cultura
Cuiabá recebe a peça “O Motociclista no Globo da Morte”, com Eduardo Moscovis
O monólogo de Netto marca a primeira parceria de Moscovis com Portella na direção, é o quinto espetáculo produzido pelo ator e lhe rendeu, no último mês de março, o Prêmio Shell de Melhor Ator — o mais tradicional reconhecimento das artes cênicas no país e o primeiro de sua carreira. Para além do prêmio recebido o espetáculo obteve duas indicações ao Prêmio Shell, Melhor Dramaturgia para Leonardo Netto e Melhor Iluminação para Ana Luzia de Simoni. O espetáculo conta também com duas indicações ao Prêmio APTR, Melhor Ator em Papel Protagonista para Eduardo Moscovis e Melhor Dramaturgia para Leonardo Netto e mais recentemente recebeu indicação ao Prêmio APCA de melhor ator para Eduardo Moscovis e Dramaturgia para Leonardo Netto.
Ao contar uma história que, em tese, poderia acontecer com qualquer um, o espetáculo provoca ao diluir as fronteiras entre vítima e algoz, civilizado e selvagem. “O que mais me cativou no texto foi perceber que o protagonista é um homem que tem uma vida correta, pacífica, com quem eu facilmente me identificaria, mas que, assim como seu antagonista — um homem vil em todos os aspectos —, pode se igualar a ele ao cometer um ato de extrema violência”, conta Eduardo Moscovis, que encena seu segundo monólogo — o primeiro foi “O Livro” (2011), de Newton Moreno, com direção de Christiane Jatahy. “Mesmo com a ausência da contracenação, que é um dos grandes desafios do monólogo, fui arrebatado pelo texto do Leo, e o processo tem sido muito prazeroso”, completa.
Depois de assistir inadvertidamente, em uma rede social, a um vídeo de extrema violência, Leonardo Netto passou a se questionar sobre o que leva alguém a cometer um ato violento — e também a filmá-lo, publicá-lo e consumi-lo. Outras questões emergiram, como o fascínio e a idolatria por assassinos, psicopatas e serial killers ao longo da história. “A espetacularização, a romantização e a banalização da violência, potencializadas pela multiplicação de câmeras e pela internet, talvez nos tornem mais insensíveis a ela”, reflete o autor. O incômodo persistiu até que decidiu escrever a peça, como forma de elaborar essa experiência. “Foi perturbador assistir, e escrever também foi difícil. Muitas vezes precisei parar”, revela. Durante o processo, passou a imaginar Eduardo Moscovis — com quem dividiu o palco em “Corte Seco” (2010) — como protagonista.
“O título surgiu como uma metáfora da iminência do desastre. Assim como no globo da morte, vivemos tentando nos desviar da catástrofe o tempo inteiro.” Em sua primeira parceria com Rodrigo Portella, Moscovis destaca: “Ele é um diretor-criador, que pensa a cena e o teatro de forma muito genuína e potente”.
Para construir a dramaturgia e o espaço cênico, Portella opta por uma encenação minimalista. “O espetáculo acontece na cabeça do espectador. Qualquer elemento concreto seria uma distração. O personagem constrói um discurso que se aproxima da literatura, convocando o público a imaginar. Temos, assim, uma relação íntima e direta entre ator e espectador, do início ao fim”, afirma o diretor.
“A ideia é enfatizar o caráter comum desse acontecimento, que poderia acontecer com qualquer um de nós. Um evento extraordinário em um lugar ordinário, executado por um homem ordinário.” Nesse sentido, trilha sonora (André Muato), figurino (Gabriella Marra) e iluminação (Ana Luzia de Simoni) reforçam essa abordagem. Portella identifica ainda uma camada político-social: “Sem nomear lados, o espetáculo evidencia a polarização ideológica em que a sociedade brasileira está imersa”.
