Saúde
Caos na saúde de Cuiabá: pessoas estão morrendo por falta de profissionais de saúde e até medicamentos básicos; veja vídeos
A administração de Cuiabá está terminando ano de forma catastrófica, principalmente na área da saúde. Segundo médicos da rede pública de da capital, faltam de condições de trabalho em todas as unidades de Saúde da Capital. Por conta disso têm faltado profissionais de saúde e até medicamentos básicos, como dipirona, gaze e medicamentos para diabetes e hipertensão. Em consequências, até crianças teriam morrido por falta de atendimento.
Médicos do HMC podem entrar em greve
Os depoimentos foram gravados pelo Núcleo do Patrimônio Público da Capital, mês passado, mas divulgados só agora. Nas gravações os médicos contam que falta tudo. “Falta tudo, de estrutura, medicação, especialistas… Dipirona tem mais de anos que não tem. Às vezes chega uma caixinha que não dá para cinco dias”, afirmaram.
Num outro trecho, relataram a situação da farmácia básica nos Prontos Socorros de Cuiabá: não há nem 15% dos itens considerados básicos pela própria Prefeitura, entre remédios e insumos. Dos 175 listados como obrigatórios, Cuiabá só tem 26 na unidade em que a médica atua. “Faltam de medicamentos, materiais e até procedimentos básicos que deveriam ocorrer dentro de um hospital não estão sendo realizados”.
“É bem caótica a situação […] dentro da terapia intensiva esses medicamentos são essenciais para salvar a vida de um paciente muitas vezes, e vários óbitos foram relacionados a essa falta ou a complicações relacionadas a essa falta. Tenho pacientes que precisavam simplesmente de medicamentos para pressão, estava com a pressão muito alta, tiveram colapso cardíaco”.
Eles denunciaram a falta de medicamentos básicos como AAS e dipirona faltam com frequência, mas também medicamentos importantes para o tratamento de pacientes com diabetes. “Da questão da saúde da família, que é a atenção primária, falta tudo. Medicamentos básicos para tratar hipertensão e diabetes, muitas vezes não tem. Dipirona comprimido, medicação para diarreia e vômito, são coisas, assim, básicas mesmo, ataduras, gaze, material para fazer curativo falta, sempre falta […] já aconteceu com um paciente com tromboembolismo pulmonar que precisava de anticoagulante na UPA e não tinha”.
MORTES – Segundo a denúncia, a falta de estrutura e de profissionais se agravou ao ponto de causar a morte de pacientes que precisam de atendimento. “Recentemente, uma das coisas que impactou bastante a gente foi a perda de uma menina de 16 anos que apresentava sintomas de tumor cerebral, e a gente não conseguiu fazer a ressonância, não conseguiu um neurologista. Só nos últimos dias, que a coisa agravou muito, que a gente conseguiu interná-la em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), de lá para o HMC (Hospital Municipal de Cuiabá) e morreu”, completou.
Outra profissional que também vive o drama no dia a dia é a médica C.S.A., que atua no antigo Pronto Socorro, apontou a falta de medicação como sua maior preocupação. “A gente tem falta de muitos medicamentos básicos, para controle de pressão arterial, sedativos, psicotrópicos, antibióticos, até falta de soro temos lá. É bem caótica a situação do Pronto Socorro”, disse.
“Vários óbitos foram relacionados a esta falta, ou complicações relacionadas a essa falta de medicamentos. Já tive pacientes que simplesmente precisavam de medicamento para pressão, que estavam com a pressão muito alta e tiveram colapso cardíaco”, acrescentou. Ela também relatou um caso de morte de paciente e afirmou que durante sua carreira nunca viu a Saúde em Cuiabá neste estado.
NOTA DA PREFEITURA
Em nota a Prefeitura de Cuiabá afirmou que está apurando a situação. Leia a nota na íntegra:
A Secretaria Municipal de Saúde – SMS esclarece:
Está apurando as denúncias supostamente feitas por médicos relacionadas às unidades de saúde do município. Se os profissionais tinham conhecimento de irregularidades, deveriam ter comunicado diretamente à gestão da SMS, por meio do diretor técnico da unidade ou Ouvidoria.
Falta de medicamentos como dipirona de fato aconteceu, mas não foi exclusividade de Cuiabá, foi no país inteiro. Mas o que faltou foi a dipirona comprimido, usada para dispensação aos pacientes. A dipirona injetável, utilizada em unidades de urgência/emergência e em hospitais não faltou em momento algum.
Causa estranheza à gestão da SMS que médicos da Atenção Básica relatem casos de mortes de pacientes por falta de medicamentos ou por falta de exames de alta complexidade, como a ressonância citada na denúncia, uma vez que pacientes graves não são atendidos nas unidades básicas de saúde (os chamados “postinhos”) e estas unidades não têm fluxo para solicitar esse tipo de exame.
A SMS tem apurado já há algum tempo várias condutas e posturas de profissionais por práticas de conduta vedada ao servidor público, como por exemplo, entrega de atestado falso, além de ter passado a cobrar com rigor a produtividade dos profissionais. Isso tem causado um grande descontentamento por parte destes profissionais.
