BRASIL E MUNDO
Wi-Fi público pode expor senhas, dados bancários e informações pessoais
Especialista em Ciência da Computação alerta para os riscos das redes de hotéis e aeroportos e orienta como proteger celulares e notebooks
A cena é comum durante as férias ou em viagens a trabalho: ao chegar ao aeroporto ou fazer o check-in no hotel, uma das primeiras atitudes do viajante é procurar uma rede Wi-Fi disponível. A facilidade de acesso à internet, no entanto, pode esconder riscos à segurança de dados pessoais, bancários e até informações corporativas.
De acordo com Nisston Moraes, doutor em Ciência da Computação e professor dos cursos de Tecnologia da Informação da Estácio, um dos principais erros dos usuários é acreditar que a estrutura ou a reputação do local garantem a segurança da conexão.
“Muita gente acha que, porque o hotel é sofisticado ou o aeroporto é internacional, a rede de internet é automaticamente segura. Mas isso não é verdade. Os riscos são reais e o usuário precisa estar atento antes de se conectar”, alerta o especialista.
Entre as ameaças está o chamado ataque “homem no meio”, conhecido na área de segurança digital como man-in-the-middle. Nesse tipo de ação, o criminoso se conecta à mesma rede da vítima e tenta se posicionar digitalmente entre o aparelho e a infraestrutura de conexão, com o objetivo de interceptar informações transmitidas.
“É como se o criminoso estivesse acompanhando o que o usuário envia e recebe. Dependendo da segurança da conexão e dos serviços acessados, informações podem ficar expostas”, explica Nisston.
Outro golpe comum é o chamado “gêmeo malvado”. Nesse caso, o criminoso cria uma rede Wi-Fi falsa com um nome muito semelhante ao da conexão oficial do aeroporto, hotel, restaurante ou outro espaço público. Uma letra ou caractere diferente pode passar despercebido e levar o usuário a se conectar à rede fraudulenta.
“O viajante acredita que entrou no Wi-Fi oficial, mas pode estar se conectando a uma infraestrutura criada pelo golpista para interceptar dados ou direcioná-lo a páginas falsas. Por isso, é fundamental confirmar o nome exato da rede antes de conectar o aparelho”, orienta.
Senhas e dados bancários estão entre as informações em risco
Segundo o professor, ataques a redes públicas não dependem necessariamente de estruturas complexas como as retratadas em filmes. Ferramentas capazes de analisar o tráfego de redes estão cada vez mais acessíveis, o que amplia a necessidade de cuidados por parte dos usuários.
“Existe uma ideia de que, para hackear um celular, o criminoso precisa ser um gênio da computação diante de uma tela cheia de códigos. A realidade é diferente. Hoje
existem ferramentas disponíveis na internet que facilitam diversos tipos de ataques”, afirma Nisston.
Em redes vulneráveis, criminosos podem tentar capturar o tráfego de dados e explorar falhas de segurança. Senhas de redes sociais e e-mails, informações pessoais e dados inseridos em páginas falsas estão entre os principais alvos.
O risco é ainda maior quando o usuário realiza operações financeiras ou compras utilizando conexões desconhecidas. Acessar aplicativos bancários, fazer transferências ou inserir dados do cartão em ambientes inseguros pode aumentar a exposição a tentativas de fraude.
Para quem viaja a trabalho, o problema pode ultrapassar os prejuízos individuais. “Ao acessar documentos da empresa ou e-mails corporativos em uma rede comprometida, o usuário pode se tornar uma porta de entrada para ataques contra a organização onde trabalha”, destaca o professor.
Dados como CPF e número do passaporte também podem ser alvo de criminosos, principalmente por meio de páginas falsas que simulam cadastros obrigatórios para liberar o acesso à internet.
VPN e dados móveis ajudam a reduzir os riscos
Apesar dos perigos, o especialista reforça que não é necessário permanecer desconectado durante toda a viagem. Algumas medidas simples podem reduzir significativamente a exposição.
A primeira recomendação é utilizar uma VPN, sigla em inglês para Rede Privada Virtual. A tecnologia cria uma conexão protegida para o tráfego de dados, dificultando a leitura das informações por terceiros.
