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Ciência, pesquisa e compromisso caminhando juntos pelo Pantanal

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Por Leandro Battirola

O Pantanal é uma das maiores riquezas naturais do planeta. Sua imensidão abriga uma enorme biodiversidade, paisagens que encantam o mundo e uma cultura construída a partir da convivência respeitosa entre o homem e a natureza. Mas conservar esse patrimônio requer conhecimento, responsabilidade e ação coletiva.

É justamente dessa compreensão que nasce o Programa Guardiões do Pantanal, iniciativa do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP) que será lançada no próximo dia 30 de junho. Esse Programa de educação ambiental, representa um compromisso com o futuro, capaz de aproximar a ciência da sociedade e despertar, especialmente nas novas gerações, o sentimento de pertencimento e corresponsabilidade pela conservação do bioma.

Ao longo dos anos, pesquisadores têm produzido conhecimentos fundamentais sobre o funcionamento do Pantanal, sua biodiversidade, a importância das áreas úmidas, desafios climáticos e estratégias de conservação. No entanto, para que a ciência cumpra plenamente seu papel transformador, ela precisa ultrapassar os limites dos laboratórios e chegar às salas de aula, às famílias e às comunidades. O conhecimento ganha potência quando é compartilhado.

O Programa Guardiões do Pantanal tem exatamente esse propósito, de transformar informações técnico-científicas em conteúdos acessíveis, atrativos e inclusivos para crianças do 5º ao 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. E-books ilustrados, audiolivros, materiais didáticos, jogos educativos e produções audiovisuais farão parte desse universo de descobertas, sempre disponibilizados gratuitamente e adaptados com recursos de acessibilidade, como audiodescrição, legendas e tradução para a Língua Brasileira de Sinais.

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Ao estimular a curiosidade científica desde cedo, o Programa contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e preparados para compreender a importância das áreas úmidas, como o Pantanal e muitas outras, os impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas e na nossa sociedade, e a necessidade de práticas sustentáveis para construir um futuro melhor. As crianças terão a oportunidade de conhecer a fauna, a flora e os aspectos ecológicos do Pantanal, ampliando seu vocabulário científico e entendendo como a pesquisa pode influenciar decisões locais, políticas públicas e iniciativas comunitárias.

Mais do que transmitir informações, a proposta é inspirar. Inspirar o cuidado, a investigação, a valorização dos saberes tradicionais e o orgulho de pertencer a uma região cuja identidade está profundamente ligada à preservação da natureza. A integração entre conhecimento científico e cultura pantaneira fortalece vínculos afetivos com o território, e reforça que conservar é também preservar histórias, modos de vida e heranças coletivas.

Os desafios ambientais contemporâneos exigem novas formas de comunicação, cooperação e aprendizagem. Aproximar a ciência das pessoas além de ser uma estratégia educativa, é também uma necessidade para a construção de sociedades mais conscientes, participativas e comprometidas com o desenvolvimento sustentável.

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Ao investir na popularização da ciência, o INPP reafirma que a pesquisa científica deve ir muito além dos espaços acadêmicos. Ela deve inspirar escolhas, orientar atitudes e formar cidadãos capazes de compreender que cada ação individual pode contribuir para a proteção de um patrimônio natural que pertence a todos nós.

O Pantanal precisa de pesquisadores, educadores, gestores públicos e comunidades atuando em sintonia. Precisa, sobretudo, de novos guardiões. E talvez o maior legado desse Programa seja justamente esse, mostrar às crianças e aos jovens que cuidar do Pantanal é também cuidar do próprio futuro.

Porque ciência, pesquisa e compromisso com o futuro caminham juntos. E é nesse encontro entre conhecimento e pertencimento que nascem as transformações mais duradouras.

Leandro Battirola é Diretor do Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal – INPP

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A Maçonaria Especulativa

Os manuscritos Regius e Cooke fazem parte desse registro

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Por Cícero Ramos

Pedreiros medievais já possuíam formas próprias de organização, aprendizagem e transmissão do conhecimento. Trabalhavam em canteiros, estabeleciam regras para o exercício da profissão e construíram uma memória do próprio ofício. Os manuscritos Regius e Cooke fazem parte desse registro, reunindo normas de comportamento, referências à geometria e narrativas sobre a antiguidade e a importância da arte da construção.

