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Por Francisney Liberato

Seja bom sem precisar dizer que é bom. As pessoas precisam perceber suas virtudes e qualidades sem que, para isso, você precise verbalizar.

Você já renunciou a algum evento para participar de uma palestra a qual você tanto aguardava? Isso estava diretamente ligado ao seu interesse e perspectiva como ouvinte. Você foi para o evento para aprender e repensar as questões que seriam abordadas.

Agora, imagine a seguinte situação: a palestra terá a duração de 1 hora, e o palestrante, por possuir um currículo invejável, com experiência vasta sobre o tema, começa a dissertar o seu currículo, de forma bem minuciosa, contando as suas formações, os trabalhos já realizados, os livros publicados e os países para os quais já viajou.

Quando menos percebeu, ele já havia utilizado mais de 30 minutos daquela apresentação apenas contando suas histórias e ressaltando o seu currículo e, desta forma, restavam menos de 30 minutos para ele, de fato, imergir no conteúdo da palestra, portanto, precisaria acelerar o assunto ou, quem sabe, cortar alguns tópicos do conteúdo programado.

Como você se sentiria ao sair desta palestra? Tenho certeza de que ficou muito decepcionado, pois a sua expectativa era enorme e, ao invés de o palestrante dedicar tempo ao conteúdo da palestra, concentrou-se em falar de seus méritos.

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O ouvinte quer saber do conteúdo e não de assuntos adjacentes. Os méritos não importam no momento de uma apresentação, se as pessoas estão ali presentes, é porque já sabem da trajetória do palestrante e desejam ouvir a mensagem. De qualquer modo, o currículo estará disponível na divulgação do evento.

Nós, enquanto palestrantes, precisamos estar atentos quanto a isso, pois do contrário estaremos frustrando os nossos ouvintes. Um orador consciente também ficará frustrado por não conseguir repassar todo o conteúdo estipulado para aquela apresentação.

Caso queira falar ou dar ênfase ao seu currículo, não ultrapasse o tempo de 5 minutos. Seja sutil nessa tarefa, para não passar uma imagem arrogante.

Se, mesmo assim, você insistir em desejar falar mais sobre o seu currículo, ao invés de dar detalhes na abertura, faça uma síntese no começo e paulatinamente vá acrescentando algumas informações no decorrer da palestra. Vale novamente a observação: seja sutil.

Outro fator que incomoda muitos ouvintes é quando o palestrante abusa em contar causos e histórias. Essa situação até pode fazer parte da didática do orador, não obstante, jamais será o cerne da palestra.

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As pessoas querem ouvir o conteúdo, por isso se organize a fim de elaborar um cronograma de apresentação, e ela poderá conter: introdução, desenvolvimento detalhado do conteúdo e conclusão. É importante colocar cada tarefa do cronograma de apresentação, com o tempo estimado para a sua execução.

Que você possa refletir sobre esse assunto e dedicar mais tempo ao que realmente importa. Monte o cronograma da mensagem organizadamente e concatenada. Fale do conteúdo e não sobre você e dos seus méritos. Seja bom, sem que, para isso, você precise falar.

Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.

 

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Tempo da Criação – Água Viva e a Crise Hídrica Mundial

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Por Juacy da Silva

“As causas profundas dos conflitos e da exploração da criação têm origem numa crise ética e cultural, que inclui a perda do sentido dos limites, a vontade de domínio, a busca do lucro imediato e a incapacidade de reconhecer a dignidade concedida por Deus a cada pessoa humana.”

Papa Leão XIV, mensagem alusiva ao Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. Vaticano, 15 de agosto de 2026.

Na próxima terça-feira, 1º de setembro, será celebrado o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, cujo tema ecumênico é “Água Viva”, inspirado na visão do profeta Ezequiel (Ezequiel 47:9,12) sobre o rio que brota do Templo e leva cura aos ecossistemas e biomas de todo o planeta, que estão sendo destruídos impiedosamente pela ganância, pela busca desenfreada por lucro e pelo uso irracional dos recursos naturais.

Entre 1º de setembro e 4 de outubro, desde 1989, quando teve origem o Tempo da Criação, todos os anos um tema é escolhido para embasar as reflexões, as orações e também as ações com o objetivo de restaurar a integridade das obras da criação.

