Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

artigos

Anúncios no ChatGPT: uma nova fronteira para o marketing digital

Publicados

em

Por Rômulo Rampini

Em fase beta, a plataforma utiliza o contexto das conversas para aproximar marcas de consumidores em momentos de pesquisa e decisão.

A publicidade digital acaba de ganhar uma nova frente. O ChatGPT Ads começou a ser disponibilizado no Brasil em 11 de agosto de 2026, ainda em fase beta, permitindo que empresas exibam anúncios dentro de uma das plataformas de inteligência artificial mais utilizadas do mundo.

Aqui na agência, já iniciamos os primeiros testes. Entrar neste momento tem um objetivo claro: entender como a plataforma distribui os anúncios, avaliar a qualidade das oportunidades e construir experiência prática antes que esse novo espaço se torne mais concorrido.

O principal diferencial está na forma como a publicidade é selecionada. No Google, boa parte da estratégia começa pelas palavras-chave. Na Meta, trabalhamos com interesses, comportamentos e públicos. No ChatGPT, a proposta parte principalmente do contexto e da intenção identificada durante uma conversa.

O anunciante informa temas e situações em que seu produto ou serviço pode ser relevante. A plataforma chama essas informações de “dicas de contexto”. Elas não funcionam como palavras-chave exatas e também não garantem que o anúncio aparecerá sempre que determinado assunto for mencionado.

O sistema analisa a conversa, a mensagem do anúncio e a página de destino para entender se existe compatibilidade entre o problema apresentado pelo usuário e a solução oferecida pela empresa.

Essa mudança é importante porque a marca pode aparecer enquanto o consumidor ainda está pesquisando, comparando alternativas, organizando uma necessidade ou se preparando para tomar uma decisão. É uma publicidade baseada menos em quem a pessoa é e mais naquilo que ela está tentando resolver.

O ChatGPT Ads oferece campanhas cobradas por impressões ou cliques. Nas campanhas de cliques, a recomendação inicial de lance fica entre US$ 3 e US$ 5, com investimento mínimo diário informado de US$ 25 por campanha. A entrega acontece por meio de um leilão que considera não apenas o valor investido, mas também a qualidade e a relevância do anúncio. Portanto, oferecer o maior lance não garante, sozinho, a exibição. Uma mensagem mais coerente com a conversa pode competir melhor do que uma publicidade genérica com orçamento superior.

Leia mais:  Ferir quem cuida é ferir a saúde de todos

A plataforma permite acompanhar impressões, cliques, investimento e conversões. Também oferece recursos para mensurar cadastros, compras, solicitações de contato e outras ações realizadas depois que a pessoa acessa a página do anunciante.

Os anúncios aparecem separados das respostas orgânicas e identificados como conteúdo patrocinado. Segundo a OpenAI, eles não interferem na elaboração das respostas. Os anunciantes também não recebem acesso às conversas, memórias, históricos ou dados pessoais dos usuários.

A maior oportunidade está no momento em que a publicidade pode aparecer. Muitas pessoas já utilizam o ChatGPT para entender problemas, pesquisar serviços, comparar produtos e pedir recomendações antes de uma compra.

Isso cria um novo ponto de contato entre a descoberta e a busca tradicional. A empresa pode entrar na jornada enquanto o consumidor ainda está formando seus critérios e avaliando qual caminho seguir. Mas é importante manter os pés no chão. Ainda é cedo para considerar o ChatGPT Ads um substituto do Google ou da Meta.

A plataforma está em desenvolvimento, possui audiência publicitária limitada e ainda precisa comprovar sua capacidade de gerar resultados consistentes em diferentes segmentos.

Os anúncios não são exibidos em todos os planos. Existem também restrições envolvendo menores de 18 anos, política, saúde e outros temas sensíveis. Formatos, regras e possibilidades de segmentação ainda podem mudar durante a fase beta.

Por isso, transferir imediatamente uma parcela elevada do orçamento de canais consolidados seria precipitado. O caminho mais seguro é reservar uma verba de teste, preparar uma página de destino adequada, configurar a mensuração e comparar a qualidade dos resultados.

Leia mais:  O aplauso não paga o cachê

O ChatGPT Ads não representa apenas o surgimento de mais uma plataforma.

Ele inaugura uma lógica de publicidade baseada na compreensão do problema apresentado pelo consumidor durante uma conversa.

Isso exigirá novas competências das agências e dos profissionais de marketing. Não bastará selecionar públicos ou comprar palavras-chave. Será necessário compreender quais dúvidas antecedem uma compra, quais conversas revelam intenção comercial e em quais momentos uma marca realmente pode agregar valor.

Aqui na agência, já começamos esse trabalho na prática. Estamos testando contextos, mensagens, páginas de destino e formas de mensuração para entender como transformar conversas em oportunidades comerciais. Estar presente desde o início nos permite construir experiência real, antecipar mudanças e manter nossos clientes na ponta da inovação.

Ainda é cedo para afirmar qual será o tamanho do ChatGPT Ads no mercado. Também seria irresponsável recomendar que as empresas abandonem Google e Meta para apostar todas as fichas em uma plataforma que ainda está em fase beta.

