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Tribunal de Contas aprova com ressalvas contas de Alto Araguaia, Ponte Branca e Pontal do Araguaia

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Conselheiro-relator, Waldir Teis | Foto: Thiago Bergamasco

Por unanimidade, o Plenário do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) emitiu parecer prévio favorável, com ressalvas, à aprovação das contas de governo de Alto Araguaia, Ponte Branca e Pontal do Araguaia, referentes ao exercício de 2025. Sob relatoria do conselheiro Waldir Júlio Teis, os processos foram apreciados na sessão ordinária desta terça-feira (6).

Nos três municípios, o relator constatou o cumprimento dos limites constitucionais e legais de aplicação em educação e saúde, de gastos com pessoal e de repasses ao Poder Legislativo.

Alto Araguaia

Em Alto Araguaia, foram aplicados 28,65% da receita resultante de impostos em educação, acima do mínimo constitucional de 25%. O município também destinou 77,44% dos recursos do Fundeb à remuneração dos profissionais da educação básica, superando o mínimo de 70%, e aplicou 24,83% em saúde, diante do piso de 15%. As despesas com pessoal do Poder Executivo corresponderam a 44,74% da receita corrente líquida, abaixo do limite de 54%.

A receita arrecadada somou R$ 186,1 milhões, equivalente a 71,86% da previsão. Ainda assim, o município registrou superávit orçamentário de R$ 29,6 milhões e encerrou o exercício com R$ 15,1 milhões em caixa livre. A receita própria representou 24,40% da arrecadação, maior índice entre os municípios relatados por Teis até o momento.

O voto recomenda que a prefeitura acompanhe a disponibilidade financeira de cada fonte de recursos e orienta o cumprimento do prazo constitucional para o repasse do duodécimo ao Legislativo. As recomendações incluem a eliminação da fila por vagas em creches e o reforço das ações de controle das arboviroses.

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Durante a sessão, o conselheiro Guilherme Antonio Maluf chamou atenção para o déficit atuarial de R$ 157,5 milhões do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de Alto Araguaia. Ele propôs a inclusão de uma determinação para que a prefeitura apresente, em 120 dias, um plano de recuperação. A sugestão foi acolhida pelo relator.

Ponte Branca

Em Ponte Branca, a aplicação em educação chegou a 28,02%, enquanto 105,13% dos recursos do Fundeb foram destinados à remuneração dos profissionais da educação básica. Na saúde, o percentual aplicado foi de 23,38%. As despesas com pessoal do Executivo corresponderam a 30,40% da receita corrente líquida.

A arrecadação alcançou 102,07% do valor previsto. O município registrou superávit orçamentário de R$ 162,7 mil e superávit financeiro de R$ 7,35 milhões. Para cada R$ 1 em restos a pagar, havia R$ 13,50 em disponibilidade financeira.

As dívidas de curto prazo também recuaram 69,28% em relação a 2024. Apesar dos resultados positivos, a receita própria representou apenas 8,5% da arrecadação total.

Para Teis, o baixo nível de arrecadação própria pode representar um desafio para Ponte Branca diante das mudanças trazidas pela Reforma Tributária. Por isso, o voto traz recomendações para ampliar a capacidade de arrecadação do município.

“Recomendo medidas simples e de baixo custo, compatíveis com o porte do município, como mutirões de negociação fiscal, protesto das certidões de dívida ativa e atualização do cadastro imobiliário, capazes de reduzir a inadimplência e ampliar a receita própria sem elevar a carga tributária da população”, destacou.

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Pontal do Araguaia

Em Pontal do Araguaia, foram aplicados 27,90% em educação, 95,23% dos recursos do Fundeb na remuneração dos profissionais da educação básica e 16,58% em saúde. As despesas com pessoal do Executivo ficaram em 32,64% da receita corrente líquida.

A arrecadação correspondeu a 77,14% do valor previsto. No voto, Teis chamou a atenção para o volume de alterações orçamentárias, que alcançou 101,85% do valor inicialmente fixado. Para ele, as mudanças demonstram fragilidade no planejamento do orçamento municipal.

“Pode-se concluir que o planejamento inicial sofreu mais de 100% de alterações. Isso demonstra que as decisões são tomadas de ‘afogadilho’, o que não é bom, pois dessa forma fica difícil desenvolver programas estruturados que possam implementar políticas públicas mais eficientes”, apontou.

Pontal do Araguaia encerrou o exercício com R$ 5 milhões em caixa livre e não contratou empréstimos em 2025. A disponibilidade financeira também supera o valor da dívida consolidada.

O voto recomenda que a Câmara Municipal determine à prefeitura que inscreva despesas em restos a pagar somente quando houver recursos disponíveis na fonte correspondente. A gestão também deverá acompanhar individualmente as fontes de recursos para evitar a formação de déficits.

