a oportunidade de conversar com representantes do povo Povo Xavante, cuja presença é parte fundamental da identidade do Araguaia. Em alguns municípios da região, os povos indígenas representam cerca de 60% da população, o que evidencia a necessidade de políticas públicas que alcancem de forma efetiva essas comunidades, respeitando suas especificidades culturais e garantindo acesso à saúde, educação e demais serviços essenciais para assegurar qualidade de vida e dignidade aos povos originários.
Ao final dessa experiência, retornei com a convicção de que o Araguaia não pode mais ser lembrado pelo abandono, mas reconhecido por sua força, por sua diversidade e por seu imenso potencial. Ouvir a população é o primeiro passo para compreender com profundidade os desafios e construir soluções que façam sentido para quem vive a realidade local.
Mato Grosso é um estado de dimensões continentais e de enorme riqueza. O desenvolvimento, no entanto, só será pleno quando alcançar cada município, independentemente do seu tamanho ou da distância da capital. Nenhuma comunidade deve ficar à margem do progresso.
O Araguaia tem pressa, tem vocação e tem futuro. E esse futuro começa quando transformamos a escuta em compromisso e o compromisso em ação.
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