“É possível pensar na VPN como um túnel protegido para os dados. Mesmo diante de uma rede comprometida, a criptografia dificulta que o criminoso consiga interpretar as informações que estão sendo transmitidas”, explica Nisston.
Para operações mais sensíveis, como acessar o aplicativo do banco, fazer um Pix ou realizar compras online, a recomendação é evitar o Wi-Fi público e utilizar a rede móvel 4G ou 5G. Em viagens internacionais, chips locais ou eSIMs também podem ser alternativas.
Outra medida importante é desativar a conexão automática a redes abertas nas configurações do celular e do notebook. Segundo o professor, manter essa função ativa pode fazer com que o aparelho se conecte a redes desconhecidas sem que o usuário perceba. Confirmar o nome e, quando houver, a senha da rede diretamente com funcionários do hotel ou do estabelecimento também ajuda a evitar o golpe do “gêmeo malvado”.
Por fim, Nisston recomenda atenção aos sites acessados. O usuário deve verificar se a página utiliza HTTPS e observar os indicadores de segurança apresentados pelo navegador. Ainda assim, o especialista reforça que esses elementos não substituem os demais cuidados, especialmente em redes públicas.
“A prevenção é a melhor ferramenta do viajante. Com medidas simples, é possível proteger os dados, reduzir o risco de prejuízos financeiros e aproveitar a viagem com muito mais tranquilidade”, conclui Nisston Moraes.
BRASIL E MUNDO
Brasil celebra Nossa Senhora Aparecida; feriado nacional
O Brasil celebra nesta segunda-feira (12.10) o Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira oficial do país. O feriado nacional, que coincide com o Dia das Crianças, encerra o feriado prolongado iniciado na sexta-feira (9.10) e deve movimentar estradas, terminais rodoviários e templos em todo o território nacional.
A devoção à santa tem origem em outubro de 1717, às margens do rio Paraíba, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Os pescadores Domingos Garcia, João Alves e José Alves haviam sido acionados para fornecer peixes ao banquete do conde de Assumar, então governador da capitania de São Paulo e Minas Gerais. Depois de horas de pesca sem resultado, João Alves retirou das águas o corpo de uma pequena imagem de barro e, em novo lançamento da rede, encontrou a cabeça da peça. Recolhida a imagem, a rede dos pescadores encheu de peixes.
A escultura de terracota, com cerca de 36 centímetros e coloração escura, representa Nossa Senhora da Conceição. Ficou conhecida como a santa que “apareceu” no rio — origem do nome Aparecida — e passou a atrair fiéis atraídos pelos relatos de graças e milagres atribuídos à imagem. Em 1904, ela foi coroada oficialmente, com uma coroa ofertada pela princesa Isabel.
A crescente romaria levou à construção, em 1745, de uma capela no Porto Itaguassú, local do achado. A devoção seguiu se espalhando pelo país e, em 1928, a então vila de Itaguassú passou a se chamar Aparecida. Em 1955 teve início a construção da Basílica Nacional, erguida para acolher o número cada vez maior de romeiros.
O reconhecimento oficial veio em etapas. Em 16 de maio de 1931, o presidente Getúlio Vargas declarou Nossa Senhora da Conceição Aparecida padroeira oficial do Brasil. Décadas depois, a Lei nº 6.802, de 1980, transformou o 12 de outubro em feriado nacional. No mesmo ano, o papa João Paulo II, em visita ao Brasil, consagrou a Basílica Nacional de Aparecida.
Hoje, o Santuário Nacional é o segundo maior templo católico do mundo, atrás apenas da Basílica de São Pedro, em Roma, com capacidade para cerca de 45 mil pessoas. O complexo recebe aproximadamente 12 milhões de romeiros por ano, e no dia da padroeira centenas de milhares de fiéis se deslocam até a cidade do Vale do Paraíba paulista para acompanhar as celebrações.
A programação inclui missas ao longo de todo o dia, além de romarias, caminhadas e motociatas que partem de diversas regiões do país. Paróquias de todos os estados também realizam celebrações próprias em honra à padroeira.
Com o feriado caindo na segunda-feira, o fim de semana prolongado deve intensificar a movimentação nas rodovias e nos terminais de passageiros, tanto de quem segue em peregrinação até o santuário quanto de quem aproveita a data para viajar.
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