livre pensar
Liderança sucessória
Francisney Liberato Batista Siqueira
Após ser eliminada da Copa do Mundo de 2019, na França, as jogadoras da seleção brasileira de futebol ficaram bem frustradas com a derrota, apesar de todo o esforço.
A nossa melhor jogadora de todos os tempos, Marta, declarou: “O primordial é que a gente tem que chorar no começo para sorrir no fim. Quando digo isso, é querer mais, é treinar mais, é se cuidar mais, é estar pronta para jogar 90 e mais 30 minutos. É isso o que eu peço para as meninas. Não vai ter uma Formiga para sempre, não vai ter uma Marta para sempre, não vai ter uma Cristiane. O futebol feminino depende de você para sobreviver. Então pensem nisso, valorizem mais, chore no começo para sorrir no fim”.
O tema que extraio da frase de Marta é sobre “as sucessões” tanto do esporte como o da vida cotidiana, partindo do pressuposto da liderança. A jogadora afirma que ela, “Formiga” e a Cristiane, consideradas excelentes jogadoras, não ficarão para sempre no futebol Brasileiro. O tempo já chegou para elas e o preparo físico já não suporta mais aguentar uma partida em alto nível.
E agora, quem as substituirão? Será que temos outras atletas de alto nível como elas? Ou vamos deixar que o tempo enterre o nosso período de “ouro” ofertado por essas brilhantes jogadoras?
No esporte chamado tênis, temos três grandes atletas da atualidade, que são considerados acima da média e que vem colecionando e revezado os títulos do “Grand Slam”, que é equiparado a um título de Copa do Mundo no futebol. Os jogadores excepcionais são: Roger Federer com 20 títulos; Rafael Nadal com 18 títulos; Novak Djokovic com 15 títulos.
Entretanto, vimos que o suíço Roger Federer já está com 37 anos, idade considerada elevada para o esporte, da mesma forma como os demais atletas dessa modalidade. E agora, quem os substituirão? E quando aposentarem, será que continuaremos nos orgulhando das fantásticas partidas de tênis? Mais uma vez reforço a ideia da sucessão, como um ponto relevante a se investir.
Adentrando ao ambiente profissional, familiar e pessoal, será que estamos preparados para a sucessão de novos líderes? Existe uma política de sucessão na sua empresa? O foco da liderança sucessória não é apenas na figura do líder, mas também no empenho das entidades e instituições, que se destacam na medida em que projetam bons líderes no mercado de trabalho. Isso requer planejamento e organização para evitar uma possível defasagem, pois sem um preparo adequado, o risco de gerar um impacto nos resultados é grande, podendo ser fatal e ou até mesmo irreversível.
Você está disposto a se preparar para o processo de liderança? Está disposto a dedicar tempo e atenção a este aspecto da sua vida? O bom líder poderá proporcionar grandes resultados para as empresas, como também, conduzir a um desastre institucional, caso não esteja preparado
“[…] é querer mais, é treinar mais, é se cuidar mais” – Marta. É de suma importância estar disposto e preparado para ser um líder, não me refiro apenas da liderança formal, isto é, aquela por detrás da investidura de um cargo formal, como a de um diretor, coordenador, dentre outros, entendo que a liderança deve ser desenvolvida independentemente de um título, pois existem pessoas que se espelham em nós.
Digo e afirmo que vale a pena as instituições investirem esforços necessários para treinar, cuidar e tratar bem os atuais e futuros líderes. Chamo atenção do governante, do dono, do empresário, do pai e mãe de família, a investirem num plano inteligente de sucessão de liderança, proporcionando a todos os funcionários e subordinados a possibilidade de serem treinados e um dia, quem sabe, ocuparem a vaga ou uma posição de liderança.
No relatório sobre Governança em empresas familiares do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, destaca-se o baixo compromisso no que tange ao processo de sucessão: “Segundo a pesquisa global da PwC de 2018, Global Family Business Survey 2018: The Values Effect, 44% das empresas familiares não têm um plano de sucessão. Em nossa pesquisa, o número é ainda maior, com 72,4% das empresas brasileiras respondendo não ter um plano de sucessão para cargos-chave”.
Com intuito de estimular o processo de sucessão, o site “IBC Coaching”, destaca etapas do objetivo desse processo para atingir um resultado excelente: “1. Diagnosticar as necessidades para o plano de sucessão organizacional; 2. Analisar as competências técnicas e comportamentais dos cargos de sucessão; 3. Elaborar sistema de mapeamento das vagas identificadas; 4. Mapear os profissionais talentosos; 5. Elaborar o plano de ação; 6. Treinar as lideranças para, junto ao RH, implementar os processos, com a menor perturbação e desgaste possível”.
Precisamos mudar o cenário caótico que existe sobre o processo de sucessões. Precisamos fazer a nossa parte e nos colocarmos à disposição para contribuirmos com o melhor de nós, aptos a nos capacitar e influenciar o nosso meio, com bons resultados.
