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A construção civil precisa parar de normalizar atrasos
Por Leandro Guimarães
A construção civil brasileira segue demonstrando resiliência mesmo diante de um cenário econômico desafiador. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de 2% para o setor em 2026, impulsionado principalmente pelo crédito imobiliário e pelos investimentos em infraestrutura. Nesse ambiente cada vez mais competitivo, um problema ainda persiste: os atrasos tratados como normalidade.
Em Mato Grosso, por exemplo, onde o crescimento econômico acelerou a demanda por moradia, eficiência operacional deixou de ser apenas diferencial competitivo. Passou a ser necessidade estratégica.
O avanço do setor acompanha um mercado imobiliário em expansão. Em Cuiabá, o segmento movimentou R$ 5,7 bilhões em 2025, segundo dados do Sindicato da Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MT). Ao mesmo tempo, aumentaram as cobranças por previsibilidade, capacidade de entrega e controle de custos.
Durante décadas, consolidou-se no setor a ideia de que uma obra possui data para começar, mas não necessariamente para terminar. Esse modelo, porém, já não se sustenta em um ambiente que exige produtividade, planejamento e gestão eficiente.
Existe uma percepção equivocada de que processos tornam as operações mais burocráticas e lentas. Na prática, acontece justamente o contrário. Empresas que investem em padronização, acompanhamento técnico e integração operacional conseguem reduzir desperdícios, minimizar retrabalho e aumentar produtividade sem comprometer a qualidade.
Velocidade não significa correria. Velocidade é consequência de organização. Obras excessivamente longas quase sempre revelam falhas ocultas, ausência de planejamento, desalinhamento entre equipes, baixa integração operacional e dificuldade na tomada de decisão. Já operações estruturadas conseguem manter ritmo produtivo elevado com previsibilidade e estabilidade.
E existe um fator central nessa discussão. O tempo também representa o resultado financeiro. Na construção civil, reduzir o ciclo de execução impacta diretamente a liquidez e a sustentabilidade das empresas. Quanto maior a eficiência operacional, menor tende a ser a exposição a custos indiretos, oscilações econômicas e aumentos sucessivos de insumos.
Esse cenário ganhou ainda mais peso nos últimos anos. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acumulou alta de 6,28% em 12 meses, refletindo a pressão sobre materiais, logística, combustíveis e mão de obra.
Em um ambiente de custos elevados, obras demoradas deixam de representar apenas atraso operacional e passam a comprometer competitividade. Por isso, eficiência operacional não deve ser tratada apenas como pauta técnica da engenharia. Trata-se de estratégia de negócio.
A construção civil vive uma necessária evolução nos métodos executivos, nos sistemas construtivos e nos modelos de gestão. A busca por industrialização, inovação e novas tecnologias deixou de ser tendência e passou a ser requisito para empresas que desejam crescer de forma sustentável.
A construção civil possui papel fundamental no desenvolvimento econômico e social do país. E quanto mais eficiente e preparada ela for, maior será sua capacidade de entregar não apenas empreendimentos, mas confiança e estabilidade para milhares de famílias.
No fim, construir vai muito além da execução de uma obra. Construir é transformar planejamento em realidade, e isso só acontece de forma consistente quando existe excelência operacional sustentando cada etapa do processo.
Leandro Guimarães é diretor operacional da GRF Incorporadora, empresa mato-grossense que constrói moradias populares no Brasil e tem como um dos pilares de valor a agilidade.
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O segredo da longevidade está no movimento
Por Matheus Andrade Macedo
O Brasil vive a era da longevidade. Chegar aos 80 ou 90 anos deixou de ser uma exceção e tornou-se uma realidade palpável para grande parte da população. No entanto, o aumento da expectativa de vida traz um questionamento fundamental: nós estamos vivendo mais anos com saúde ou apenas estendendo o tempo de doença? Sob a ótica da Ortopedia e Traumatologia, a resposta para essa pergunta não está nos remédios do futuro, mas sim nas escolhas que fazemos no presente para proteger a nossa estrutura: os ossos, os músculos e as articulações.
A perda de autonomia na velhice está diretamente ligada à falha do aparelho locomotor. Sem mobilidade, o idoso se isola, perde independência e fica vulnerável a complicações graves. E promover o envelhecimento saudável significa ensinar a população a construir, desde cedo, uma “poupança” musculoesquelética.
Para entender como envelhecer com saúde ortopédica, precisamos combater dois processos naturais, mas que podem se tornar patológicos se negligenciados: A Osteoporose, que é a perda gradual da densidade mineral dos ossos, que os torna porosos e frágeis como vidro e a Sarcopenia, que é a perda progressiva e generalizada da massa, força e função muscular que acompanha o envelhecimento.
Muitas pessoas acreditam que a caminhada leve é o suficiente para a terceira idade. Embora o exercício aeróbico seja excelente para o coração, o osso e o músculo precisam de carga e estímulo mecânico para se manterem fortes. É por isso que os exercícios de resistência, como a musculação, o pilates e o treinamento funcional adaptado, são os verdadeiros pilares da longevidade ortopédica. Músculos fortes protegem as articulações (reduzindo as dores da artrose) e funcionam como um “escudo protetor” para os ossos em caso de quedas.
Construir um esqueleto resiliente exige consistência em hábitos diários com uma nutrição direcionada, construída com a ingestão de laticínios e vegetais escuros, provendo o cálcio do osso; exposição solar, visto que o sol é o principal ativador da Vitamina D no organismo (Cerca de 15 a 20 minutos diários de exposição nos braços e pernas em horários seguros são fundamentais para a saúde óssea) e o treinamento de força e equilíbrio, que, além de fortalecer a musculatura, a atividade física melhora a propriocepção, que é a capacidade do cérebro de reconhecer a posição do corpo no espaço, crucial para manter o equilíbrio e evitar tropeços.
Dados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) apontam que 40% dos idosos com mais de 80 anos sofrem pelo menos uma queda ao ano. Na ortopedia, sabemos que uma queda na terceira idade pode resultar em fraturas graves, como a de fêmur, cuja recuperação é complexa e limita severamente a qualidade de vida.
Prevenir acidentes domésticos é muito importante e pequenas modificações na arquitetura da casa reduzem drasticamente o risco de quedas, como eliminar tapetes soltos, investimento em uma boa iluminação noturna e a instalação de barras de apoio principalmente no box e próximos ao vaso sanitário, bem como os pisos estritamente antiderrapantes.
A velhice saudável não é um golpe de sorte ou genética; é o resultado de uma construção diária. Como ortopedista, o nosso objetivo vai muito além de tratar fraturas ou realizar cirurgias de alta complexidade. Nosso maior triunfo é conscientizar a população de que o corpo humano foi feito para o movimento.
Nunca é tarde para começar a cuidar da estrutura que te carrega pelo mundo. Ao investir na sua saúde musculoesquelética hoje, você garante que os anos extras que a medicina nos deu serão preenchidos com passeios, abraços, autonomia e, acima de tudo, dignidade.
Dr. Matheus Andrade Macedo é médico ortopedista, especialista em trauma ortopédico, reconstrução e alongamento ósseo e cirurgia do quadril
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