BRASIL E MUNDO
Apreensão de lhamas acende alerta sanitário por ameaçar R$ 115 bilhões em exportações
A apreensão de mais de 40 lhamas transportadas ilegalmente pela Polícia Federal no Acre, em uma região próxima à divisa com Rondônia, expôs a vulnerabilidade das fronteiras agrícolas e acendeu o sinal de alerta no setor produtivo nacional.
A carga, interceptada sem qualquer documentação fiscal, guia de trânsito ou laudo de quarentena exigido para animais exóticos, mobilizou as autoridades de defesa agropecuária diante do risco imediato de introdução de patógenos no rebanho brasileiro. O episódio é tratado com gravidade por colocar em xeque o rigor do sistema de segurança biológica do País em uma das regiões mais sensíveis para a exportação de carne.
Para dimensionar o tamanho do risco, o alerta atinge diretamente o coração de um setor que faturou mais de R$ 115 bilhões com exportações de carne em 2025 e que, apenas no primeiro trimestre de 2026, já registrou embarques recordes superiores a R$ 28,5 bilhões para o mercado internacional — um patrimônio bilionário que depende exclusivamente do passaporte sanitário do País.
De acordo com o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), o episódio representa uma ameaça direta ao status do Estado como zona livre de febre aftosa sem vacinação. Esse reconhecimento internacional, obtido após anos de investimentos conjuntos entre o poder público e os pecuaristas locais, funciona como um passaporte comercial que permite ao Acre exportar carne bovina, suína e derivados para quase 20 mercados globais.
Técnicos do setor alertam que o trânsito clandestino de animais rompe o isolamento sanitário e, em caso de eventual contaminação, a perda da certificação internacional provocaria o fechamento imediato dessas fronteiras comerciais, gerando um prejuízo econômico de grandes proporções para a balança comercial da região.
A gravidade do caso se acentuou com a confirmação da morte de três lhamas logo após a abordagem policial na estrada. Enquanto os animais sobreviventes foram abrigados temporariamente em uma propriedade rural sob a tutela de uma organização não governamental de proteção animal, a Polícia Federal acionou apoio técnico especializado para diagnosticar a causa exata dos óbitos.
A investigação busca apurar se as mortes decorreram do estresse e da falta de adaptação climática durante o transporte ou se são o primeiro indício da manifestação de alguma doença infectocontagiosa com potencial de transmissão para o gado da região.
No front investigativo, a inteligência da Polícia Federal trabalha no rastreamento da rota do contrabando, cujos indícios apontam que teria como destino final o município de Alvorada do Oeste, em Rondônia. O inquérito busca mapear a rede logística utilizada para burlar a fiscalização e identificar os agenciadores do frete, os proprietários do veículo e os potenciais compradores rondonienses que financiaram a operação ilegal.
O destino do lote remanescente agora depende de um parecer técnico do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O órgão federal avalia a viabilidade jurídica e sanitária de devolver as lhamas sobreviventes ao país de origem ou se, em conformidade com os rígidos protocolos internacionais de contingência para evitar epidemias, as autoridades precisarão determinar o sacrifício sanitário obrigatório de todos os animais do lote.
BRASIL E MUNDO
Desmatamento na Amazônia tem menor área em junho dos últimos 20 anos
Os alertas de desmatamento na Amazônia registraram queda de 35% em junho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), gerido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). No mês passado, foram identificados 1.233 alertas, que somaram uma área de 297,26 km² — o menor índice para o período em duas décadas.
Em junho de 2025, o número de alertas foi ligeiramente maior, 1.238, mas a área atingida chegou a 457,61 km², bem acima dos números atuais. A trajetória de queda se mantém desde 2023, quando os alertas alcançaram 663 km², contra 1.120,2 km² registrados em 2022.
Junho marca o 11º mês do calendário de monitoramento 2025/2026, que já acumula 11.554 alertas em uma área de 2.485,9 km². O total representa redução de 37,2% frente ao mesmo período do ciclo anterior (2024/2025), quando o desmatamento atingiu 3.959,98 km².
Cerrado também apresenta recuo, mas nuvens dificultaram monitoramento
No Cerrado, os alertas de desmatamento em junho somaram 2.880 ocorrências, distribuídas em 481,52 km². Embora o número de alertas tenha sido maior do que em junho de 2025, quando foram registrados 1.444, a área desmatada foi menor — na época, o total chegou a 508,69 km², o que representa uma redução de 5,3%.
O INPE informou, em nota técnica, que o mês de junho foi marcado por intensa cobertura de nuvens sobre o Cerrado, o que pode ter prejudicado o mapeamento em algumas regiões.
No acumulado de agosto de 2025 a junho de 2026, os avisos no bioma totalizaram 22.256, abrangendo uma área de 4.689,40 km². O número representa uma queda de 7,9% em relação ao calendário anterior, quando os alertas de desmatamento somaram 5.091 km².
Os dados reforçam a tendência de redução da supressão vegetal nos dois biomas, ainda que desafios como a cobertura de nuvens no Cerrado apontem limitações no monitoramento por satélite em períodos específicos.
-
esportes7 dias atrásSuíça elimina a Colômbia nos pênaltis e fecha as vagas nas quartas de final da Copa do Mundo
-
Educação6 dias atrásCircuito reúne mais de 1,5 mil profissionais de apoio da Rede Estadual em Cuiabá
-
tce mt6 dias atrásPresidente do TCE-MT recebe denúncias de irregularidades em obras e contratações feitas pela prefeitura
-
esportes5 dias atrásFrança vence Marrocos por 2 a 0 e avança às semifinais da Copa do Mundo
-
POLÍTICA MT6 dias atrásNatasha e lideranças femininas assinam Carta Compromisso com 18 propostas para mulheres
-
AGRO & NEGÓCIO6 dias atrásFim da cota chinesa: produtores e governo agora correm para resolver
-
AGRO & NEGÓCIO6 dias atrásA revolução do etanol de milho: o novo mapa do agronegócio brasileiro
-
AGRO & NEGÓCIO6 dias atrásReforma tributária aprovada em 2023 ainda cria incertezas sobre custo do frete