O Tempo da Criação compreende 34 dias, até 4 de outubro, quando celebraremos os 800 anos do falecimento de São Francisco de Assis, patrono da Ecologia Integral e da causa animal. Trata-se de um período de dimensão ecumênica e também inter-religiosa, que inclui oração e ação.

Costumo dizer, apesar de essa afirmação chocar algumas pessoas, mas amparado por preceitos bíblicos, que oração sem ação é pura alienação, à vista do que consta no texto sagrado: “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma”, como está escrito na Carta de Tiago 2:17.

O tema do Tempo da Criação deste ano, 2026, é “Água Viva”. Além de seus referenciais bíblicos, o tema também nos remete a questões concretas da realidade mundial e de praticamente todos os países, incluindo o Brasil.

A crise hídrica mundial e brasileira está inserida na crise climática. O aquecimento global tem provocado sérias consequências, como o derretimento das calotas polares e das grandes geleiras, a elevação do nível dos mares e oceanos e o aquecimento de suas águas; a destruição das nascentes, decorrente do desmatamento e das queimadas, como tem ocorrido em todos os biomas brasileiros; a ocorrência de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas, tempestades intensas e alagamentos em diversas partes do planeta; a destruição da biodiversidade animal e vegetal; enfim, o aumento da poluição do ar, das águas e dos solos.

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Desastres como as grandes enchentes que acontecem todos os anos, a exemplo das registradas no Rio Grande do Sul e em diversos países asiáticos, e as imensas queimadas na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá, no Brasil e em diversos outros países estão se tornando cada vez mais frequentes e devastadores. Isso ocorre diante da omissão de governantes, empresários, lideranças em geral e também de parte da população, inclusive da juventude, sobre a qual as consequências serão ainda mais impactantes dentro de algumas décadas.

Diante disso, estou “rascunhando” uma reflexão para transformá-la em artigo, tentando “interpretar” as DGAE — Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil — para o período de 2026 a 2032, conforme o Documento 114 da CNBB, aprovado na última Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, realizada em abril passado, em Aparecida. A proposta é refletir à luz de uma fé encarnada, com destaque para as ações pastorais inseridas no contexto das ações sociotransformadoras e também iluminadas pelas resoluções do Concílio Vaticano II.

Com certeza, tendo em vista a presença da Igreja Católica, das demais Igrejas cristãs e de tantas outras religiões no Brasil, se houver um compromisso concreto para mudar os rumos da destruição planetária, poderemos, mesmo diante de uma realidade extremamente grave, despertar a consciência da população em geral, dos governantes e dos empresários. Assim, será possível estabelecer uma convivência mais harmônica e humana entre as sociedades e a natureza, no contexto das obras da criação.

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Oxalá nossos sacerdotes, religiosos, religiosas, todos os fiéis e, enfim, a população em geral possam participar dessas celebrações de maneira mais engajada e contextualizada na realidade de cada território em que as Igrejas cristãs e as demais religiões estejam presentes no Brasil, diante de tanta pobreza, exclusão, destruição ambiental, violência e manipulação política.

Talvez, assim, um dia consigamos ter realmente uma Igreja sinodal, profética e samaritana, em que a fé encarnada seja algo concreto. Da mesma forma, poderemos alcançar políticas públicas voltadas para um melhor cuidado com o meio ambiente, em uma demonstração de ampla conversão ecológica individual e comunitária, cumprindo integralmente, por exemplo, o artigo 225 da Constituição Federal, que estabelece de maneira clara:

“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

Concluindo, transcrevo duas exortações do Papa Francisco:

“A Terra, nossa Casa Comum, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo.” Encíclica Laudato Si’, 2015, n. 21.

“A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças nos estilos de vida, de produção e de consumo responsáveis e sustentáveis, para combater esse aquecimento global ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam.” Encíclica Laudato Si’, 2015, n. 23.

Este é o contexto em que devemos celebrar o Tempo da Criação de 2026 e dos anos seguintes.

Juacy da Silva é  professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral da Região Centro-Oeste.

E-mail: [email protected]
WhatsApp: 65 99272-0052
Instagram: @profjuacy

Tentando sintetizar a fé encarnada neste contexto, elaborei este triângulo, cuja foto incluo nesta reflexão/artigo.

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