A Secretaria reconhece que existem vários problemas para serem solucionados, mas que está trabalhando incessantemente para solucioná-los o mais rápido possível.
Com informações do Mídia News
Saúde
Teste do Pezinho completa 50 anos e reforça importância do diagnóstico precoce
O Teste do Pezinho, principal exame de triagem neonatal realizado no Brasil, completa 50 anos em 2026. A data marca meio século de uma das mais importantes estratégias de saúde pública voltadas ao diagnóstico precoce de doenças genéticas, metabólicas e raras em recém-nascidos. Neste contexto, o Dia Nacional do Teste do Pezinho, celebrado neste sábado (06/06), reforça a importância da conscientização de famílias e profissionais de saúde sobre a realização do exame nos primeiros dias de vida do bebê.
Realizado por meio da coleta de gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido, o exame deve ser feito entre o 3º e o 5º dia de vida, conforme recomendação do Ministério da Saúde. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), o teste permite identificar doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, anemia falciforme e outras hemoglobinopatias, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita.
A triagem neonatal começou a ser implantada no Brasil em meados da década de 1970 e representou um avanço significativo para a saúde pública ao possibilitar o diagnóstico de doenças graves antes mesmo do surgimento dos sintomas. Instituições como o Instituto Jô Clemente (IJC), antiga APAE de São Paulo, tiveram papel pioneiro na introdução do exame no país, contribuindo para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.
Ao longo das últimas décadas, o Teste do Pezinho tornou-se uma ferramenta essencial para reduzir complicações e mortes evitáveis na infância. Quando identificadas precocemente, muitas doenças podem ser controladas ou tratadas de forma eficaz, garantindo melhor qualidade de vida às crianças e suas famílias.
Para a médica Fernannda Pigatto Vilela, pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade Femina, em Cuiabá, o exame é fundamental para a saúde pública e para o desenvolvimento saudável dos recém-nascidos.
“Algumas doenças, quando detectadas logo no início da vida da criança, permitem que o bebê tenha acesso ao tratamento de forma assertiva, prevenindo complicações e, em alguns casos, sequelas irreversíveis que podem levar ao óbito. Por isso, o principal objetivo de realizar o teste do pezinho entre o 3º e o 5º dia de vida é justamente esse”, explica.
Além da versão básica disponibilizada pelo SUS, o Teste do Pezinho conta com modalidades ampliadas capazes de identificar dezenas de doenças raras e graves, chegando a mais de 50 enfermidades em alguns casos.
No entanto, o acesso à triagem ampliada ainda varia conforme a estrutura disponível em cada estado, o que pode gerar desigualdades no atendimento entre as redes pública e privada.
Fernannda destaca que a informação e a conscientização são fundamentais para garantir que todos os recém-nascidos tenham acesso ao exame dentro do prazo recomendado.
“Infelizmente, em algumas regiões, a dificuldade de acesso ao profissional impacta diretamente na realização do exame. Isso cria uma cadeia de problemas: a família não recebe a informação adequada, o exame não é coletado no tempo certo, o diagnóstico não é feito precocemente e o bebê pode não receber o tratamento necessário a tempo”, alerta.
Segundo a especialista, muitas das doenças detectadas pelo Teste do Pezinho não apresentam sinais clínicos nos primeiros dias de vida, o que torna a triagem ainda mais importante.
“Esse teste salva muitas vidas. Um exemplo é o hipotireoidismo congênito, que, quando detectado precocemente, permite que o bebê receba um tratamento simples e de baixo custo. Com isso, a criança pode ter uma vida completamente normal. No entanto, se o diagnóstico e o tratamento não forem realizados a tempo, o bebê poderá desenvolver consequências neurológicas graves e irreversíveis, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo”, reforça.
A médica avalia ainda que as campanhas educativas têm contribuído para ampliar o conhecimento da população sobre o exame e sua importância.
“Acredito que, com as campanhas educativas, estamos conseguindo desmistificar o assunto. A orientação dada pelo profissional de saúde, especialmente o pediatra, à família no momento do nascimento, é fundamental. Quando a mãe é bem acolhida e recebe informações claras sobre a importância do teste, a adesão é muito maior”, conclui.
Especialistas ressaltam que o fortalecimento das ações de conscientização continua sendo um dos principais caminhos para ampliar a cobertura da triagem neonatal e garantir que mais crianças tenham acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, reduzindo o risco de sequelas e promovendo um desenvolvimento saudável desde os primeiros dias de vida.
Sobre o Hospital e Maternidade Femina
Com mais de 45 anos de atuação, o Hospital e Maternidade Femina é referência em Pediatria, Obstetrícia, Ginecologia e Pronto Atendimento em Cuiabá, com funcionamento 24 horas. A unidade oferece atendimento de alta complexidade, com UTIs adulta, neonatal e pediátrica, além de laboratórios de análises clínicas, mantendo o compromisso com a segurança e a qualidade da assistência à saúde.
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