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Frio chega ao Pantanal, temperatura despenca de 40 para 19 graus

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Por João Arruda

Aclimatados com temperaturas altas que na maior parte do ano oscilam entre 38 até 45 graus centígrados os pantaneiros de Cáceres- à 210 quilômetros Oeste de Cuiabá- foram surpreendidos com uma garoa na tarde de ontem domingo (28), seguida de rajadas de vento sul, fazendo despencar à temperatura na torrida Princesinha do Paraguai, apontada ao lado de Cuiabá, Poconé  e Corumbá como cidades mais quentes do Brasil.

Com 126 metros de altitude, o município está situado numa depressão entre quatro  serras- Araras, Boi Morto, Quilombo e Cacho esta mais  noroeste – que impedem a entrada de correntes de vento. No entanto, é pela calha do Rio Paraguai que entra frio decorrente das quedas de temperaturas no sul do país.

Desapartados de clima frio, a reação foi na mesma proporção da “friagem”, pontos de aglomeração no setor urbano como praças ‘ bares e lanchonetes, foram rapidamente esvaziados .Locais onde em dias de domingo seguiam funcionando até a madrugada do dia subsequente  , por volta das 21 horas de ontem, já haviam encerrado seus trabalhos.

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Apelidados de “bugres pantaneiros ” numa referência aos índios Guatós e Chiquitanos que povoaram a região Oeste de Mato Grosso, em Cáceres, se assume um dito muito usual na cidade ” bugre não tolera frio ‘ esfriou bugre rebuçou “.

Com outono nas suas últimas semanas e o inverno previsto para iniciar 21 de junho próximo, os nativos  costumam utilizar as baixas temperaturas para castração de animais eqüinos, suínos e bovinos, além efetuarem as podas de árvores, sempre   nas luas miguantes, ensinam que são propícias tanto para aparar as árvores quanto para castrar.

O frio traz além, desses benefícios à castração e podas, uma preocupação , que  de outro modo não é  tão apreciado pelos pantaneiros , é  que a queda do volume de águas no Rio Paraguai, se torna  mais acentuada. Pois  esfriando a temperatura se dá o fenômeno da evaporação, à massa de água aquece e com isso o nível dos rios , lagoas, baías caem abruptamente.

Na área social à prefeitura local distribue cobertores neste período do ano para centenas de famílias de baixas rendas e moradores em situação  de rua. Em 1997, quando ocorreu um frio severo registrou a morte de um mendigo na Estação Rodoviária, além morte de aves e gado nas fazendas da região. Na época registrou 5 graus centígrados, algumas escolas suspenderam as aulas.

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* Rebuça ou Rebuçou é decorrente do verbete pantaneiro , significa: se cobrir ou agasalhar.

João Arruda é repórter em Cáceres | Mato Grosso

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Quarteto de “novos mascates” resgata tradição comercial

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Por João Arruda | Cáceres

A cidade de Cáceres, localizada a 210 quilômetros a oeste de Cuiabá, sempre desempenhou papel estratégico desde sua fundação, tanto na rota comercial do país quanto na demarcação da fronteira territorial com a Bolívia. Nesse cenário, o fluxo constante de brasileiros e estrangeiros tornou-se parte da rotina local.

No passado, os vendedores ambulantes, conhecidos como mascates, tiveram grande importância na formação dos primeiros núcleos de povoação de Mato Grosso. Eles percorriam os rios em canoas e batelões durante as expedições monçoeiras, transportando desde lamparinas, medicamentos e munições até tecidos, alimentos e artigos diversos, movimentando a economia regional em um período de escassez de estabelecimentos comerciais.

Com o fim da Guerra do Paraguai, a região recebeu um novo impulso comercial com a chegada de árabes, especialmente libaneses e turcos, povos com tradição no comércio e que se estabeleceram no antigo Mato Grosso. Essa presença se tornou marcante em cidades como Cuiabá, Corumbá, Poconé e, especialmente, Cáceres.

Nesse contexto histórico, o Portal Mato Grosso encontrou no tradicional Bar São Miguel, situado no conhecido quadrilátero árabe de Cáceres, um grupo que se autodenomina os novos mascates. O quarteto é formado por Edilson Silva, conhecido como Kojak, Wanderley Alves Barros, Paulo Barros e Breno Mendes Campos, chamado de Bebezão ou Tim Maia Quinto Neto. Eles atuam no comércio têxtil e viajam constantemente pelo país, mas afirmam estar impressionados com a recepção recebida em Várzea Grande, Cuiabá e Cáceres. Segundo eles, a intenção é encerrar as longas viagens e se estabelecer definitivamente em Mato Grosso.

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A influência árabe no município é histórica e pode ser percebida em diversas famílias tradicionais. Entre elas estão os Quidah, da qual descende o advogado Ricardo Quidah; os Massad, com destaque para Adib Massad, figura reconhecida na segurança pública; e os Saab, família da qual fazem parte o historiador Pedro Paulo Pinto de Arruda Saab e o oficial de justiça Agostinho Saab. Também se destacam descendentes palestinos, como o ex-reitor da Unemat Taisir Karim e o marinheiro Yaser Mislé Abdel Azis, além de representantes de outras origens do Oriente Médio, como o desenhista Felintho Gattas Dias.

O legado libanês também marcou a gestão pública, como no caso do ex-prefeito Ivo Scaff, idealizador do Festival de Pesca ao lado dos jornalistas Luizmar Faquini e Marco Antônio Moreira. O evento, que começou de forma modesta, hoje é o maior festival turístico de Mato Grosso.

A cidade também se orgulha de nomes como Luiz Márcio Cebalho El Chamy, considerado um dos melhores gerentes da Caixa Econômica Federal no país, e o desembargador Jones Gattass Dias, reconhecido pela atuação discreta e sólida no Judiciário mato-grossense.

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Com o passar dos anos, a palavra mascate deu lugar a vendedor, mas a essência da atividade permanece. O comércio itinerante continua atuando na distribuição de produtos e no contato direto com diferentes regiões, mantendo viva uma tradição que ajudou a moldar a história econômica e cultural de Cáceres e de todo o estado.

João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Caceres, é filho,  neto, bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.

 

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