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CIDADES

TCE-MT aprova contas de Porto Estrela, Rosário Oeste e São Pedro da Cipa; Barão de Melgaço recebe ressalvas

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Conselheiro do TCE-MT, José Carlos Novelli | Foto: Tony Ribeiro

Com superávit na execução orçamentária e capacidade financeira para saldar os compromissos de curto prazo, as contas anuais de governo dos municípios de Porto Estrela, Rosário Oeste e São Pedro da Cipa receberam parecer prévio favorável à aprovação do Plenário do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Na mesma sessão ordinária, realizada nesta terça-feira (6), o balanço de Barão de Melgaço recebeu parecer prévio favorável à aprovação com ressalvas. Os quatro processos são de relatoria do conselheiro José Carlos Novelli.

“Do conjunto de aspectos examinados, ressalto que os gestores foram diligentes ao aplicar os recursos nas áreas de educação e saúde, obedecendo aos percentuais mínimos constitucionais e legais. Similarmente, as despesas com pessoal foram realizadas em conformidade com os limites estabelecidos na Lei Complementar n.º 101/2000, enquanto os repasses ao Legislativo observaram o limite máximo constitucional”, sustentou o relator.

Porto Estrela 

Em Porto Estrela, a execução orçamentária apresentou superávit de R$ 3,4 milhões. No Índice de Gestão Fiscal dos Municípios (IGFM), alcançou 0,74 ponto, classificado no conceito B, de “Boa Gestão”. Na avaliação da transparência pública, obteve nível “Ouro”, com índice de 85,22%.

Na educação, foram aplicados 25,60% da receita, atendendo ao mínimo constitucional de 25%, enquanto 99,97% dos recursos destinados à remuneração do magistério foram aplicados na finalidade, superando o mínimo de 70%. Na saúde, o percentual foi de 19,44%, também acima do mínimo de 15%. As despesas com pessoal do Poder Executivo corresponderam a 47,27% da Receita Corrente Líquida, dentro do limite legal de 54%, enquanto os repasses ao Poder Legislativo alcançaram 6,48%, respeitando o limite de 7%.

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Na educação infantil, o relatório técnico apontou a existência de 11 crianças sem acesso e atendimento na primeira infância. Segundo o relator, a situação deverá ser solucionada com a inauguração de uma nova creche, com capacidade para 50 crianças, número superior à demanda atual e suficiente para zerar a fila.

Rosário Oeste 

Rosário Oeste apresentou superávit de execução orçamentária de quase R$ 3 milhões e alcançou 0,65 ponto no IGFM, obtendo conceito B, de “Boa Gestão”. Na avaliação da transparência pública, recebeu classificação “Ouro”, com índice de 87,83%.

Em 2025, o município destinou 29,18% dos recursos à manutenção e desenvolvimento do ensino e 79,19% à remuneração do magistério. Na saúde, foram aplicados 34,37% dos recursos, mais do que o dobro do mínimo constitucional. As despesas com pessoal do Poder Executivo corresponderam a 45,82% da Receita Corrente Líquida, enquanto os repasses ao Legislativo ficaram em 6,82%.

Na educação infantil, foram identificadas 19 crianças sem acesso e atendimento na primeira infância. Diante do cenário, o relator recomendou que a administração municipal adote medidas para garantir o atendimento de toda a demanda e zerar a fila ainda em 2026.

Na área da saúde, destacaram-se positivamente os indicadores de Cobertura da Atenção Básica, Cobertura Vacinal Média, Número de Médicos por Habitantes e Percentual de Casos de Hanseníase com Grau 2 de Incapacidade.

São Pedro da Cipa 

São Pedro da Cipa apresentou superávit de R$ 2,1 milhões na execução orçamentária e 0,90 ponto no IGFM, classificado no conceito A, que indica “Gestão de Excelência”. Na avaliação da transparência pública, obteve nível “Diamante”, com índice de 95,18%.

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Na educação, foram aplicados 32,34% dos recursos, enquanto 92,09% foram destinados à remuneração do magistério. Na saúde, o percentual de aplicação foi de 15,85%. As despesas com pessoal do Poder Executivo representaram 32,86% da Receita Corrente Líquida e os repasses ao Legislativo corresponderam a 3,88%.

O município não apresentou, em 2025, crianças sem acesso e atendimento à educação na primeira infância. Na saúde, o conselheiro considerou em seu voto as recomendações das equipes técnicas, como a revisão de prioridades, o reforço da atenção básica e a ampliação do impacto das ações de prevenção e vigilância, com atenção especial ao indicador de Taxa de Detecção de Hanseníase.

Barão de Melgaço

Em Barão de Melgaço, a execução orçamentária também foi superavitária, com resultado positivo de R$ 2,3 milhões. Na educação, foram aplicados 40,02% dos recursos, enquanto a remuneração do magistério alcançou 90,89%. Na saúde, o percentual foi de 15,44%. As despesas com pessoal do Poder Executivo representaram 47,27% da Receita Corrente Líquida e os repasses ao Poder Legislativo corresponderam a 5,43%, dentro dos limites legais.

Na educação infantil, não foram identificadas crianças sem acesso e atendimento na primeira infância em 2025.

No caso das contas de Porto Estrela, Rosário Oeste e São Pedro da Cipa, Novelli seguiu integralmente o parecer do Ministério Público de Contas (MPC-MT). Já em relação a Barão de Melgaço, seguiu parcialmente o parecer ministerial. Seu voto foi acompanhado por unanimidade do Plenário na apreciação dos quatro balanços.

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