CIDADES
TCE-MT aprova contas de Vila Rica, Bom Jesus do Araguaia e Luciara
A realização de ações de prevenção à violência contra a mulher e o bom desempenho alcançado no Índice de Gestão Fiscal (IGF-M) contribuíram para a emissão de parecer prévio favorável à aprovação das contas de governos dos municípios de Vila Rica, Bom Jesus do Araguaia e Luciara, referentes ao exercício de 2025, pelo Plenário do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Relatadas pelo conselheiro Guilherme Antonio Maluf, as contas foram apreciadas durante sessão ordinária da última terça-feira (6).
Em atenção à Lei Federal 14.164/2021, que prevê a realização de ações de prevenção à violência contra a mulher, os três municípios comprovaram a realização da Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher, iniciativa de caráter orientativo que busca promover a reflexão crítica sobre a prevenção e enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres.
A saúde financeira também foi evidenciada nos resultados fiscais. Bom Jesus do Araguaia atingiu a nota 0,87 (Conceito A — Excelente Gestão), enquanto Vila Rica e Luciara alcançaram a pontuação de 0,66 (Conceito B — Boa Gestão).
Vila Rica
Com receita de R$ 185,6 milhões, o município de Vila Rica empenhou R$ 152,5 milhões em despesas, resultando em superávit orçamentário de aproximadamente R$ 7,2 milhões. A gestão municipal também encerrou o exercício com disponibilidade líquida positiva.
“O Quociente da Situação Financeira (QSF), de 5,3102, evidencia superávit financeiro e adequada capacidade de cobertura das obrigações de curto prazo, demonstrando que o município dispõe de R$ 5,31 para cada R$ 1,00 de passivo circulante”, destacou o relator.
Vila Rica também atendeu a todos os limites e percentuais constitucionais e legais. Na Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), aplicou 26,11% da receita de impostos, acima do mínimo constitucional de 25%. Na remuneração dos profissionais da educação básica, o município empenhou 71,69% dos recursos oriundos do Fundeb, superando o mínimo de 70%. Nas ações e serviços públicos da saúde, também superou o percentual constitucional de 15%, ao destinar 22,88% dos recursos arrecadados à área.
A gestão ainda comprometeu 38,47% da Receita Corrente Líquida (RCL) com gastos com o Poder Executivo, permanecendo abaixo do limite máximo da LRF (54%) e do limite de alerta (48,6%).
No Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP), o município alcançou o nível Ouro (89,05%).
Bom Jesus do Araguaia
O orçamento do município para 2025 foi de R$ 97,9 milhões e as despesas somaram R$ 90,7 milhões, resultando em superávit de aproximadamente R$ 13,7 milhões. “O superávit financeiro apurado no final do exercício de 2025 e a situação consolidada orçamentária e financeira superavitária demonstram capacidade financeira global para fazer frente às obrigações assumidas”, destacou o conselheiro.
Com relação aos limites e percentuais legais e constitucionais, o gestor aplicou 18,67% em ações e serviços públicos de saúde, 26,62% na manutenção e no desenvolvimento do ensino e destinou 93,02% dos recursos do Fundeb à remuneração dos profissionais da educação básica em efetivo exercício. O gasto com pessoal do Poder Executivo correspondeu a 39,3% da RCL.
Luciara
O orçamento do município foi de R$ 45,1 milhões, com despesa de R$ 41,35 milhões, o que gerou um superávit de R$ 1,83 milhão. O município também atendeu integralmente aos limites e percentuais constitucionais e legais, com destinação de 20,77% das receitas de impostos às ações e serviços de saúde; 26,11% à manutenção e ao desenvolvimento do ensino (MDE); 72,12% dos recursos do Fundeb à remuneração dos profissionais do magistério; e 30,21% da RCL às despesas com o Poder Executivo.
“Ressalto ainda que as contas apresentam aspectos positivos relevantes: a Dívida Consolidada Líquida negativa; o cumprimento da meta de resultado primário; a disponibilidade de caixa para o pagamento dos restos a pagar em todas as fontes de recursos; a situação financeira superavitária; e a evolução da transparência pública ao nível Prata”, pontuou o relator.
O relator acolheu o parecer do Ministério Público de Contas (MPC) nas contas de Vila Rica e parcialmente nas de Bom Jesus do Araguaia e Luciara, manifestando-se pela emissão de parecer prévio favorável à aprovação. A decisão foi acompanhada, por unanimidade, pelo Plenário.