Mas existe uma diferença entre agir com cautela e chegar atrasado. Aqui na agência, escolhemos começar agora, com testes controlados, investimento responsável e atenção aos resultados. No marketing digital, quem espera uma mudança se consolidar para somente depois aprender normalmente entra quando a concorrência já entendeu o caminho.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produção, pesquisa e atendimento. Com os anúncios no ChatGPT, ela também começou a se transformar em mídia.

Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo Sebrae-MT e diretor da agência 3TRÊS.

Propaganda

artigos

A empresa que o jovem de hoje procura para trabalhar

Publicados

em

Por Iara Oliveira

Se, por muito tempo, a principal pergunta no mercado de trabalho era se o jovem estava preparado para a empresa, hoje chegamos ao momento de inverter a questão: as empresas estão preparadas para receber e manter o jovem que desejam contratar?

A provocação não pretende transferir responsabilidades. Pelo contrário, reconhece que a empregabilidade é uma construção conjunta, mas os desafios mudaram. Assim como o jovem precisa desenvolver competências para ingressar no mercado, as organizações também precisam compreender quem é essa nova geração, quais são suas expectativas e o que faz com que ela escolha e permaneça em uma empresa.

Os números do Ministério do Trabalho e Emprego atestam essa mudança.

O Brasil possui, hoje, 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos. Desse total, 12,8 milhões apenas estudam e 4,3 milhões estudam e trabalham. Ao todo, 73% concluíram pelo menos o ensino médio, sinal de que essa geração aposta na educação para construir a carreira.

Ao contrário de alguns estereótipos, os dados mostram que o jovem brasileiro quer estudar, quer trabalhar e quer construir um futuro profissional. O desafio não está na falta de interesse, mas na qualidade das oportunidades oferecidas e, principalmente, na capacidade de transformar a primeira contratação em uma trajetória de desenvolvimento.

Esse ponto fica ainda mais evidente quando observamos a pesquisa nacional realizada pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) com quase 9 mil jovens brasileiros. Entre os fatores que mais influenciam na escolha de uma empresa para trabalhar, 54% apontaram a oportunidade de crescimento profissional, enquanto 43% citaram remuneração e benefícios. O ambiente de trabalho vem em seguida, mencionado por 31% dos entrevistados.

Leia mais:  Agosto Dourado: Amamentar é Construir Saúde, Sustentabilidade e Futuro

Esse resultado desmonta a ideia de que essa geração está interessada apenas em salários mais altos ou em benefícios diferenciados. O que ela procura é perspectiva. Quer enxergar evolução, aprendizado e possibilidades concretas de desenvolvimento. Tanto que 98% dos jovens afirmam sonhar em trabalhar em empresas que incentivem seu desenvolvimento profissional. Da mesma forma, 98% consideram importante que as organizações valorizem os jovens, e sete em cada dez evitam trabalhar em locais cujos valores não estejam alinhados aos seus.

Ou seja, o jovem de hoje não escolhe apenas um emprego. Ele opta por um ambiente em que acredita que poderá crescer.

Esse cenário traz uma reflexão importante para as empresas. Hoje, enquanto a empresa avalia o jovem, o jovem também avalia a empresa. Ele observa a cultura organizacional, a forma como as lideranças conduzem as equipes, as oportunidades de aprendizagem, o respeito às pessoas, a preocupação com a saúde mental e o espaço para construir uma carreira. Atrair talentos não se limita mais à oferta de uma vaga. Passou a depender da experiência proporcionada ao longo da jornada profissional.

Os próprios dados do Ministério do Trabalho reforçam esse desafio.

Embora o desemprego entre os jovens venha caindo nos últimos anos, a taxa de desocupação entre as pessoas de 18 a 24 anos ainda é mais que o dobro da média nacional. Cerca de 38,2% dos jovens permanecem menos de um ano no mesmo emprego, o que mostra que o desafio atual já não é apenas abrir portas de entrada, mas criar condições para que elas sigam abertas.

Leia mais:  Ferir quem cuida é ferir a saúde de todos

A maior transformação da empregabilidade não está mais em saber se o jovem está preparado para ingressar no mercado de trabalho. Isso continua relevante, mas não é tudo. Tão ou mais importante agora é conseguir responder à pergunta: as empresas estão prontas para receber e manter o jovem profissional?

Em um mercado em que o talento também escolhe onde quer estar, compreender esse cenário não pode ser um diferencial, mas uma condição básica para formar profissionais, fortalecer organizações e construir um futuro mais sustentável para o trabalho.

Iara Oliveira é supervisora do CIEE em Mato Grosso.

 

CIEE 62 anos: Imparável
Desde sua fundação, o Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE, maior ONG de inclusão social e trabalho jovem da América Latina, se dedica à capacitação profissional de jovens e adolescentes. A instituição, responsável pela inserção de 7 milhões de brasileiros no mundo do trabalho, mantém uma série de ações socioassistenciais voltada à promoção do conhecimento e fortalecimento de vínculos de populações prioritárias.

Continue lendo

Polícia

MATO GROSSO

Política Nacional

AGRO & NEGÓCIOS

ESPORTES

VARIEDADES

CIDADES

Mais Lidas da Semana