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NEGÓCIOS

Cessão de crédito pode integrar uma gestão estratégica da carteira de recebíveis

Transformar valores futuros em liquidez pode ampliar as alternativas de gestão financeira

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Foto: Magnific

Empresas que vendem para outras empresas costumam acumular uma carteira de valores a receber. Embora esses recursos façam parte da receita prevista, eles permanecem indisponíveis até o vencimento. Quando o volume de operações cresce, administrar esses créditos passa a ser também uma questão de planejamento financeiro e fluxo de caixa.

Nesse contexto, a transferência dos direitos de recebimento para terceiros pode ser utilizada como uma ferramenta de gestão. Em vez de manter toda a carteira até as respectivas datas de pagamento, a empresa pode selecionar determinados recebíveis e negociar sua transferência conforme suas necessidades de caixa.

O que acontece com o recebível?

Na cessão de crédito, uma empresa transfere para outra parte o direito de receber determinado valor. A operação pode envolver valores originados de vendas realizadas a prazo, representados por documentos como notas fiscais, duplicatas ou faturas emitidas.

Participam normalmente três agentes. O cedente é quem possui originalmente o direito de receber. O cessionário passa a deter esse direito após a operação. Já o devedor é a empresa que realizou a compra e deverá cumprir a obrigação de pagamento conforme as condições estabelecidas.

A formalização define os créditos envolvidos, valores, prazos e responsabilidades de cada participante.

Por que utilizar parte da carteira?

Manter todos os recebíveis até o vencimento pode limitar a disponibilidade financeira da empresa e prejudicar o capital de giro. Ao negociar determinados valores, a companhia consegue antecipar recursos e direcioná-los para necessidades presentes.

Esse dinheiro pode ser utilizado para reforçar o capital de giro, financiar compras, cumprir compromissos operacionais ou aproveitar oportunidades de investimento. A decisão, entretanto, depende das condições oferecidas e dos custos envolvidos.

A estratégia não precisa necessariamente abranger toda a carteira. A empresa deve avaliar quais recebíveis fazem sentido para determinada necessidade financeira, mantendo outros ativos para recebimento futuro.

Mais liquidez sem alterar a venda original

Uma característica relevante dessa estrutura é a separação entre a operação comercial e a administração posterior do crédito. O cliente realizou sua compra com determinado prazo e continua responsável pelo pagamento da obrigação.

O que muda é quem possui o direito de receber aquele valor. Depois da formalização e da comunicação adequada ao devedor, o pagamento passa a seguir as instruções relacionadas ao novo titular do crédito.

Essa dinâmica permite que fornecedores ofereçam condições comerciais de prazo aos clientes sem necessariamente precisar esperar todo o período para ter acesso aos recursos.

Tecnologia muda a gestão da carteira

A digitalização também modificou a maneira como as empresas acompanham seus recebíveis. Plataformas especializadas podem centralizar informações, automatizar etapas operacionais e conectar empresas a diferentes participantes do mercado financeiro.

Esse ambiente facilita a seleção dos créditos, a organização de documentos e o acompanhamento das operações. Também permite comparar alternativas de financiamento com maior agilidade, dependendo da estrutura utilizada.

Para companhias com grande quantidade de transações, a automação pode reduzir tarefas manuais e melhorar a rastreabilidade dos processos.

O impacto no planejamento financeiro

A possibilidade de transformar parte dos valores futuros em recursos disponíveis oferece mais flexibilidade à tesouraria. Em períodos de maior necessidade de caixa, uma carteira de recebíveis pode representar uma fonte adicional de liquidez, sem a necessidade de recorrer a operações de crédito tradicionais.

Ao mesmo tempo, a empresa precisa avaliar o custo da operação, o perfil dos devedores, os prazos envolvidos e os efeitos sobre seu planejamento financeiro. Uma carteira bem administrada não depende apenas de quanto a empresa tem a receber, mas também de quando esses valores estarão disponíveis e de como podem ser utilizados.

Uma ferramenta dentro de uma estratégia maior

A gestão de recebíveis pode combinar diferentes alternativas conforme o momento financeiro da empresa. Alguns valores podem permanecer até o vencimento, enquanto outros podem ser utilizados em operações de antecipação.

