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Canetas para emagrecimento podem ajudar a reduzir o risco de câncer?

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Por Mariana Ramos

As chamadas “canetas para emagrecimento” vêm transformando o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Mas os benefícios desses medicamentos podem ir além da perda de peso. Estudos recentes sugerem que eles também podem estar associados à redução do risco de alguns tipos de câncer relacionados à obesidade, uma hipótese que tem despertado crescente interesse entre pesquisadores de todo o mundo.Inicialmente desenvolvidos para o controle do diabetes tipo 2, fármacos como a semaglutida e a tirzepatida ganharam destaque mundial pela capacidade de promover perda de peso significativa e melhorar diversos indicadores metabólicos.

Agora, uma nova frente de pesquisas vem ganhando destaque: a possibilidade de que esses medicamentos também contribuam para reduzir o risco de alguns tipos de câncer relacionados à obesidade.

A relação entre obesidade e câncer já é amplamente conhecida pela medicina. O excesso de gordura corporal está associado a um estado de inflamação crônica de baixo grau, alterações hormonais e resistência à insulina, fatores que podem favorecer o desenvolvimento de diferentes tipos de tumores.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade está relacionada ao aumento do risco de pelo menos 13 tipos de câncer, incluindo câncer de mama pós-menopausa, intestino, fígado, rim, pâncreas e endométrio.

Nesse contexto, pesquisadores passaram a investigar se os medicamentos capazes de promover perda de peso expressiva também poderiam contribuir para reduzir esse risco.

Estudos observacionais publicados nos últimos anos apontaram que pacientes tratados com agonistas do receptor de GLP-1, grupo ao qual pertence a semaglutida, apresentaram menor incidência de alguns cânceres associados à obesidade quando comparados a indivíduos com características semelhantes que não utilizaram essas medicações. Em uma análise apresentada no congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO) em 2025, envolvendo mais de 170 mil adultos com obesidade e diabetes, pessoas que utilizaram essas medicações apresentaram menor risco de desenvolver cânceres relacionados à obesidade quando comparadas àquelas que utilizavam outros medicamentos para o diabetes.

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Além da perda de peso, os pesquisadores avaliam a hipótese de que esses medicamentos possam exercer efeitos biológicos adicionais, como a redução de processos inflamatórios, melhora da sensibilidade à insulina e modulação de mecanismos metabólicos que influenciam o crescimento celular.

Entretanto, é importante destacar que ainda não existem evidências suficientes para afirmar que esses medicamentos previnem câncer de forma direta. A maior parte dos dados disponíveis é baseada em estudos observacionais, que demonstram associações, mas não estabelecem necessariamente uma relação de causa e efeito.

Especialistas ressaltam que serão necessários estudos clínicos de longo prazo para confirmar se a redução do risco observada está relacionada exclusivamente à perda de peso ou se existe algum mecanismo protetor específico proporcionado pelos medicamentos.

Outra área que desperta interesse científico é o possível impacto dessas terapias em pacientes já diagnosticados com câncer. Pesquisas preliminares investigam se a melhora do perfil metabólico e a redução da inflamação poderiam influenciar positivamente a resposta a determinados tratamentos oncológicos. No entanto, essa hipótese ainda está em fase inicial de investigação e não faz parte das recomendações clínicas atuais.

O que já se sabe com segurança é que combater a obesidade representa uma das estratégias mais importantes para a prevenção de doenças crônicas. Além de reduzir o risco cardiovascular, melhorar o controle glicêmico e aumentar a qualidade de vida, a perda de peso também está associada à diminuição de fatores que contribuem para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.

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Por isso, o surgimento de tratamentos cada vez mais eficazes para a obesidade representa um avanço relevante para a saúde pública. À medida que a obesidade é reconhecida como uma doença crônica complexa e um importante fator de risco para diversas enfermidades, incluindo o câncer, torna-se ainda mais evidente a importância de ampliar o acesso a tratamentos eficazes e baseados em evidências.

Mais do que uma questão estética, o controle do peso corporal deve ser compreendido como parte fundamental da prevenção de doenças e da promoção da longevidade.

A ciência continua investigando os possíveis benefícios adicionais dessas medicações. Os resultados iniciais são promissores, mas ainda exigem cautela, acompanhamento e validação por novos estudos.

Embora ainda não possam ser considerados medicamentos para prevenção do câncer, os agonistas de GLP-1 vêm ampliando a compreensão sobre os impactos do tratamento da obesidade na saúde a longo prazo. Se os resultados observados até agora forem confirmados por estudos futuros, poderemos estar diante de mais um benefício relevante dessas terapias que já revolucionaram o tratamento da obesidade.

Até lá, a principal mensagem permanece a mesma: prevenir e tratar a obesidade é investir em mais saúde, qualidade de vida e proteção contra inúmeras doenças.

Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
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13 de Junho: O Legado dos Heróis Mato-Grossenses

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Por João Arruda

Para nós mato-grossenses, esta é uma data muito especial na rica história do estado, que foi uníssono até 1977. O 13 de junho transformou-se em nome de ruas por determinação do Imperador Dom Pedro II.

Foi o dia em que mato-grossenses de Vila Maria do Paraguai (atual Cáceres), de Nossa Senhora do Livramento, de Vila Bela da Santíssima Trindade, de Poconé, de Diamantino, de Cangas e, principalmente, do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, partiram do Cais do Porto, em Cuiabá. Sob a orientação de Augusto Leverger e o comando da tropa embarcada de Antônio Maria Coelho — tendo como Chefe do Estado-Maior o cacerense Manoel Felipe Cuiabano —, desceram em navios o Rio Cuiabá até atingir o Rio Paraguai pela barra do São Lourenço.

De lá, estrategicamente a poucos quilômetros de Corumbá, navegaram por um atalho em um braço do Rio Paraguai, na margem esquerda, conhecido pelos nomes de Paraguai-Mirim ou Paraguaizinho. Essa iniciativa visava surpreender a vigilância paraguaia, pegando-os desprevenidos “pela culatra”.

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Era 13 de junho de 1867 quando essa tropa subiu a ladeira Cunha Couto e, em poucas horas, a vitória era nossa com baixas diminutas. Foi assim a Retomada de Corumbá, durante a Guerra do Paraguai (1864-1870).

Hoje é feriado na “Cidade Branca”, que ergueu um obelisco na Praça do Porto, em Cuiabá, e deu nome a duas das principais vias públicas de Cáceres e Cuiabá como forma de agradecimento aos seus valorosos combatentes.

Nesse episódio sangrento provocado por um ditador insano, também se imortalizou o tenente Antônio João Ribeiro. No local do destacamento onde ele tombou, foi erguida a cidade de Antônio João, no Mato Grosso do Sul. Este é um breve relato para contextualizar nossa gente que, por vezes, desconhece a própria história.

João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Cáceres, é filho, neto e bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.

 

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