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Governo determina que Cuiabá reabra leitos de covid; mais de 740 mil mato-grossenses não se vacinaram

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A Secretaria de Estado de Saúde protocolou, nesta terça-feira (17.12), uma notificação requisitória para que a Prefeitura de Cuiabá abra leitos hospitalares para tratamento da Covid-19. De acordo com o Estado, o pedido é necessário, pois, no momento, não há leito tratar a doença, e apenas cinco leitos de UTIs pediátricas funcionam no município.

Na China Covid já causa “engarrafamento” de enterros.

A preocupação é porque a nova onda do covid tem  crescido dia a dia e em todo o Estado, mais de 740 mil pessoas não tomaram nem a primeiro dose da vacina. Após quase dois anos do início da vacinação contra covid-19 em Mato Grosso, apenas 70,9% da população foi imunizada com duas doses. O percentual de imunizados, que é considerado baixo, é ainda pior quando observadas as doses de reforço.

No Estado mais de 1,2 milhão de pessoas não receberam a 1º dose do reforço. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) apontam que apenas 34,6% da população vacinada com duas doses recebeu a 1º dose do reforço, 9,6% a 2ª dose e só 0,31% foi imunizada com a 3ª dose. Mato Grosso é o 10º entre os estados com o menor percentual de vacinação. Com o novo aumento dos casos de covid, uma média de 700 por dia no Estado, e com a lotação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Mato Grosso que chegaram a 100% na última terça-feira (27.12), a preocupação é com o avanço da imunização que segue lenta, o combate a fake news, além da retomada de medidas que evitem a transmissão do vírus.

A maior dificuldade ainda está em atingir a cobertura vacinal no público infantil que registra a menor cobertura contra a doença, 1,5% no grupo de 3 a 4 anos quando levado em consideração duas doses iniciais. Se levado em conta apenas a 1ª dose do imunizante a cobertura fica em 5,7%. Já para a faixa etária dos 5 aos 11 anos, após 11 meses de liberação da vacina, apenas 46,9% receberam a 1ª dose e 28,4% tomaram a 2ª.

“Os casos têm aumentado no Brasil como um todo e isso se deve tanto à presença de subvariantes, mas principalmente à baixa taxa de vacinação com todas as doses no adulto e na criança”, alerta o infectologista Luciano Corrêa. De acordo com o médico, o maior desafio para conter a doença ainda é o avanço na imunização, na testagem e no combate às fake news.

O que a população precisa entender, segundo Corrêa, é que a vacina não impede que a contaminação, mas diminui os riscos de complicações, quadros graves e até mortes. “Assim como já acontece no caso da influenza, a vacina garante o aumento dos anticorpos e, por isso, é importante que sejam tomados os reforços”.

CAOS EM CUIABÁ – Na capital que vive uma situação caótica na saúde, a situação é ainda mais agravante. Ainda de acordo com a secretaria, foi determinado que a gestão municipal “proceda abertura em caráter de urgência, visto que o município encontra-se em 1º lugar no índice do painel quanto ao maior número de casos e internados por agravante”. Além disso, em Cuiabá, foram detectados casos de subvariante da ômicron, informou a secretaria.

Nessa terça (27.12), o boletim epidemiológico da SES apontou que Mato Grosso registrou 856, 2 mil casos confirmados de Covid-19, sendo 837,6 mil recuperados e 2,6 mil monitorados. O número de óbitos alcançou 15, 2 mil. Já em Cuiabá, o número de casos confirmados é de 147,7 mil. O boletim ainda indica que o número de óbitos pela Covid-19 no município é de 3,7 mil, ou seja, a taxa de letalidade da doença na capital é de 2,5%.

Comunicado da prefeitura – Por meio de nota, a prefeitura informou que atua pautada pelo compromisso com a população mantendo o monitoramento dos casos, atendendo ao disposto por meio do Plano Municipal de Enfrentamento ao novo coronavírus e reforçou que está à disposição para o diálogo, assim como união de esforços, para reduzir danos à saúde da população.