No final do século XVI, a Escócia oferece uma documentação particularmente importante para acompanhar a história das lojas. William Schaw, Mestre das Obras da Coroa Escocesa e ligado à corte de James VI, aparece no centro desse período. Os Estatutos de 1598 e 1599 estabeleceram regras para os pedreiros e suas lojas, tratando da aprendizagem, disciplina, registro de nomes e marcas e demonstração de habilidades. Eram normas dirigidas ao ofício, numa época em que as lojas continuavam ligadas ao trabalho da pedra.

Os anos de 1598 e 1599 se tornaram referência para os estudos sobre a passagem à chamada Maçonaria Especulativa. Trata-se de uma convenção historiográfica. As expressões Maçonaria Operativa e Maçonaria Especulativa ajudam a organizar períodos e características para fins de estudo, mas não significam que os homens reunidos naquelas lojas compreendessem a si mesmos dessa maneira. Os Estatutos de Schaw não criaram uma nova Maçonaria por decreto. O que veio depois seria construído ao longo do século XVII.

Entre as práticas documentadas na Escócia estava o chamado Mason Word, associado a formas de reconhecimento e aos segredos compartilhados entre os membros do ofício. Nesse período também começam a aparecer homens de outras profissões. John Boswell, proprietário das terras de Auchinleck, é um dos primeiros casos conhecidos. Em 8 de junho de 1600, participou de uma reunião da Loja de Edimburgo realizada no Palácio de Holyroodhouse, na presença de Schaw. Boswell não era pedreiro e deixou uma marca junto à sua assinatura. Sua presença está documentada; a condição exata em que participou daquela reunião, porém, não pode ser estabelecida com a mesma segurança.

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Em 20 de maio de 1641, Sir Robert Moray, oficial do exército escocês, foi admitido em Newcastle, numa reunião ligada à Loja de Edimburgo. Cinco anos depois, Elias Ashmole, antiquário e estudioso inglês, registrou em seu diário que havia sido feito Free Mason em Warrington, em 16 de outubro de 1646. Entre os homens identificados naquela reunião não aparecem pedreiros de profissão.

Seria um erro, porém, contar essa história apenas por meio de nomes conhecidos como Boswell, Moray e Ashmole. Documentos escoceses do período mencionam entre os admitidos um homem ligado à produção e ao comércio de malte, um tecelão e um estalajadeiro. Aberdeen oferece um quadro ainda mais variado. Uma relação da loja, tradicionalmente atribuída a 1670, mas provavelmente compilada no final da década de 1680, reúne 49 integrantes de diferentes atividades, entre eles nobres e proprietários de terras, religiosos, um professor de matemática, um advogado, comerciantes, pedreiros e trabalhadores de outros ofícios.

Tudo isso ocorria numa Europa em que matemática, geometria, arquitetura, filosofia moral e tradições da Antiguidade despertavam renovado interesse. Neoplatonismo, hermetismo e arquitetura simbólica também circulavam naquele ambiente intelectual. A presença dessas correntes, contudo, não permite estabelecer por si só uma influência direta sobre as primeiras lojas.

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Esquadro, compasso e pedra pertenciam ao cotidiano dos construtores muito antes das interpretações morais encontradas posteriormente na Maçonaria. Com o tempo, essas ferramentas também receberam significados simbólicos: o esquadro foi associado à retidão; o compasso, à medida e ao domínio de si; a pedra, ao aperfeiçoamento humano. Essas associações aparecem de maneira mais explícita na literatura maçônica do século XVIII, mas os registros disponíveis não permitem apontar quando cada ferramenta começou a adquirir determinado significado moral.

Os pedreiros não desapareceram quando homens de outras profissões passaram a frequentar as lojas. Em muitas delas, na Escócia, os profissionais do ofício continuaram predominantes até o início do século XVIII e, em alguns casos, por mais tempo. Durante décadas dividiram esses espaços com comerciantes, artesãos, proprietários, militares e homens ligados à vida intelectual.

Estabelecer uma fronteira precisa entre o “operativo” e o “especulativo” é difícil justamente porque essas realidades conviveram. Os Estatutos de Schaw fazem de 1598 e 1599 referências para compreender esse processo; Boswell, Moray, Ashmole e Aberdeen mostram a presença de homens de outras profissões nas décadas seguintes. Os trabalhadores da pedra, porém, permaneceram nas lojas e, em muitos casos, continuaram predominantes até o início do século XVIII.

Cícero Ramos é engenheiro florestal e vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (AMEF).

 

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