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BRASIL E MUNDO

Wi-Fi público pode expor senhas, dados bancários e informações pessoais 

Especialista em Ciência da Computação alerta para os riscos das redes de hotéis e aeroportos e orienta como proteger celulares e notebooks

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Foto: Unsplash

A cena é comum durante as férias ou em viagens a trabalho: ao chegar ao aeroporto ou fazer o check-in no hotel, uma das primeiras atitudes do viajante é procurar uma rede Wi-Fi disponível. A facilidade de acesso à internet, no entanto, pode esconder riscos à segurança de dados pessoais, bancários e até informações corporativas.

De acordo com Nisston Moraes, doutor em Ciência da Computação e professor dos cursos de Tecnologia da Informação da Estácio, um dos principais erros dos usuários é acreditar que a estrutura ou a reputação do local garantem a segurança da conexão.

“Muita gente acha que, porque o hotel é sofisticado ou o aeroporto é internacional, a rede de internet é automaticamente segura. Mas isso não é verdade. Os riscos são reais e o usuário precisa estar atento antes de se conectar”, alerta o especialista.

Entre as ameaças está o chamado ataque “homem no meio”, conhecido na área de segurança digital como man-in-the-middle. Nesse tipo de ação, o criminoso se conecta à mesma rede da vítima e tenta se posicionar digitalmente entre o aparelho e a infraestrutura de conexão, com o objetivo de interceptar informações transmitidas.

“É como se o criminoso estivesse acompanhando o que o usuário envia e recebe. Dependendo da segurança da conexão e dos serviços acessados, informações podem ficar expostas”, explica Nisston.

Outro golpe comum é o chamado “gêmeo malvado”. Nesse caso, o criminoso cria uma rede Wi-Fi falsa com um nome muito semelhante ao da conexão oficial do aeroporto, hotel, restaurante ou outro espaço público. Uma letra ou caractere diferente pode passar despercebido e levar o usuário a se conectar à rede fraudulenta.

“O viajante acredita que entrou no Wi-Fi oficial, mas pode estar se conectando a uma infraestrutura criada pelo golpista para interceptar dados ou direcioná-lo a páginas falsas. Por isso, é fundamental confirmar o nome exato da rede antes de conectar o aparelho”, orienta.

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Senhas e dados bancários estão entre as informações em risco

Segundo o professor, ataques a redes públicas não dependem necessariamente de estruturas complexas como as retratadas em filmes. Ferramentas capazes de analisar o tráfego de redes estão cada vez mais acessíveis, o que amplia a necessidade de cuidados por parte dos usuários.

“Existe uma ideia de que, para hackear um celular, o criminoso precisa ser um gênio da computação diante de uma tela cheia de códigos. A realidade é diferente. Hoje

existem ferramentas disponíveis na internet que facilitam diversos tipos de ataques”, afirma Nisston.

Em redes vulneráveis, criminosos podem tentar capturar o tráfego de dados e explorar falhas de segurança. Senhas de redes sociais e e-mails, informações pessoais e dados inseridos em páginas falsas estão entre os principais alvos.

O risco é ainda maior quando o usuário realiza operações financeiras ou compras utilizando conexões desconhecidas. Acessar aplicativos bancários, fazer transferências ou inserir dados do cartão em ambientes inseguros pode aumentar a exposição a tentativas de fraude.

Para quem viaja a trabalho, o problema pode ultrapassar os prejuízos individuais. “Ao acessar documentos da empresa ou e-mails corporativos em uma rede comprometida, o usuário pode se tornar uma porta de entrada para ataques contra a organização onde trabalha”, destaca o professor.

Dados como CPF e número do passaporte também podem ser alvo de criminosos, principalmente por meio de páginas falsas que simulam cadastros obrigatórios para liberar o acesso à internet.

VPN e dados móveis ajudam a reduzir os riscos

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Apesar dos perigos, o especialista reforça que não é necessário permanecer desconectado durante toda a viagem. Algumas medidas simples podem reduzir significativamente a exposição.

