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Canetas emagrecedoras e saúde da tireoide: o que é mito e o que é verdade?

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Por Mariana Ramos

A tireoide é uma pequena glândula com grande impacto sobre o funcionamento do organismo. Responsável pela produção de hormônios que regulam o metabolismo, ela interfere diretamente em funções como controle do peso, disposição, temperatura corporal, funcionamento intestinal e saúde cardiovascular. O Dia Mundial da Tireoide, celebrado em 25 de maio, reforça a importância da conscientização e dos cuidados com a saúde tireoidiana.
Neste ano, um dos temas mais atuais relacionados à endocrinologia envolve as chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Esses medicamentos têm transformado o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, mas também despertaram dúvidas e preocupações, especialmente sobre possíveis efeitos na tireoide.

A principal inquietação surgiu a partir de estudos realizados em animais, nos quais doses elevadas de medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 foram associadas ao desenvolvimento de tumores em células específicas da tireoide, conhecidas como células C, responsáveis pela produção da calcitonina. A partir desses achados, as bulas passaram a recomendar cautela para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, um tipo raro de câncer, e para pacientes com síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2, conhecida como MEN2.

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Apesar desse alerta, é importante esclarecer que, até o momento, os estudos em pessoas não mostraram aumento claro do risco de câncer de tireoide relacionado ao uso dessas medicações. Isso acontece porque o organismo humano responde de forma diferente daquela observada nos estudos com animais. Em termos práticos, isso significa que o aviso existe por precaução, mas não há evidências consistentes de que essas medicações causem câncer de tireoide na população em geral.

Para a maioria dos pacientes com doenças tireoidianas, como hipotireoidismo, hipertireoidismo, nódulos benignos ou tireoidite de Hashimoto, o tratamento pode ser realizado com segurança, desde que haja acompanhamento médico. Inclusive, pessoas que fazem uso de levotiroxina e mantêm a função da tireoide controlada podem se beneficiar dessas terapias, quando bem indicadas.

O que exige maior atenção não é apenas o medicamento em si, mas o uso indiscriminado e sem supervisão. Nos últimos anos, a procura pelas canetas emagrecedoras cresceu significativamente, muitas vezes motivada por objetivos estéticos e pela influência das redes sociais. Sem uma avaliação clínica adequada, o tratamento pode ser iniciado em pessoas com contraindicações, doenças não diagnosticadas ou expectativas incompatíveis com a realidade.

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Antes da prescrição, o endocrinologista analisa o histórico pessoal e familiar e avalia se existe alguma condição de saúde que exija cuidados ou investigação adicional antes do início do tratamento. Esse cuidado é fundamental para garantir segurança e melhores resultados

Também é importante lembrar que, embora a tireoide tenha papel relevante no metabolismo, ela raramente é a única responsável pelo excesso de peso. A obesidade é uma doença complexa e multifatorial, influenciada por fatores genéticos, hormonais, comportamentais, emocionais e ambientais. Por isso, o tratamento deve sempre ser individualizado e baseado em uma abordagem ampla.

O Dia Mundial da Tireoide é uma oportunidade para reforçar a importância do diagnóstico precoce e do acesso à informação de qualidade. Em um cenário marcado pela rápida circulação de conteúdos nas redes sociais, esclarecer dúvidas com base em evidências científicas é essencial para que as pessoas tomem decisões seguras sobre a própria saúde.

Quando indicadas corretamente e acompanhadas por um especialista, as canetas emagrecedoras representam um importante avanço no tratamento da obesidade e podem trazer benefícios significativos à saúde metabólica, sem representar risco para a tireoide na grande maioria dos pacientes.

Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
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Nova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa

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Por Giovana Fortunato
Ainda sem data de lançamento no mercado, o medicamento fezoniletanto apresentou resultados satisfatórios em estudos clínicos realizados com mais de 3 mil mulheres
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma nova medicação não hormonal para controlar ondas de calor e suores noturnos, sintomas associados à menopausa que afetam cerca de 80% das mulheres entre 40 e 65 anos.

O  medicamento é uma alternativa para quem não pode se beneficiar ou não responde efetivamente ao tratamento de reposição hormonal. Apesar do aval da Anvisa, ainda não há definição de preço nem data oficial de lançamento da nova droga no mercado brasileiro.

O medicamento fezoniletanto, que chega ao mercado com o nome de Veoza, foi desenvolvido pelo laboratório Astellas Farma. A nova droga atua no sistema nervoso, limitando manifestações vasomotoras, como fogachos, em mulheres que estão na transição para a menopausa e mesmo na pós-menopausa. No Brasil, mais de um terço delas apresenta ocorrências de moderadas a intensas, justamente o alvo do novo tratamento.

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Os principais incômodos do climatério, associados à paralisação na produção de hormônios femininos pelos ovários, são ondas de calor, suores frios, alterações de humor e também do sono. O declínio hormonal tem repercussão nos circuitos cerebrais que regulam a temperatura corporal, gerando os chamados sintomas vasomotores.

As ondas de calor e/ou suores noturnos associados à menopausa têm duração mediana de 7,4 anos. Em algumas mulheres podem persistir por uma década ou mais, comprometendo atividades diárias, qualidade do sono e de vida.

A aprovação da Anvisa considerou três estudos clínicos sobre o fezoniletanto que envolveram mais de 3 mil participantes. A medicação reduziu significativamente a frequência das ondas de calor e/ou suores noturnos.

A dosagem ministrada em 4 semanas levou à redução de 55% da frequência dos sintomas vasomotores. Em 12 semanas, o estudo revelou resultados ainda melhores: 64%. Como evidência, considerou-se que o medicamento diminuiu a intensidade média dos sintomas vasomotores para níveis leves a moderados.

Como benefícios adicionais, observados na quarta e na décima segunda semanas, mulheres que fizeram uso da nova droga apresentaram melhora na qualidade do sono, diminuição no comprometimento das atividades diárias e do trabalho e ganhos em qualidade de vida.

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O fezoniletanto desponta como alternativa para mulheres que não podem fazer reposição hormonal, devido a contraindicações como câncer de mama, infarto e histórico de trombose, e mesmo a pacientes que não obtiveram sucesso com terapia de hormônios.

Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade, e professora da UFMT.
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