Essa flexibilidade permite que a carteira deixe de ser apenas um registro de valores futuros e passe a integrar decisões relacionadas à liquidez, capital de giro e relacionamento comercial.

Para empresas com grande volume de vendas a prazo, estruturar esse processo com critérios claros, controles adequados e tecnologia pode contribuir para uma administração mais previsível dos recursos. O objetivo não é simplesmente antecipar dinheiro, mas utilizar os recebíveis de maneira alinhada às necessidades financeiras e aos planos de crescimento do negócio.

 

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NEGÓCIOS

Rodrigo Alberton transforma rede social em vitrine de imóveis de luxo em Cuiabá

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Corretor de imóveis, Rodrigo Alberton | Foto: Bella

Por Edmundo Pacheco | Portal Mato Grosso

O crescimento do mercado imobiliário de Cuiabá está mudando também a forma de vender imóveis. Visitas presenciais, anúncios tradicionais e placas continuam importantes, mas passaram a dividir espaço com vídeos profissionais, redes sociais e conteúdos que apresentam bairros, tendências e oportunidades de investimento.

Em 2025, as vendas de imóveis na capital mato-grossense movimentaram R$ 5,7 bilhões, o maior valor da série histórica iniciada em 2015. Foram comercializadas 13.597 unidades, segundo o Sindicato da Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT). Na comparação com 2024, o faturamento cresceu 17,99% e o número de negócios avançou 24,87%.

É nesse mercado que atua Rodrigo Alberton, corretor especializado em imóveis de médio e alto padrão em Cuiabá e Várzea Grande. No setor desde 2011, ele adotou uma estratégia que combina a consultoria tradicional com a produção de conteúdo para as redes sociais.

Os vídeos apresentam imóveis, condomínios e características dos projetos em uma linguagem próxima da usada por influenciadores digitais. A proposta não se limita a anunciar casas e apartamentos. O conteúdo funciona como uma primeira visita, permite que o interessado conheça parte do imóvel antes de procurar o corretor e amplia o alcance das ofertas para compradores de outras cidades.

“Hoje é muito difícil separar as coisas. Você precisa ser corretor e consultor. Essa é a base da profissão: sentar com o cliente, conduzir a negociação entre comprador e vendedor, analisar documentos, explicar o financiamento e acompanhar a elaboração do contrato”, afirma Alberton.

Segundo ele, a consultoria ganha importância nas compras de imóveis ainda em construção. Além do preço e das condições de pagamento, o cliente precisa avaliar o desenvolvimento previsto para a região, o potencial de valorização e o que o empreendimento poderá oferecer depois de concluído.

A exposição digital acrescentou uma nova função a esse trabalho. Alberton define sua atuação como a de um “influenciador imobiliário”, profissional que usa o conteúdo para construir autoridade e manter contato com pessoas que ainda não decidiram comprar.

“Na era da atenção digital, a pessoa precisa ver você, conhecer o seu trabalho e entender o seu posicionamento. As redes sociais ajudam a acelerar esse processo. Muita gente que acompanha meus conteúdos talvez não seja cliente agora, mas pode se tornar no futuro ou indicar meu trabalho para outra pessoa”, diz.

Essa estratégia é especialmente relevante no segmento de alto padrão, no qual a decisão costuma ser mais demorada e envolve valores elevados. A imagem do corretor, a qualidade da apresentação e a confiança transmitida ao comprador passam a integrar a própria comercialização do imóvel.

O alcance nas redes também abre possibilidades além da corretagem. Profissionais com audiência podem estabelecer parcerias com incorporadoras, escritórios de arquitetura, empresas de decoração e marcas relacionadas à casa. Para Alberton, entretanto, essa atividade não substitui o conhecimento técnico necessário para conduzir uma venda.

“O conteúdo ajuda a construir autoridade e abre caminhos que o corretor tradicional talvez não tivesse. Mas não é possível deixar de ser consultor. Minha base continua sendo a corretagem, a análise do negócio e a segurança do cliente”, afirma.

A expansão desse modelo mostra que, no mercado imobiliário, a disputa deixou de ocorrer apenas pela carteira de imóveis. A capacidade de explicar, apresentar e conquistar a confiança do comprador antes mesmo do primeiro contato tornou-se parte do negócio.

 

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