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Tragédia na BR-070: Colisão entre carretas deixa dois mortos

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Um grave acidente envolvendo duas carretas na BR-070, em Cáceres (a 220 km de Cuiabá), resultou na morte dos dois motoristas na tarde de ontem. As vítimas foram identificadas como Fernando Mendes Nazareth, de 45 anos, e Carlos Alberto Pereira, de 40. Um carro de passeio VW Nivus também se envolveu no acidente, mas a motorista sofreu apenas ferimentos leves e recusou atendimento médico.

A colisão foi de extrema violência. Segundo informações da Polícia Civil, o impacto inicial foi frontal entre as duas carretas. O choque provocou um incêndio que consumiu rapidamente um dos veículos pesados, deixando o motorista, Fernando Mendes Nazareth, carbonizado. Carlos Alberto Pereira, condutor da outra carreta, ficou preso às ferragens e precisou ser desencarcerado pelo Corpo de Bombeiros. Apesar dos esforços das equipes de resgate, ele não resistiu aos ferimentos e faleceu no local.

O incêndio, que se alastrou para a vegetação às margens da rodovia, foi controlado pelo Corpo de Bombeiros. A motorista do VW Nivus, que não teve a identidade revelada, escapou com ferimentos leves e não precisou ser encaminhada ao hospital. As circunstâncias que levaram à colisão ainda estão sendo investigadas. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) esteve no local para realizar as análises necessárias e auxiliar na apuração das causas do acidente.

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A tragédia interrompeu o tráfego na BR-070 por várias horas, gerando longos congestionamentos. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) controlou o fluxo de veículos e realizou o desvio do trânsito até a conclusão dos trabalhos periciais e a remoção dos veículos acidentados. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as responsabilidades pelo acidente.

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Quarteto de “novos mascates” resgata tradição comercial

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Por João Arruda | Cáceres

A cidade de Cáceres, localizada a 210 quilômetros a oeste de Cuiabá, sempre desempenhou papel estratégico desde sua fundação, tanto na rota comercial do país quanto na demarcação da fronteira territorial com a Bolívia. Nesse cenário, o fluxo constante de brasileiros e estrangeiros tornou-se parte da rotina local.

No passado, os vendedores ambulantes, conhecidos como mascates, tiveram grande importância na formação dos primeiros núcleos de povoação de Mato Grosso. Eles percorriam os rios em canoas e batelões durante as expedições monçoeiras, transportando desde lamparinas, medicamentos e munições até tecidos, alimentos e artigos diversos, movimentando a economia regional em um período de escassez de estabelecimentos comerciais.

Com o fim da Guerra do Paraguai, a região recebeu um novo impulso comercial com a chegada de árabes, especialmente libaneses e turcos, povos com tradição no comércio e que se estabeleceram no antigo Mato Grosso. Essa presença se tornou marcante em cidades como Cuiabá, Corumbá, Poconé e, especialmente, Cáceres.

Nesse contexto histórico, o Portal Mato Grosso encontrou no tradicional Bar São Miguel, situado no conhecido quadrilátero árabe de Cáceres, um grupo que se autodenomina os novos mascates. O quarteto é formado por Edilson Silva, conhecido como Kojak, Wanderley Alves Barros, Paulo Barros e Breno Mendes Campos, chamado de Bebezão ou Tim Maia Quinto Neto. Eles atuam no comércio têxtil e viajam constantemente pelo país, mas afirmam estar impressionados com a recepção recebida em Várzea Grande, Cuiabá e Cáceres. Segundo eles, a intenção é encerrar as longas viagens e se estabelecer definitivamente em Mato Grosso.

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A influência árabe no município é histórica e pode ser percebida em diversas famílias tradicionais. Entre elas estão os Quidah, da qual descende o advogado Ricardo Quidah; os Massad, com destaque para Adib Massad, figura reconhecida na segurança pública; e os Saab, família da qual fazem parte o historiador Pedro Paulo Pinto de Arruda Saab e o oficial de justiça Agostinho Saab. Também se destacam descendentes palestinos, como o ex-reitor da Unemat Taisir Karim e o marinheiro Yaser Mislé Abdel Azis, além de representantes de outras origens do Oriente Médio, como o desenhista Felintho Gattas Dias.

O legado libanês também marcou a gestão pública, como no caso do ex-prefeito Ivo Scaff, idealizador do Festival de Pesca ao lado dos jornalistas Luizmar Faquini e Marco Antônio Moreira. O evento, que começou de forma modesta, hoje é o maior festival turístico de Mato Grosso.

A cidade também se orgulha de nomes como Luiz Márcio Cebalho El Chamy, considerado um dos melhores gerentes da Caixa Econômica Federal no país, e o desembargador Jones Gattass Dias, reconhecido pela atuação discreta e sólida no Judiciário mato-grossense.

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Com o passar dos anos, a palavra mascate deu lugar a vendedor, mas a essência da atividade permanece. O comércio itinerante continua atuando na distribuição de produtos e no contato direto com diferentes regiões, mantendo viva uma tradição que ajudou a moldar a história econômica e cultural de Cáceres e de todo o estado.

João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Caceres, é filho,  neto, bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.

 

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