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Pelo fim dos combustíveis fósseis

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Por Juacy da Silva

“A era dos combustíveis fósseis está chegando ao fim. O Sol está nascendo para uma nova era de energias limpas. O fim da era dos combustíveis fósseis está chegando. É imparável. Os países que se agarram aos combustíveis fósseis não estão a proteger suas economias, estão a sabotá-las, aumentando os custos e enfraquecendo a energia renovável, que já é mais rentável. A era do aquecimento global acabou; a era da ebulição global chegou. Basta de queimar nosso futuro.” António Guterres, Secretário-Geral da ONU, em diversos momentos de 2024-2025.

A transição energética mundial é um desafio urgente, que não pode ser postergado, tendo em vista o agravamento da crise climática decorrente do aumento da produção e uso de combustíveis fósseis, responsáveis por mais de 80% das emissões de gases de efeito estufa, a principal causa da crise climática.

Sem abandonar o uso dos combustíveis fósseis, todas as demais providências ou ações para reduzir o aquecimento global, que provoca a crise climática e suas consequências, tornam-se praticamente ineficazes, pois estaríamos agindo apenas sobre os 20% das demais origens e causas, deixando de lado o que de fato está destruindo o planeta.

Embora o tema dos combustíveis fósseis fosse abordado timidamente em COPs anteriores, a primeira vez que uma proposta clara e robusta para o fim do uso de todos os combustíveis fósseis (phase-out) foi colocada em pauta — e rejeitada no documento final, gerando grande controvérsia — foi na COP27, em Sharm el-Sheikh, Egito (2022).

Na COP30, em novembro de 2025, em Belém, novamente esse assunto foi rejeitado, principalmente pelos países que mais poluem o planeta, que mais emitem gases de efeito estufa decorrentes do uso de combustíveis fósseis, inclusive o Brasil.

A posição do Brasil tem sido extremamente contraditória. De um lado, mantém o discurso oficial de sustentabilidade; de outro, tenta fortalecer a Petrobras, cujo objetivo estratégico é tornar-se a quarta maior empresa produtora de petróleo e gás natural do planeta.

Para tentar minimizar essa postura contraditória, o país busca equilibrar o discurso de sustentabilidade em relação à Amazônia e sua matriz energética baseada em fontes renováveis, enquanto segue explorando petróleo no pré-sal e na região setentrional da foz do Amazonas.

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A chamada derrota em Belém na COP30 ocorreu quando, ao final da conferência, o documento aprovado em 22 de novembro de 2025 omitiu qualquer menção explícita à eliminação gradual (phase-out) ou ao fim dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural).

Essa resistência demonstra claramente que os países que mais poluem e destroem o planeta, principalmente os integrantes do G20 — com destaque para China, Estados Unidos, Índia, Rússia e União Europeia — são também os que mais resistem e boicotam uma transição energética justa e livre de combustíveis fósseis.

Os relatórios mais recentes de monitoramento de emissões mostram que China, Estados Unidos, Índia, Rússia e União Europeia continuam sendo os maiores emissores mundiais, representando coletivamente mais de 60% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Com base em dados preliminares de 2025, os países do G20 continuam sendo os maiores emissores globais de gases de efeito estufa e, portanto, os principais responsáveis por cerca de 75% a 80% das emissões globais.

Entre 2000 e 2025, as emissões globais aumentaram mais de 50%, passando de 25,5 bilhões para 38,6 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente. Em 1972, na 1ª Conferência Mundial sobre Meio Ambiente, o volume era de 16,2 bilhões de toneladas. Em 1992, na ECO-92, subiu para 22,7 bilhões. Em 2015, ano do Acordo de Paris, chegou a 35,2 bilhões.

A dominância dos combustíveis fósseis nos últimos 75 anos pode ser constatada na matriz energética: de cerca de 85% a 90% nos anos 1970 para 81% em 2025. Em 75 anos, a redução foi mínima. Mantido esse ritmo, precisaremos de mais de um século para concluir a transição — tempo suficiente para elevar a temperatura média da Terra em 3°C ou 4°C, inviabilizando a vida no planeta.

As energias renováveis representavam apenas 19% da matriz em 2025, ilustrando que ainda não conseguiram substituir de forma efetiva os combustíveis fósseis.

Grandes interesses econômicos e poderosos lobbies sustentam o uso dos combustíveis fósseis, influenciando políticas públicas e garantindo subsídios bilionários.

Os subsídios aos combustíveis fósseis superaram US$ 7 trilhões em 2024, podendo alcançar US$ 7,6 trilhões em 2026.

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O Brasil segue essa tendência: foram R$ 80 bilhões em subsídios em 2023; R$ 47 bilhões em 2024; R$ 49,2 bilhões em 2025. Em 2026, com a instabilidade causada pelas guerras da Ucrânia e do Oriente Médio, impostos foram reduzidos, ampliando os subsídios indiretos.