 

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8 dicas para evitar rupturas na farmácia hospitalar

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A ruptura de itens na farmácia hospitalar compromete mais do que o fluxo interno de abastecimento. Quando um medicamento ou insumo deixa de estar disponível no momento necessário, toda a cadeia assistencial sofre impacto, desde o atraso em protocolos até a pressão extra sobre equipes que já operam com alta responsabilidade. Em ambientes de saúde, prevenir falhas de estoque é uma medida diretamente ligada à segurança do paciente e à continuidade do cuidado.

Por isso, a rotina de gestão precisa ser organizada com critérios claros, monitoramento frequente e decisões baseadas no consumo real. Em vez de agir apenas quando o problema aparece, instituições mais preparadas estruturam processos que reduzem perdas, antecipam riscos e tornam o abastecimento mais previsível. Algumas práticas simples, quando bem executadas, fazem diferença concreta no dia a dia hospitalar.

1. Mapeie os itens críticos da operação

Nem todo produto tem o mesmo peso dentro da rotina assistencial. A farmácia hospitalar precisa identificar quais itens são indispensáveis para urgência, internação, centro cirúrgico, UTI e atendimento ambulatorial, separando o que é essencial do que pode ter reposição com menor prioridade. Esse mapeamento evita que a atenção da equipe se disperse em produtos de baixo impacto operacional.

Uma classificação por criticidade ajuda a definir níveis mínimos de estoque, frequência de conferência e urgência de compra. Soluções parenterais, antibióticos, sedativos, materiais de suporte e medicamentos de uso contínuo costumam exigir vigilância maior. Quando esse grupo é conhecido com precisão, a chance de ruptura cai, porque o controle deixa de ser genérico e passa a refletir a realidade da instituição.

2. Revise o consumo médio com frequência

Muitos estoques entram em desequilíbrio porque trabalham com médias antigas, sem considerar sazonalidade, mudança de perfil assistencial ou ampliação de leitos. O consumo médio deve ser revisado periodicamente para acompanhar oscilações reais da demanda. Um hospital com aumento de cirurgias eletivas, por exemplo, pode exigir reposição mais agressiva de determinados medicamentos e materiais em poucas semanas.

Essa revisão também ajuda a corrigir distorções causadas por compras emergenciais ou picos temporários. O ideal é observar histórico recente, comportamento por setor e recorrência de uso. Quando a leitura do consumo é atualizada, o pedido deixa de ser estimado no improviso e passa a ser sustentado por evidências da operação.

3. Defina estoque mínimo, máximo e ponto de ressuprimento

Um dos erros mais comuns é manter produtos sem parâmetros objetivos de reposição. O estoque mínimo indica a reserva de segurança, o máximo evita excesso e vencimento, e o ponto de ressuprimento mostra o momento certo de iniciar nova compra. Sem essas referências, a gestão fica dependente de percepção individual, o que aumenta o risco de falhas.

Esse controle precisa considerar tempo de entrega, regularidade do fornecedor, criticidade do item e histórico de consumo. Em categorias sensíveis, como analgésicos, antibióticos, soluções parenterais e materiais de uso contínuo, a definição desses limites contribui para manter a assistência contínua mesmo diante de oscilações de demanda ou atrasos logísticos. Não se trata apenas de armazenar mais, mas de estabelecer uma margem segura e racional para cada produto.

4. Integre a farmácia aos setores assistenciais

A ruptura raramente nasce apenas dentro da farmácia. Mudanças em protocolos, aumento de internações, abertura de novos serviços e alterações de prescrição impactam o consumo de forma direta. Quando a equipe de abastecimento trabalha isolada, parte importante dessas informações chega tarde demais, e o ajuste de estoque acontece somente após a escassez aparecer.

Uma comunicação mais próxima com enfermagem, corpo clínico, centro cirúrgico e compras melhora a previsibilidade. Reuniões curtas de alinhamento, alertas sobre mudanças de rotina e compartilhamento de indicadores já ajudam a antecipar necessidades. Quanto mais integrada estiver a farmácia aos setores assistenciais, menor a dependência de respostas emergenciais.