A primeira recomendação é utilizar uma VPN, sigla em inglês para Rede Privada Virtual. A tecnologia cria uma conexão protegida para o tráfego de dados, dificultando a leitura das informações por terceiros.

“É possível pensar na VPN como um túnel protegido para os dados. Mesmo diante de uma rede comprometida, a criptografia dificulta que o criminoso consiga interpretar as informações que estão sendo transmitidas”, explica Nisston.

Para operações mais sensíveis, como acessar o aplicativo do banco, fazer um Pix ou realizar compras online, a recomendação é evitar o Wi-Fi público e utilizar a rede móvel 4G ou 5G. Em viagens internacionais, chips locais ou eSIMs também podem ser alternativas.

Outra medida importante é desativar a conexão automática a redes abertas nas configurações do celular e do notebook. Segundo o professor, manter essa função ativa pode fazer com que o aparelho se conecte a redes desconhecidas sem que o usuário perceba. Confirmar o nome e, quando houver, a senha da rede diretamente com funcionários do hotel ou do estabelecimento também ajuda a evitar o golpe do “gêmeo malvado”.

Por fim, Nisston recomenda atenção aos sites acessados. O usuário deve verificar se a página utiliza HTTPS e observar os indicadores de segurança apresentados pelo navegador. Ainda assim, o especialista reforça que esses elementos não substituem os demais cuidados, especialmente em redes públicas.

“A prevenção é a melhor ferramenta do viajante. Com medidas simples, é possível proteger os dados, reduzir o risco de prejuízos financeiros e aproveitar a viagem com muito mais tranquilidade”, conclui Nisston Moraes.

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Brasil condena revogação do visto de embaixadora nos EUA e acusa governo Trump de agir de forma hostil

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O governo brasileiro criticou a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi anunciada nesta terça-feira (4) pelo Departamento de Estado norte-americano, que atribuiu a decisão à demora de Brasília em conceder o agrément ao diplomata indicado pelo governo de Donald Trump para ocupar a embaixada dos EUA no Brasil.

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o governo brasileiro classificou como falsas as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e afirmou que a decisão representa mais um agravamento nas relações entre os dois países.

“O Governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington. As duas justificativas apresentadas são falsas”, informou o comunicado.

Segundo o Palácio do Planalto, os Estados Unidos violaram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas ao divulgar o nome do indicado antes da aprovação formal do governo brasileiro. A regra, de acordo com a nota, determina que a identidade do candidato só deve ser tornada pública após a concessão da anuência pelo país anfitrião.

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O governo também ressaltou que o pedido norte-americano continua em análise e afirmou que não existe prazo previsto na Convenção de Viena para a concessão do agrément.

Brasil aponta interferência nas eleições

Na manifestação, o governo brasileiro também mencionou a decisão de negar a entrada de dois funcionários dos Estados Unidos. De acordo com a Presidência, a presença dos norte-americanos no Brasil teria como objetivo questionar a lisura do sistema eleitoral do país.

A nota afirmou ainda que haveria uma tentativa indevida de interferência na próxima eleição presidencial brasileira.

Para o governo, a revogação do visto da embaixadora não deve ser analisada como um episódio isolado. O Planalto classificou a medida como parte de uma sequência de ações consideradas hostis e motivadas por divergências ideológicas.

“A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo”, declarou o governo.

Sanções contra autoridades brasileiras

A Presidência também lembrou que autoridades brasileiras, incluindo integrantes do governo e ministros do Supremo Tribunal Federal, permanecem submetidas a sanções previstas na Lei Magnitsky. As medidas foram impostas pelos Estados Unidos em reação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

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Apesar do aumento da tensão diplomática, o governo brasileiro afirmou que continua buscando uma solução negociada para os conflitos. A nota destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria tratado do assunto diretamente com Donald Trump durante visita a Washington, em maio, quando pediu o fim das sanções individuais aplicadas a autoridades brasileiras.

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