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Eleições 2026: os minerais críticos também estão nas urnas

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Por: Naiara Boscol

Quando se fala em eleição presidencial, normalmente o debate gira em torno de saúde, educação, segurança, emprego e economia. Mas existe um tema pouco conhecido por grande parte da população, que pode influenciar diretamente o futuro econômico e tecnológico do Brasil: os minerais críticos e estratégicos.

Lítio, níquel, cobre, grafite, nióbio e terras raras são utilizados em produtos que fazem parte da vida cotidiana, como celulares, computadores, veículos elétricos, baterias, inteligência artificial, equipamentos médicos e diversas tecnologias que movimentam a economia mundial.

O Brasil possui variedade desses recursos minerais, ganhando o olhar do mundo, que tem buscado essas fontes de matérias-primas.

Por isso, a discussão sobre mineração deixou de ser apenas uma questão de retirar recursos do subsolo. O tema ganhou espaço na corrida presidencial.

E muitas dúvidas pairam: o que o Brasil pretende fazer com esses minerais depois de extraí-los?

Exportar principalmente matéria-prima? Processar no Brasil? Atrair indústrias? Desenvolver tecnologia? Estabelecer condições para o investimento estrangeiro? Ampliar a participação do Estado? Simplificar procedimentos e licenciamento?

Essas são decisões de política pública.

O próximo governo encontrará uma nova política mineral: em 16 de setembro deste ano, foi sancionada a Lei nº 15.506, que instituiu a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

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A norma prevê estímulos à pesquisa, à lavra, ao beneficiamento e à transformação mineral, além da criação de instrumentos destinados à industrialização da cadeia mineral brasileira.

A forma como essa política será executada nos próximos anos poderá variar conforme as prioridades estabelecidas pelo próximo governo.

E os programas dos candidatos mostram caminhos diferentes para essa execução.

No programa de Augusto Cury, uma das propostas apresentadas para o setor é o projeto denominado Petra BR, voltado ao conhecimento das reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras. A proposta trata de mapeamento mineral, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e ampliação da capacidade de industrialização e processamento desses recursos no país.

O plano de Flávio Bolsonaro defende que o Brasil agregue valor aos minerais dentro do país. O documento cita expressamente lítio, nióbio, grafite, cobre, níquel, urânio e terras raras e relaciona esses recursos às novas tecnologias. Sua proposta dá maior destaque à segurança regulatória, ao licenciamento mais ágil, à atração de capital e tecnologia e aos incentivos de mercado. O plano define o Estado principalmente como regulador e coordenador, e não como empresário.

No programa de Lula, a discussão dos minerais críticos está relacionada principalmente à soberania sobre os recursos brasileiros, à industrialização e à redução da dependência da simples exportação de minério bruto. Durante o atual governo, também foram discutidos instrumentos de financiamento e maior participação de instituições públicas no desenvolvimento dessa cadeia.

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Já o plano de Ronaldo Caiado propõe, entre outros pontos, utilizar os minerais estratégicos também nas negociações internacionais. O programa menciona a possibilidade de negociar acesso a minerais críticos em troca de processamento no Brasil, formação de profissionais e transferência de tecnologia.

O próximo presidente poderá influenciar a regulamentação da nova política nacional, a atuação dos órgãos federais, os incentivos ao setor, a atração de investimentos, as relações internacionais e o espaço destinado ao processamento e à industrialização dos minerais brasileiros.

Não significa que o presidente decidirá sozinho o futuro da mineração. Congresso Nacional, estados, municípios, Agência Nacional de Mineração, órgãos ambientais, empresas e investidores também possuem papéis fundamentais.

Diante da corrida presidencial de 2026, o eleitor precisa entender que o Brasil possui minerais em abundância e detém o poder de voto para definir o futuro da mineração. Então, analise qual a proposta pretende transformar essa riqueza mineral em desenvolvimento para o país, que é dono desses minerais, como prevê a Constituição Federal.

Naiara Boscoli é advogada, 1ª Presidente da Comissão de Direito Minerário da OAB/MT

 

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A doçura perdida no tempo: o que a infância ainda tem a nos ensinar

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Por Soraya Medeiros

Há uma doçura na infância que o tempo não consegue apagar completamente. Ela pode ficar escondida sob as responsabilidades, as decepções e a pressa da vida adulta, mas permanece dentro de nós. Basta uma música antiga, o cheiro de uma comida, uma fotografia ou uma brincadeira esquecida para que aquela criança desperte novamente.

Quando éramos pequenos, a felicidade parecia morar nas coisas mais simples. Estava em correr descalço, brincar de esconde-esconde, pega-pega, amarelinha, pular corda, andar de bicicleta ou transformar qualquer objeto em brinquedo. Um quintal podia virar um universo inteiro. Uma caixa de papelão se transformava em casa, carro ou castelo. Bastava imaginação.

E havia os doces. Uma bala, um pirulito, um pedaço de bolo, um chocolate recebido de alguém especial. Talvez o sabor nem fosse tão extraordinário, mas aquele gesto carregava algo maior. Era cuidado. Era carinho. Era a sensação de ser lembrado. Por isso alguns sabores atravessam décadas e permanecem ligados às pessoas que amamos.

A doçura da criança também estava na forma de enxergar o outro. Fazíamos amizade com uma facilidade que hoje parece impossível. Bastava perguntar: “Quer brincar comigo?”. Pouco depois, dividíamos brinquedos, inventávamos histórias e ríamos juntos como se aquela amizade existisse havia anos.

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Criança sabe rir com o corpo inteiro. Ri até perder o fôlego, até a barriga doer, sem se preocupar se alguém está olhando. Chora quando dói, mas muitas vezes, minutos depois, já está brincando novamente. Existe nela uma extraordinária capacidade de estar presente.

Jean Piaget, ao estudar o desenvolvimento infantil, mostrou como a criança constrói sua compreensão do mundo experimentando, perguntando, imaginando e descobrindo. Talvez tenhamos muito a reaprender com essa curiosidade que um dia também foi nossa.

Porque crescemos e, com o tempo, fomos aprendendo a desconfiar, controlar, calcular. Vieram as responsabilidades, as perdas, os boletos, as frustrações e as expectativas. Para não sofrer, construímos defesas. E algumas delas acabaram escondendo também nossa espontaneidade.

Quando foi que paramos de brincar? Quando foi que começamos a acreditar que adulto precisa estar sempre sério, ocupado e preocupado?

Nossa criança interior não pede que abandonemos responsabilidades. Ela apenas nos lembra que viver também é brincar, rir de bobagens, dançar sem saber dançar, cantar desafinado, tomar chuva, fazer algo simplesmente porque nos dá prazer e permitir que a alegria apareça sem precisar de uma ocasião especial.

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Resgatar essa criança é também recuperar nossa doçura. Não a ingenuidade que desconhece os perigos, mas a delicadeza de quem ainda consegue se emocionar. É olhar para uma flor, um pôr do sol, um animal brincando ou uma gargalhada e perceber que nem tudo precisa ter utilidade para ter valor.

Talvez amadurecer não seja deixar a infância para trás. Talvez seja aprender a caminhar com ela. Porque, por mais que o tempo passe, aquela criança ainda mora em algum lugar dentro de nós, esperando uma oportunidade para correr, brincar, sorrir e se encantar novamente.

E talvez ela queira apenas nos lembrar de algo que esquecemos enquanto crescíamos: a vida também foi feita para ser saboreada. E um pouco da sua doçura ainda está dentro de nós.

Soraya Medeiros é jornalista.

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