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Cáceres, a Princesinha do Rio Paraguai no esplendor da cheia do Pantanal
Por João Arruda
A lâmina da água sangrando à barreira dos 4 metros na Baía que margeia o Centro Histórico de Cáceres (a 210 quilômetro de Cuiabá) exibe um espetáculo que encanta os moradores e visitantes daquele município, que têm o Rio Paraguai como cartão postal somado ao conjunto de casarões bicentenário.
Há vários anos à principal cidade pantaneira no estado do Mato Grosso, não registrava esse índice, quê é coletado diariamente pela tripulação da Marinha do Brasil, e repassada à imprensa e órgãos afins.
Se de um lado o verde da vegetação aquática e ciliar que emoldura as curvas do rio e da baía de Cáceres, emergem dessas matas o triste fenômeno batizado de “decoada”, ou seja as queimadas registradas no Pantanal do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, desde 2019 até 2021, acabou gerando toneladas de cinzas, que com a subida do rio , foram carreadas ao leito do Rio Paraguai, reduzindo drasticamente o oxigênio dizimando os cardumes, sobretudo das espécies de couro que habitam os poços mais profundos, onde os restos de queimadas por consequência se alojam.
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A partir de Cáceres, pescadores relatam quantidade imensa de peixes mortos decorrentes da decoada, numa extensão do rio até às baías de Uberaba e Gaiva, mais ao sul de Cáceres, quase na divisa com Mato Grosso com Mato Grosso do Sul, onde o rio e as baías são compartilhadas meio a meio com a Bolívia, na chamada fronteira hídrica.
Ambientalistas como o guia de pesca Claudionor Duarte, aponta que há um misto de alegria com vigor da cheia no seu ápice, mas por outro lado, a mortandade de peixes, entristece aos ambientalistas, turistas, empresários que atuam no turismo de pesca esportiva, e, principalmente às famílias ribeirinhas que são as mais atingidas, visto que enquanto comunidades tradicionais dependem da fartura de peixes.
Na cidade ninguém fica alheio a situação. No entanto, a prefeitura local, sob gestão da prefeita Eliene Dias através da secretaria de Turismo e Meio Ambiente vem atuando para a realização da quadragésima edição do Festival Internacional de Pesca Esportiva previsto para realizar na última semana de abril avançando até o feriado de primeiro de maio. O Fipe é por décadas considerado o maior evento turístico do Mato Grosso, e um dos maiores do Centro Oeste.
Cláudio Henrique Donatone (Turismo) titular da pasta e o turismlogo Ricardo Vanini(Cultura) atuam em conjunto a outros servidores visando atender as expectativas criadas para a festa que tem como plataforma exatamente o Rio Paraguai.
Princesinha do Paraguai
O apelido de Cáceres, Princesinha do Paraguai, decorre da Guerra do Paraguai (1864/1870), tomar Cáceres, que se chamava Vila Maria do Paraguai, era além, de estratégia uma obsessão do general paraguaio Francisco Solano Lopez, porém os Bugres Pantaneiros como são conhecidos os nativos de Cáceres, usaram a natureza para conter os paraguaios, empurram vegetação sem economia até impedir a passagem de qualquer embarcação nas Baías de Uberaba e Gaiva, assim Cáceres foi à única cidade da fronteira à resistir o jugo do ditador Solano.
A cidade tem uma rua em sua área central que o homenageia à bravura que ficou conhecida como a “Rua da Tapagem ” ,o imortal acadêmico Natalino Ferreira Mendes registrou esse fato que já era descrito por outros historiadores, à obra Efemérides Cacerenses, destaca a Tapagem dizendo Ruas que contam histórias.
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Quarteto de “novos mascates” resgata tradição comercial
Por João Arruda | Cáceres
A cidade de Cáceres, localizada a 210 quilômetros a oeste de Cuiabá, sempre desempenhou papel estratégico desde sua fundação, tanto na rota comercial do país quanto na demarcação da fronteira territorial com a Bolívia. Nesse cenário, o fluxo constante de brasileiros e estrangeiros tornou-se parte da rotina local.
No passado, os vendedores ambulantes, conhecidos como mascates, tiveram grande importância na formação dos primeiros núcleos de povoação de Mato Grosso. Eles percorriam os rios em canoas e batelões durante as expedições monçoeiras, transportando desde lamparinas, medicamentos e munições até tecidos, alimentos e artigos diversos, movimentando a economia regional em um período de escassez de estabelecimentos comerciais.
Com o fim da Guerra do Paraguai, a região recebeu um novo impulso comercial com a chegada de árabes, especialmente libaneses e turcos, povos com tradição no comércio e que se estabeleceram no antigo Mato Grosso. Essa presença se tornou marcante em cidades como Cuiabá, Corumbá, Poconé e, especialmente, Cáceres.
Nesse contexto histórico, o Portal Mato Grosso encontrou no tradicional Bar São Miguel, situado no conhecido quadrilátero árabe de Cáceres, um grupo que se autodenomina os novos mascates. O quarteto é formado por Edilson Silva, conhecido como Kojak, Wanderley Alves Barros, Paulo Barros e Breno Mendes Campos, chamado de Bebezão ou Tim Maia Quinto Neto. Eles atuam no comércio têxtil e viajam constantemente pelo país, mas afirmam estar impressionados com a recepção recebida em Várzea Grande, Cuiabá e Cáceres. Segundo eles, a intenção é encerrar as longas viagens e se estabelecer definitivamente em Mato Grosso.
A influência árabe no município é histórica e pode ser percebida em diversas famílias tradicionais. Entre elas estão os Quidah, da qual descende o advogado Ricardo Quidah; os Massad, com destaque para Adib Massad, figura reconhecida na segurança pública; e os Saab, família da qual fazem parte o historiador Pedro Paulo Pinto de Arruda Saab e o oficial de justiça Agostinho Saab. Também se destacam descendentes palestinos, como o ex-reitor da Unemat Taisir Karim e o marinheiro Yaser Mislé Abdel Azis, além de representantes de outras origens do Oriente Médio, como o desenhista Felintho Gattas Dias.
O legado libanês também marcou a gestão pública, como no caso do ex-prefeito Ivo Scaff, idealizador do Festival de Pesca ao lado dos jornalistas Luizmar Faquini e Marco Antônio Moreira. O evento, que começou de forma modesta, hoje é o maior festival turístico de Mato Grosso.
A cidade também se orgulha de nomes como Luiz Márcio Cebalho El Chamy, considerado um dos melhores gerentes da Caixa Econômica Federal no país, e o desembargador Jones Gattass Dias, reconhecido pela atuação discreta e sólida no Judiciário mato-grossense.
Com o passar dos anos, a palavra mascate deu lugar a vendedor, mas a essência da atividade permanece. O comércio itinerante continua atuando na distribuição de produtos e no contato direto com diferentes regiões, mantendo viva uma tradição que ajudou a moldar a história econômica e cultural de Cáceres e de todo o estado.

João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Caceres, é filho, neto, bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.
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