5. Padronize cadastros e unidades de medida

Falhas cadastrais parecem detalhes administrativos, mas costumam causar erros sérios de planejamento. Um mesmo item registrado com descrições diferentes, apresentações parecidas ou unidades de medida inconsistentes prejudica inventários, distorce relatórios e compromete pedidos. Nessas situações, o sistema pode até indicar saldo, embora o produto correto esteja em falta.

Padronizar nomes, concentrações, formas farmacêuticas, embalagens e unidades de dispensação reduz ruído operacional. Além disso, facilita a rastreabilidade, melhora a conferência e torna os dados mais confiáveis para tomada de decisão. Uma base cadastral limpa é parte da segurança do estoque, não apenas uma formalidade de sistema.

6. Acompanhe validade, giro e itens sem movimentação

Evitar ruptura também envolve combater desperdício. Quando produtos vencem, ficam parados ou são comprados em volume incompatível com o giro, recursos deixam de estar disponíveis para itens realmente prioritários. O resultado costuma ser duplo: sobra em uma ponta e falta na outra.

A análise de giro permite identificar o que sai rapidamente, o que exige reposição frequente e o que precisa ter compra reavaliada. Já o monitoramento de validade ajuda a redistribuir itens entre setores antes da perda. Em vez de olhar apenas para a quantidade em estoque, a gestão passa a considerar a qualidade do estoque, o que melhora o uso do orçamento e reduz vulnerabilidades.

7. Estruture planos para compras emergenciais

Mesmo com controle robusto, situações excepcionais podem ocorrer. Atrasos logísticos, mudanças bruscas no perfil de atendimento, desabastecimento pontual e intercorrências assistenciais exigem respostas rápidas. Por isso, a instituição precisa ter um fluxo bem definido para compras emergenciais, com responsáveis, critérios de aprovação e canais já validados.

Esse plano não deve substituir a prevenção, mas funcionar como camada de proteção. Ter fornecedores homologados, alternativas terapêuticas previamente avaliadas e rotinas claras de comunicação evita decisões precipitadas em momentos críticos. Em ambiente hospitalar, agilidade sem padronização pode gerar novos riscos, inclusive de conformidade e segurança.

8. Monitore indicadores e trate desvios com rapidez

A gestão da farmácia hospitalar se fortalece quando deixa de operar apenas por percepção. Indicadores como taxa de ruptura, cobertura de estoque, itens vencidos, consumo por setor, tempo médio de reposição e volume de compras emergenciais mostram onde estão os gargalos. Com esse acompanhamento, os problemas deixam de ser eventos isolados e passam a ser sinais rastreáveis.

Mais importante do que medir é agir sobre os desvios encontrados. Se um grupo de itens rompe com frequência, pode haver falha de cadastro, erro no parâmetro de ressuprimento, consumo subestimado ou instabilidade no fornecimento. Quando a análise vira rotina, a farmácia ganha consistência, reduz improvisos e sustenta um abastecimento mais seguro para toda a operação.

Evitar rupturas na farmácia hospitalar depende menos de respostas heroicas e mais de método. Processos claros, dados confiáveis e integração entre equipes constroem um estoque capaz de sustentar cuidado contínuo, seguro e previsível.

Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Documento de referência para o Programa Nacional de Segurança do Paciente. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/documento_referencia_programa_nacional_seguranca.pdf.

CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA (CFF). Resolução nº 568, de 6 de dezembro de 2012. Regulamenta o exercício profissional na farmácia hospitalar e outros serviços de saúde. Brasília: CFF, 2012. Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/568.pdf.

PESSOA, Débora Luana Ribeiro (org.). Farmácia hospitalar e clínica e prescrição farmacêutica. Ponta Grossa: Atena, 2022. E-book (PDF). Disponível em: https://doi.org/10.22533/at.ed.655222009.

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