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MINISTÉRIO PÚBLICO MT

Combate à alienação parental e direito de família são debatidos

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A multiplicidade de famílias, a violência contra a mulher no ambiente doméstico e a alienação parental foram alguns dos temas abordados em mais uma edição do projeto Diálogos com a Sociedade, uma iniciativa do Ministério Público de Mato Grosso em parceria com a Rádio CBN Cuiabá.Nesta terça-feira (01.04), a promotora de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Claudia Santos Garcia, membra auxiliar da Corregedoria Nacional do Ministério Público, e o promotor de Justiça titular da 1ª Promotoria Cível de Cuiabá e auxiliar na Execução Penal (MPMT), Allan Sidney do Ó Souza, foram os primeiros convidados de abril, mês dedicado ao combate à Alienação Parental.A promotora de Justiça Claudia Santos Garcia iniciou o diálogo ressaltando a necessidade de se considerar as novas formas de família: “Quando pensamos no Direito das Famílias, é importante lembrar que hoje temos uma multiplicidade de famílias. Aquela família binária tradicional, que a maioria de nós, quando éramos pequenos, foi acostumada a entender como a família juridicamente protegida, já não é a única. É importante destacar que não é mais essa família que a lei e os Tribunais Superiores protegem. Protegem-se as diversas formas de família.”Outro tema abordado durante a entrevista foi como a violência contra a mulher impacta diretamente o Direito de Família. Para a promotora de Justiça, crianças inseridas em ambientes de violência familiar devem ser consideradas vítimas diretas: “Hoje, no Direito da Família, não há que se falar em guarda compartilhada se a mulher é vítima de violência doméstica. É impossível. Crianças e adolescentes que crescem nesse ambiente violento – será que estamos falando verdadeiramente de vítimas indiretas? Para mim, é impossível. Para mim, são vítimas diretas da violência contra a mulher.”O promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza destacou que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já estabeleceram protocolos e recomendações para que membros do Ministério Público, magistrados e advogados considerem a perspectiva de gênero. “É preciso levar em conta esse desequilíbrio social, econômico e histórico que as mulheres vêm enfrentando ao longo da existência da humanidade. Esse protocolo visa justamente coibir esse desequilíbrio. Muitas vezes, o homem segue sua carreira, enquanto a esposa estagna a sua. Depois do divórcio, é natural que ela seja recompensada. O protocolo de gênero existe para instigar os operadores do Direito a olharem para a mulher com essa perspectiva.”Durante a entrevista, o promotor também explicou o conceito de alienação parental, com base na Lei 12.318/2010, que define e criminaliza a prática como interferência na formação psicológica de crianças e adolescentes: “É outro câncer social. A violência doméstica e familiar é algo abjeto na sociedade, e a alienação parental é outra chaga que precisamos erradicar. Ela ocorre quando, após a separação do casal, um dos genitores pratica atos para afastar o outro da convivência com o filho.”As entrevistas do projeto Diálogos com a Sociedade seguem até o dia 11 de abril, das 14h às 15h, no estúdio de vidro localizado na entrada principal do Pantanal Shopping, com transmissão ao vivo pelo canal do MPMT no YouTube. A iniciativa conta com o apoio de empresas privadas, como Pantanal Shopping, Rádio CBN, Aprosoja, Unimed Mato Grosso, Bodytech Goiabeiras e Águas Cuiabá.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Homem é condenado a mais de 37 anos de prisão por tentativa de feminicídio em Cuiabá

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O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, Breno Júnior de Oliveira Castro a 37 anos e quatro meses de reclusão, além de oito meses de detenção e três meses e 15 dias de prisão simples, pelos crimes de tentativa de feminicídio qualificado, estupro, violência psicológica e vias de fato. Os delitos foram praticados contra a companheira, Helena Louyse Mendes dos Santos, em um contexto de violência doméstica que se estendeu por cerca de dois anos.

O Conselho de Sentença reconheceu a autoria e a materialidade da tentativa de feminicídio, apontando ainda que o crime foi cometido com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Por decisão dos jurados, o condenado não terá direito de recorrer em liberdade, e a sentença determinou a execução imediata da pena, que deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) foi representado em plenário pelo promotor de Justiça Rodrigo Ribeiro Domingues.

Conforme a denúncia apresentada pelo MPMT, Helena foi submetida, entre 2023 e 2025, a um relacionamento abusivo marcado pelo controle de amizades, vestuário, estudos, trabalho e deslocamentos, além do monitoramento constante do celular e das redes sociais. O réu também a submetia a humilhações, ameaças e agressões físicas recorrentes, incluindo um episódio em que chegou a quebrar um aparelho celular contra o rosto da companheira.

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O caso ganhou contornos ainda mais graves em julho de 2025, quando Breno Castro levou a vítima para uma área de mata, onde a agrediu violentamente com um cano de ferro e efetuou um disparo de arma de fogo. Após as agressões, ele a levou de volta para casa. No dia seguinte, segundo a denúncia, forçou a companheira a manter relação sexual. Posteriormente, abandonou a vítima ferida e desacordada em uma “boca de fumo”.

Helena sobreviveu graças ao atendimento prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O processo tramita sob o número 1016281-31.2025.8.11.0042.

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