SERVIÇO
Espetáculo: O Motociclista no Globo da Morte
Data: 2 de outubro
Horários: 20h e 22h
Local: Cine Teatro Cuiabá
Texto: Leonardo Netto
Direção: Rodrigo Portella
Atuação: Eduardo Moscovis
Classificação indicativa: 14 anos
Atenção: o espetáculo contém descrição gráfica de violência e cenas que podem despertar gatilhos emocionais.
cultura
Domingo tem “Um Ney pra cada um” no Teatro da UFMT
Qual é o seu Ney Matogrosso preferido? O Ney iconoclasta que desafiou o conservadorismo de boa parte da população brasileira nos anos 1970, com o grupo Secos & Molhados? O intérprete sensível que popularizou a música de Villa-Lobos com canções como “Trenzinho Caipira”? O Ney de voz impecável que interpreta clássicos de Cartola e Noel Rosa? Ou o Ney apaixonado que recria Cazuza, Rita Lee e outros compositores contemporâneos?
Seja qual for o Ney de sua preferência, ele estará representado no espetáculo “Um Ney pra cada um”, que o Coro Experimental MT levará ao palco do Teatro da UFMT neste domingo (dia 27), às 19h. Será uma nova oportunidade para assistir a um show que estreou com casa esgotada em maio passado.
“Estávamos ansiosos para reapresentar este espetáculo, que homenageia Ney Matogrosso. Aos 85 anos completados, em agosto, ele esbanja vitalidade e carisma, e reúne um leque extremamente diversificado de sucessos. Ney tem o poder de se apropriar de cada canção em uma interpretação única e inesquecível”, afirma Jefferson Neves, diretor artístico do Coro Experimental MT.
Na condição de arranjador do CEMT, coube a ele o desafio de transpor para a linguagem do canto coral alguns dos maiores sucessos de Ney Matogrosso.
“Nossa maior dificuldade foi escolher as canções face à longevidade da carreira do homenageado. São tantas músicas icônicas que foi difícil selecionar quais fariam parte do nosso repertório”, reconhece Jefferson, que está à frente do CEMT desde a criação do grupo, há nove anos, com Tuanny Godoi.
Como acontece em outras apresentações do CEMT, haverá espaço para solos de alguns integrantes do próprio coral. Desta vez, o cantor convidado será Adonys Aguiar, que também ficará responsável pela percussão ao lado de Denisson Miranda, integrante do naipe de tenores do CEMT. Outra participação especial será do violonista Marinho Sete Cordas. Thiago Gasparini, do time dos baixos e barítonos, dará um toque refinado à abertura do espetáculo com o som de seu violoncelo.
A montagem de “Um Ney pra cada um” possibilitou ao CEMT um laboratório criativo muito rico para Jefferson Neves e os cerca de 60 coralistas. Além de ter experimentado sonoridades originais nos arranjos vocais, Jefferson Neves aproveitou a riqueza artística de Ney para propor novos desafios aos cantores, do ponto de vista técnico e de expressão corporal.
“Essa tem sido a nossa linha de trabalho desde o primeiro espetáculo em 2017, apresentando sempre um coro em movimento por meio de uma construção artística coletiva que valoriza as individualidades”, afirma Neves.
A escolha por Ney Matogrosso, segundo ele, permitiu desenvolver um espetáculo que transita entre o íntimo e o explosivo, entre o delicado e o visceral — exatamente como o universo do artista homenageado propõe.
“Escolher Ney Matogrosso é, antes de tudo, escolher um artista que rompeu padrões — não só pela sua voz absolutamente singular, mas pela coragem estética, corporal e política com que sempre se colocou no mundo. Ney representa a liberdade de ser múltiplo, de não caber em rótulos, e isso dialoga diretamente com o que buscamos enquanto coro: expandir possibilidades”, conclui.
O CEMT é um coro independente e atualmente conta com o apoio do Instituto Ciranda – Música e Cidadania. A produção dos espetáculos é realizada de forma coletiva pelos integrantes do grupo, com destaque para alguns cantores que contribuem com sua expertise, entre eles, a artista visual Rosylene Pinto, responsável pela idealização e confecção dos cenários, e o fashionista Luiz Pita, que elabora e coordena a proposta de figurino dos coralistas.
Serviço
O que: Espetáculo “Um Ney pra cada um”
Quando: 27 de setembro de 2026 (domingo), às 19h
Onde: Teatro da UFMT
Quanto: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia) e R$ 35 (meia solidária, mediante um quilo de alimento não perecível)
Compra de ingressos: https://daningressos.com.br/comprar-ingresso/um-ney-pra-cada-um-16588/setor-aberto-11986.html
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