CIDADES
Tribunal de Contas aprova com ressalvas contas de Alto Araguaia, Ponte Branca e Pontal do Araguaia
Por unanimidade, o Plenário do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) emitiu parecer prévio favorável, com ressalvas, à aprovação das contas de governo de Alto Araguaia, Ponte Branca e Pontal do Araguaia, referentes ao exercício de 2025. Sob relatoria do conselheiro Waldir Júlio Teis, os processos foram apreciados na sessão ordinária desta terça-feira (6).
Nos três municípios, o relator constatou o cumprimento dos limites constitucionais e legais de aplicação em educação e saúde, de gastos com pessoal e de repasses ao Poder Legislativo.
Alto Araguaia
Em Alto Araguaia, foram aplicados 28,65% da receita resultante de impostos em educação, acima do mínimo constitucional de 25%. O município também destinou 77,44% dos recursos do Fundeb à remuneração dos profissionais da educação básica, superando o mínimo de 70%, e aplicou 24,83% em saúde, diante do piso de 15%. As despesas com pessoal do Poder Executivo corresponderam a 44,74% da receita corrente líquida, abaixo do limite de 54%.
A receita arrecadada somou R$ 186,1 milhões, equivalente a 71,86% da previsão. Ainda assim, o município registrou superávit orçamentário de R$ 29,6 milhões e encerrou o exercício com R$ 15,1 milhões em caixa livre. A receita própria representou 24,40% da arrecadação, maior índice entre os municípios relatados por Teis até o momento.
O voto recomenda que a prefeitura acompanhe a disponibilidade financeira de cada fonte de recursos e orienta o cumprimento do prazo constitucional para o repasse do duodécimo ao Legislativo. As recomendações incluem a eliminação da fila por vagas em creches e o reforço das ações de controle das arboviroses.
Durante a sessão, o conselheiro Guilherme Antonio Maluf chamou atenção para o déficit atuarial de R$ 157,5 milhões do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de Alto Araguaia. Ele propôs a inclusão de uma determinação para que a prefeitura apresente, em 120 dias, um plano de recuperação. A sugestão foi acolhida pelo relator.
Ponte Branca
Em Ponte Branca, a aplicação em educação chegou a 28,02%, enquanto 105,13% dos recursos do Fundeb foram destinados à remuneração dos profissionais da educação básica. Na saúde, o percentual aplicado foi de 23,38%. As despesas com pessoal do Executivo corresponderam a 30,40% da receita corrente líquida.
A arrecadação alcançou 102,07% do valor previsto. O município registrou superávit orçamentário de R$ 162,7 mil e superávit financeiro de R$ 7,35 milhões. Para cada R$ 1 em restos a pagar, havia R$ 13,50 em disponibilidade financeira.
As dívidas de curto prazo também recuaram 69,28% em relação a 2024. Apesar dos resultados positivos, a receita própria representou apenas 8,5% da arrecadação total.
Para Teis, o baixo nível de arrecadação própria pode representar um desafio para Ponte Branca diante das mudanças trazidas pela Reforma Tributária. Por isso, o voto traz recomendações para ampliar a capacidade de arrecadação do município.
“Recomendo medidas simples e de baixo custo, compatíveis com o porte do município, como mutirões de negociação fiscal, protesto das certidões de dívida ativa e atualização do cadastro imobiliário, capazes de reduzir a inadimplência e ampliar a receita própria sem elevar a carga tributária da população”, destacou.
Pontal do Araguaia
Em Pontal do Araguaia, foram aplicados 27,90% em educação, 95,23% dos recursos do Fundeb na remuneração dos profissionais da educação básica e 16,58% em saúde. As despesas com pessoal do Executivo ficaram em 32,64% da receita corrente líquida.
A arrecadação correspondeu a 77,14% do valor previsto. No voto, Teis chamou a atenção para o volume de alterações orçamentárias, que alcançou 101,85% do valor inicialmente fixado. Para ele, as mudanças demonstram fragilidade no planejamento do orçamento municipal.
“Pode-se concluir que o planejamento inicial sofreu mais de 100% de alterações. Isso demonstra que as decisões são tomadas de ‘afogadilho’, o que não é bom, pois dessa forma fica difícil desenvolver programas estruturados que possam implementar políticas públicas mais eficientes”, apontou.
Pontal do Araguaia encerrou o exercício com R$ 5 milhões em caixa livre e não contratou empréstimos em 2025. A disponibilidade financeira também supera o valor da dívida consolidada.
O voto recomenda que a Câmara Municipal determine à prefeitura que inscreva despesas em restos a pagar somente quando houver recursos disponíveis na fonte correspondente. A gestão também deverá acompanhar individualmente as fontes de recursos para evitar a formação de déficits.
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