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A tirania do parecer e a sabedoria do silêncio

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Por Soraya Medeiros

Vivemos um tempo curioso — e, em certa medida, inquietante — em que opinar deixou de ser uma escolha para se tornar quase uma obrigação social. A ausência de posicionamento, sobretudo diante dos temas em evidência, parece provocar um desconforto íntimo: o receio de sermos percebidos como desinformados, irrelevantes ou intelectualmente frágeis. Alimenta-se, assim, a perigosa ilusão de que quem mais fala, mais sabe — como se a eloquência substituísse a profundidade.

No teatro das interações contemporâneas, vozes rápidas, assertivas e muitas vezes agressivas ocupam o centro do palco. Tornam-se referências momentâneas aqueles que julgam tudo e todos com aparente segurança. Mas é preciso questionar: desde quando a pressa em opinar se tornou sinônimo de lucidez? E mais — o que se perde quando abrimos mão da reflexão em nome da exposição?

Admitir que não sabemos, que não estudamos o suficiente ou que simplesmente não desejamos opinar deveria ser compreendido como um gesto de maturidade intelectual. Não há ignorância em reconhecer limites; há, ao contrário, consciência. O problema surge quando a fala deixa de ser expressão de conhecimento e passa a ser instrumento de validação social. Nesse cenário, proliferam discursos rasos, sustentados mais pelo desejo de visibilidade do que pelo compromisso com a verdade.

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A dinâmica das informações fragmentadas intensifica esse fenômeno. Opina-se com base em recortes, interpretações apressadas e versões incompletas dos fatos. Constrói-se uma narrativa conveniente, que rapidamente é lançada ao julgamento coletivo. No entanto, a realidade não se curva à urgência da opinião. Ela se revela com o tempo — e, frequentemente, desmente certezas precipitadas, expondo o custo da imprudência em retratações públicas, desgastes morais e conflitos evitáveis.

Nesse ponto, ecoa a reflexão de Carl Gustav Jung, ao sugerir que aquilo que não trazemos à consciência retorna sob a forma de destino. Poderíamos ampliar a ideia: aquilo que não filtramos no silêncio interior irrompe no mundo como palavra impensada. Entre o pensamento e a fala existe um intervalo precioso — um espaço de escolha. É nesse intervalo que reside a verdadeira inteligência.

A palavra, uma vez dita, ganha autonomia. Não nos pertence mais. Diferente do pensamento, que pode ser revisto, ajustado ou descartado no silêncio, a fala se projeta no outro, produz efeitos e, muitas vezes, consequências irreversíveis. Por isso, o domínio desse percurso — do impulso à expressão — é um dos sinais mais claros de discernimento.

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Em um ambiente saturado por ruído, talvez o verdadeiro ato de coragem seja o silêncio consciente. Não o silêncio da omissão, mas o da responsabilidade. O silêncio que respeita o tempo, que recusa a superficialidade e que compreende que nem toda opinião precisa existir — e, certamente, nem toda opinião precisa ser dita.

Cuidar da palavra é, em última análise, cuidar das relações, da verdade e de si mesmo. Em vez de ecoarmos a desordem, podemos escolher ser fonte de lucidez. Em vez de alimentar conflitos, podemos favorecer o entendimento. E, sobretudo, podemos compreender que, em muitos casos, a sabedoria não está em ter algo a dizer — mas em saber quando não dizer nada.

Soraya Medeiros é jornalista.

 

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O cuidado ao paciente com asma e a urgência da qualificação farmacêutica

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Por Veridiana Galetti

A asma é muito mais do que um dado estatístico; é uma condição crônica que impacta diretamente a rotina e a qualidade de vida de milhões de pessoas. No mundo, mais de 260 milhões de indivíduos convivem com a doença. No Brasil, esse número chega a cerca de 20 milhões de asmáticos. O dado mais alarmante, contudo, é que milhares de internações ainda ocorrem todos os anos — e grande parte delas poderia ser evitada com acompanhamento adequado e uso correto dos medicamentos.

Mesmo com tratamentos modernos e eficazes disponíveis, o controle da asma ainda está longe do ideal para muitos pacientes. A dificuldade no uso correto dos dispositivos inalatórios (as conhecidas “bombinhas”), a baixa adesão ao tratamento preventivo e a desinformação são fatores determinantes para crises frequentes, atendimentos de urgência e impactos físicos e emocionais significativos.

Nesse cenário, o farmacêutico assume um papel estratégico e essencial. Trata-se, muitas vezes, do profissional de saúde mais acessível à população. Sua atuação vai muito além da dispensação de medicamentos: envolve escuta qualificada, educação em saúde, acompanhamento clínico e o suporte necessário para que o paciente compreenda e siga corretamente seu tratamento.

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No entanto, para que esse cuidado seja efetivo, a qualificação contínua deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade urgente. E é justamente para atender a essa demanda que surge uma iniciativa que merece ampla divulgação.

O Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso (CRF-MT), em parceria com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), está oferecendo um curso gratuito voltado para farmacêuticos e acadêmicos, com foco no cuidado farmacêutico à pessoa com asma. A capacitação alia conhecimento técnico à prática clínica, preparando o profissional para atuar com mais segurança, autonomia e impacto real na vida dos pacientes.

Mais do que um curso, essa é uma oportunidade de fortalecimento da atuação farmacêutica. Ao dominar aspectos como técnica inalatória, adesão ao tratamento e acompanhamento do paciente, o farmacêutico se torna protagonista na redução de crises, internações e complicações.

Inscrições abertas: As inscrições já estão disponíveis e podem ser realizadas pelo portal Edufarma no link: edufarma.cff.org.br

Falar sobre o cuidado ao paciente asmático é reconhecer que o conhecimento, aliado à prática humanizada, transforma realidades. Investir nessa capacitação gratuita é investir diretamente na saúde e na qualidade de vida da população.

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O conhecimento está acessível. O próximo passo depende de você.

Veridiana Galetti é farmacêutica, com pós-graduação em Farmácia Clínica e Estética, MBA em Auditoria e Faturamento em Farmácia Hospitalar pela Unyleya e especialização em Farmácia Hospitalar pelo Instituto Sírio-Libanês. Atualmente, é presidente do CRF-MT.

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