Faça a sua parte e valorize este instituto. O plano de sucessão é indispensável em quaisquer áreas da nossa vida, quer nos aspectos pessoal, familiar, empresarial, público, visto que é melhor que “[…] chore no começo para sorrir no fim”. Assim como na seleção brasileira de futebol feminino, um dia “[…] Não vai ter uma Formiga para sempre, não vai ter uma Marta para sempre, não vai ter uma Cristiane”.
Seja você um sucessor!
Francisney Liberato Batista Siqueira é Secretário de Controle Externo, Auditor Público Externo do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Palestrante Nacional, Professor, Coach, Mentor, Advogado e Contador.
artigos
Série Governantes: Faça a sua parte
Por Francisney Liberato
“Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.” John F. Kennedy
Uma das características mais marcantes do brasileiro é a sua criatividade. Ele consegue desenvolver e pôr em prática várias habilidades como: ideias, pensamentos, empreendedorismo, visando o seu bem-estar e o seu conforto, como também o de sua família.
Segundo o site “Terra”, em 30/09/2019, é apresentada uma pesquisa a qual conclui: “A pesquisa Amway Global Entrepreneurship Report (AGER) revela que 56% dos brasileiros desejam ser donos do seu próprio negócio. Destes, 74% são jovens entre 18 e 35 anos. O índice do Brasil é maior que a média global, que está em 47%”.
Vejam que no Brasil os jovens desejam criar e empreender, eles querem ter o seu próprio negócio. Isso é muito positivo para nossa nação. Infelizmente, uma coisa é desejar e querer ser um empresário, outra, bem diferente, é efetivar esse desejo.
Não podemos permitir que o conceito autocrático, isto é, esperar que as ideias, iniciativas e as respostas sejam exclusivamente do chefe, do líder, do diretor escolar, do pai e da mãe, do governante, do presidente, uma vez que, se agirmos dessa maneira, veremos falecer a nossa liberdade de criar.
É fundamental para todos que tenham uma mentalidade aberta e moderna que as pessoas criem e empreendam mais, pois é por intermédio disso que é gerada riqueza para o nosso país.
Você deve olhar para dentro de si e se perguntar: Qual é a sua vocação para melhorar a sua vida, a vida da sua família, dos seus entes queridos e do país onde reside? Essa reflexão é de extrema importância.
A responsabilidade é única e exclusivamente sua. Aqui existe um conceito fundamental que devemos ter como prisma em nossas vidas, que é chamado de Autorresponsabilidade. Em síntese, é necessário trazer para si a responsabilidade, e não a de colocar sobre o encargo do outro, como: os seus pais, seus familiares, seus empregadores e seus governantes. Em outras palavras, o sucesso ou fracasso da sua vida está em sua alçada.
Se pensarmos a vida dessa forma, saiba que teremos uma nação moderna e próspera, com índices de desenvolvimento econômico e humano semelhantes aos de países do primeiro mundo.
Entretanto, muitos indivíduos têm dificuldades de entender o seu propósito para esta vida. Muitos estudantes que estão cursando uma faculdade já pensam em desistir, por entender que não é bem isso o que sonham para sua vida. Enquanto existem muitos indivíduos desejando crescer evoluir, por outro lado, têm, infelizmente, os que esperam “a comida, o emprego, o dinheiro caírem do céu”.
John Fitzgerald Kenedy ou JFK foi um político norte-americano que governou os Estados Unidos (1961-1963), o seu nome está registrado como o 35° presidente daquela nação. Ele é considerado uma das grandes personalidades do século XX.
Kennedy se tornou o segundo presidente mais jovem do seu país, depois de Theodore Roosevelt. Infelizmente, não conseguiu terminar o seu mandato, uma vez que foi assassinado em 1963.
O presidente John Kennedy proferiu uma célebre frase que ainda tem uma enorme relevância para os nossos dias: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”.
Podemos parafrasear essa afirmação do ex-presidente americano para o nosso contexto: o que nós brasileiros podemos fazer pelo Brasil? O que estamos fazendo para melhorar o nosso país? Qual tem sido a minha e sua contrapartida para desenvolver e aperfeiçoar esta nação? Como podemos abandonar determinadas atitudes paternalistas e viver de forma mais racional, visando o bem comum? O Estado pertence a todos nós. Devemos fazer a nossa parte, e não exigir que Estado seja o responsável e provedor por tudo.
Nosso país é formado pela diversidade cultural, étnica e social de milhares de brasileiros, que nem sempre concordam com as decisões dos nossos governantes, mas todos fazemos parte da nação, e devemos caminhar em um mesmo sentido. A nossa Constituição de 1988 dispõe que todo poder se origina do povo. O poder está nas mãos de cada ser habitante deste país. Nós podemos e devemos fazer o melhor pelo Estado, independentemente de questões políticas e partidárias.
Não diga o que o país deve fazer por você, use a sua criatividade, empreendedorismo, e faça o seu melhor na medida de suas condições, e de acordo com as suas circunstâncias. Seja presente e deixe o seu legado para esta nação. A responsabilidade pelo sucesso ou fracasso do Brasil está em nossas mãos. Está disposto a tomar uma iniciativa para contribuir com a República Federativa do Brasil?
Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT, Palestrante Nacional, Professor, Coach, Mentor, Advogado e Contador, Autor dos Livros “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência” e “A arte de ser feliz”.
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