Mesmo com sucessivos fracassos em definir uma data para abandonar os fósseis, esse objetivo permanece fundamental para mobilizar a opinião pública mundial.

Entre 24 e 29 de abril de 2026, ocorreu em Santa Marta, na Colômbia, a 1ª Conferência da Transição pelo Fim dos Combustíveis Fósseis, com apoio dos governos da Colômbia e da Holanda, além de diversas organizações internacionais.

Apesar do fracasso da COP30, esse encontro histórico reuniu os principais defensores da transição energética livre de combustíveis fósseis, reconhecendo a urgência de mudanças significativas.

A transição energética — com abandono total dos combustíveis fósseis, de forma justa, ordenada e planejada — é o único caminho para um desenvolvimento sustentável, baseado em carbono zero, justiça climática e soberania energética.

Não existe sustentabilidade ecológica enquanto o mundo seguir dependente de combustíveis fósseis, que alimentam o que o Papa Francisco chama de “economia da morte”.

Seguindo essa linha, o Papa Leão XIV tem exortado cristãos e demais fiéis a refletirem sobre os males causados pelos combustíveis fósseis. Segundo ele: “Os combustíveis fósseis pertencem ao passado. O futuro deve ser alimentado por energia limpa e renovável. A criação está clamando em inundações, secas, tempestades e calor insuportável. Somos guardiões da criação, não rivais pelos seus despojos.”

Se a dependência continuar, submetendo o mundo a interesses econômicos que ignoram os clamores da Terra, dos pobres e das futuras gerações, a humanidade corre o risco real de não ter futuro sustentável.

Este é o sentido e a esperança da luta pelo fim dos combustíveis fósseis. Cabe a nós enfrentá-la, aqui e agora, a partir de cada território e cada iniciativa.

Juacy da Silva é  professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro-Oeste – E-mail: [email protected]Instagram: @profjuacy – WhatsApp: 65 9 9272 0052

 

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Menopausa e hipertensão

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Por Giovana Fortunato

A hipertensão arterial é considerada o principal fator de risco para as doenças cardiovasculares , como o infarto do miocárdio e o derrame cerebral. Estas doenças, são as principais causas de morte em nosso país. A estimativa de hipertensão arterial na A hipertensão arterial atinge cerca de 27,9% a 30% da população adulta brasileira, segundo dados do Vigitel 2023 e Agência Brasil .  A condição é mais prevalente em mulheres e aumenta com a idade e menor escolaridade. Algumas estimativas apontam que a doença afeta mais de 50 milhões de brasileiros, sendo um fator de risco crítico para AVC e infarto.

Entretanto, taxas mais elevadas foram encontradas em estudos realizados na cidade do Rio de Janeiro em 1990 e no Estado de São Paulo (25%).
A prevalência da hipertensão arterial aumenta progressivamente com a idade, sendo superior a 50% entre os idosos.
Até os 55 anos de idade, um maior percentual de homens têm hipertensão arterial . Entre 55 a 74 anos, o percentual de mulheres é discretamente maior e, acima dos 75 anos, 0 predomínio no sexo feminino significativamente superior.Assim, cerca de 80% das mulheres, eventualmente, desenvolverão hipertensão arterial na fase da menopausa e a incidência de hipertensão arterial aumenta tanto com a idade quanto com o início da fase pós-menopausa. A hipertensão arterial contribui para cerca de 35% de todos os eventos cardiovasculares e cerca de 45% dos casos de infarto não-diagnosticados em mulheres, elevando o risco de doença coronariana em quatro vezes quando comparada a mulheres normotensas.

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A presença da associação de fatores de risco à hipertensão arterial, muitas vezes na síndrome metabólica, como a dislipidemia (anormalidades do colesterol), resistência insulínica (ação inadequada do hormônio que permite a entrada do açúcar para dentro das células), intolerância à glicose e a obesidade abdominal, aumentam o potencial aterogênico ( formação de placas de gordura nas artérias) . Estes achados são considerados os principais mecanismos para aparecimento das doenças cardiovasculares em mulheres.

Assim, o tratamento anti-hipertensivo com medicamentos, concomitante às modificações nos hábitos de vida, tem demonstrado ser uma intervenção significativa para a prevenção de eventos cardiovasculares em mulheres hipertensas.

Existem várias medidas que as mulheres podem adotar para melhorar o controle da pressão arterial e reduzir os riscos associados. Uma dieta saudável, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras, e com restrição de sódio, gorduras saturadas e colesterol, é especialmente recomendada. Inclusive, há uma dieta específica para pessoas hipertensas, conhecida como DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension). Além disso, a prática regular de atividade física pode contribuir significativamente para o controle da pressão arterial.

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Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade, e professora da UFMT.
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