Mato Grosso
MPF pede indenização de R$ 110 milhões à Energisa por incêndio na Serra das Araras
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra a Energisa Mato Grosso para responsabilizar a concessionária por um incêndio de grandes proporções que destruiu cerca de 4,5 mil hectares da Estação Ecológica Serra das Araras, em agosto de 2024. A ação exige o pagamento de R$ 110 milhões em indenizações e a adoção de medidas emergenciais para evitar novos desastres na unidade de conservação.
De acordo com o MPF, perícias técnicas da Polícia Federal identificaram que um dos focos do fogo teve origem na faixa de servidão da rede elétrica de média tensão sob responsabilidade da empresa.
O órgão sustenta que a falta de manutenção adequada da infraestrutura foi o fator determinante para o início das chamas, que se propagaram pela vegetação nativa e atingiram propriedades vizinhas.
O QUE É – Criada em 1982, a Estação Ecológica (Esec) Serra das Araras é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral localizada no município de Cáceres, em Mato Grosso. Com uma área de aproximadamente 28 mil hectares, a reserva protege uma zona de transição biológica estratégica, abrigando espécies típicas do Cerrado e da Amazônia.
Por ser uma categoria de “proteção integral”, a exploração direta dos recursos naturais é proibida, sendo o espaço destinado exclusivamente à preservação da biodiversidade e à realização de pesquisas científicas.
Falha na manutenção – A investigação aponta negligência por parte da distribuidora. Dados levantados pelo MPF indicam que, apesar de a Energisa ter emitido 51 ordens de serviço para a rede na região sul da estação, apenas uma tratava de manutenção preventiva.
O procurador da República Gabriel Infante Magalhães Martins destacou que o objetivo da ação é impedir que a rede elétrica se torne um vetor de incêndios, especialmente em períodos de seca. “O monitoramento visa garantir que a infraestrutura elétrica não represente uma ameaça contínua à biodiversidade mato-grossense”, afirmou.
A ação judicial solicita que a Justiça determine a execução de um plano emergencial pela empresa no prazo de 30 dias. Entre as obrigações elencadas pelo MPF estão:
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Poda e limpeza da vegetação sob a rede de alta-tensão na faixa de servidão.
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Criação de aceiros preventivos ao redor de postes em áreas de risco.
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Manutenção contínua do sistema na região pelos próximos cinco anos, com apresentação de relatórios anuais de conformidade.
Divisão – O valor da indenização, fixado em mais de R$ 110 milhões, foi calculado com base em perícia da Polícia Federal e compreende danos materiais (R$ 53,6 milhões), danos morais difusos (R$ 26,8 milhões) e danos climáticos (R$ 29,4 milhões), estes últimos referentes à emissão de gases de efeito estufa e à perda de capacidade de sequestro de carbono pela floresta.
Para assegurar a recuperação do ecossistema e o fortalecimento do combate a futuras queimadas, o MPF propôs que o montante seja revertido aos seguintes órgãos e instituições:
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ICMBio (40%) e Ibama (20%): voltados à gestão e fiscalização de unidades de conservação.
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Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (20%): destinado ao aparelhamento para combate a incêndios florestais.
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Unemat e UFMT (20%): financiamento de projetos acadêmicos sobre os impactos do fogo no Cerrado e no Pantanal.
QUEM É – O Grupo Energisa, holding sediada em Cataguases (MG), é o maior grupo privado de capital 100% nacional no setor elétrico brasileiro.
Com uma base que supera oito milhões de clientes e atende cerca de 20 milhões de pessoas — aproximadamente 10% da população do País —, a companhia atua em Mato Grosso como a distribuidora oficial de energia, sendo a responsável pela gestão da rede elétrica onde o incêndio foi registrado
Mato Grosso
PF diz que CV montou “vila” do crime em terras Sararé e controla o garimpo ilegal
Investigação da Polícia Federal (PF) revelou que a facção criminosa Comando Vermelho (CV) tomou o controle da extração ilegal de ouro na Terra Indígena Sararé, no oeste de Mato Grosso.
Conforme apurado pela corporação, o grupo montou uma estrutura permanente no território com comércio, farmácia e túneis para esconder armamento pesado.
Os detalhes dessa investigação, que revelam como a facção passou de “segurança” de garimpeiros a gestora da exploração predatória para financiar o tráfico, foram denunciados neste domingo (28.06) pelo programa Fantástico, da TV Globo.
A presença da facção no território demarcado para o povo Nambikwara, em 1985, forçou uma megaoperação coordenada pelo governo federal que, desde março, tenta desmantelar o que a inteligência da Polícia Federal descreve como um domínio estratégico do crime organizado. Segundo os investigadores, a facção utiliza o ouro extraído da TI Sararé como moeda de troca em países vizinhos.
Estrutura de vilarejo e fortificação
A ocupação na área de 67 mil hectares — que se espalha por três municípios — atingiu patamares que, segundo o balanço da Polícia Federal, exigiram uma resposta federal robusta. Antes da intervenção policial, mais de 2 mil pessoas circulavam por 1.117 pontos de garimpo.
O coordenador da operação pela Casa Civil, Nilton Tubino, confirmou a estrutura encontrada pelos agentes federais: “Aqui a gente tinha bar, tinha comércio, tinha farmácia. Você tinha toda uma estrutura de um vilarejo”.
Para garantir a permanência na mata e dificultar o cerco, a PF identificou a construção de túneis utilizados como esconderijos para armas de grosso calibre e rotas de fuga. Imagens reunidas pela inteligência da Polícia Federal mostram traficantes exibindo armamentos pesados enquanto escoltam maquinário para abrir caminho na terra indígena.
O balanço da repressão
Desde o início da ofensiva conjunta, a força-tarefa federal já contabiliza prejuízos de R$ 110 milhões ao garimpo ilegal. Até o momento, foram cumpridos mandados de prisão contra 72 pessoas. Na última quinta-feira (25), em desdobramento das investigações, a PF cumpriu mandado contra um suspeito apontado como o principal fornecedor de fuzis e máquinas pesadas para os criminosos.
As apreensões realizadas pelos órgãos federais incluem:
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Maquinário: 31 escavadeiras destruídas e 800 motores.
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Logística: 42 mil litros de óleo diesel e 4 toneladas de explosivos.
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Infraestrutura: 33 túneis e 200 acampamentos erradicados.
Dano ambiental duradouro
A degradação monitorada pelo Ibama em conjunto com a PF mostra que o uso intensivo de mercúrio e cianeto atingiu o lençol freático, com danos que podem perdurar por séculos no Rio Sararé. “Pode demorar centenas de anos para que a área volte a se recuperar”, afirmou Sérgio Suzuki, agente do Ibama que acompanha a operação.
O governo de Mato Grosso afirmou, em nota, que trabalha na construção de uma base policial integrada para monitorar os acessos à Terra Indígena Sararé em parceria com órgãos federais, visando a proteção do território do povo Nambikwara.
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