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O papo que rola na internet… Cuidado

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Por Fábio Monteiro

Há algo de sedutor na velocidade com que determinadas tendências digitais se instauram. Em questão de horas, um formato se espalha, uma frase se repete, um roteiro se consolida e, quase que de maneira automática, perfis pessoais e institucionais passam a reproduzi-lo como se ali estivesse uma oportunidade irrecusável de visibilidade ou retorno financeiro. É o caso recente de trends como o “dizem por aí”, “o papo que rola na internet” ou a chamada “trend dos filhos”, que rapidamente dominaram o ambiente das redes sociais, impulsionados por uma lógica simples, acessível e altamente replicável.

Mas é justamente nessa aparente simplicidade que reside o risco.

A adesão imediata, sem reflexão, costuma ser movida por um impulso que privilegia o alcance em detrimento da coerência. Publica-se porque está em alta, porque todos estão fazendo, porque o algoritmo parece favorecer. No entanto, há uma dimensão que frequentemente é negligenciada nesse processo: o que realmente agrega para a sua imagem e reputação.

Nem tudo o que gera engajamento fortalece posicionamento.

Existe uma diferença abissal entre ser visto e ser reconhecido. A visibilidade, por si só, pode ser efêmera e, em certos casos, até contraproducente. Já o reconhecimento exige consistência, intencionalidade e, sobretudo, alinhamento entre o conteúdo produzido e a identidade que se deseja consolidar. Quando esse alinhamento se rompe, o resultado pode ser um ruído difícil de corrigir.

O problema não está na tendência em si, mas na ausência de critério ao adotá-la.

Antes de incorporar qualquer formato viral, é indispensável que se faça uma leitura mais profunda. Esse conteúdo dialoga com os valores que sua marca ou sua imagem pessoal pretende transmitir? Ele reforça sua autoridade ou a dilui? Ele contribui para que você seja percebido como alguém relevante ou apenas como mais um participante de uma corrente passageira?

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A resposta a essas perguntas define o limite entre estratégia e improviso.

Há um aspecto ainda mais sensível nesse cenário: a percepção do público. A audiência, mesmo que de forma intuitiva, distingue quando um conteúdo carrega autenticidade e quando é apenas uma tentativa de se inserir em uma onda. E essa percepção se traduz em reputação. Em muitos casos, o que se produz com a intenção de aproximar pode gerar o efeito inverso, provocando distanciamento ou até desconforto. O que se convencionou chamar de “vergonha alheia” não é apenas uma reação estética, mas um sinal claro de desalinhamento entre mensagem e identidade.

Construir presença digital relevante exige mais do que aderir ao que está em evidência. Exige clareza sobre como se quer ser visto e lembrado.

Esse processo, no entanto, não é solitário. Quando há uma equipe de comunicação envolvida, o cuidado precisa ser ainda maior. Tendências virais frequentemente surgem como sugestões legítimas dentro de um planejamento, mas cabe ao líder, à marca ou à figura pública exercer um papel ativo nesse filtro. É fundamental defender com clareza seus valores, sua missão e o posicionamento que se pretende consolidar. Da mesma forma, é preciso maturidade para ouvir a equipe quando o alerta vier no sentido oposto, indicando que determinada exposição pode gerar mais desgaste do que resultado.

É importante ressaltar que alinhamento de comunicação não é formalidade, é proteção de reputação.

Essa lógica se torna ainda mais crítica em ambientes de maior pressão, como campanhas eleitorais. Nesse contexto, a ansiedade por visibilidade pode levar à adoção indiscriminada de tendências, na tentativa de gerar engajamento rápido, ampliar alcance ou simplesmente parecer mais próximo do público. O problema é que nem toda viralização constrói conexão real.

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É preciso compreender, com clareza, que engajamento não se traduz automaticamente em voto.

Quando o conteúdo não dialoga com a essência do candidato, com sua trajetória ou com as causas que representa, ele pode até gerar números expressivos no curto prazo, mas dificilmente se converterá em confiança, muito menos em voto. E, sem confiança, não há construção política consistente. A incoerência, ainda que momentânea, tende a ser percebida e cobrada.

Isso não significa rejeitar as tendências de forma categórica. Pelo contrário, quando bem utilizadas, elas podem ser ferramentas potentes de conexão e atualização de linguagem. O ponto central está na curadoria. Nem toda tendência serve para todos. Nem todo formato conversa com todos os posicionamentos. E nem todo ganho imediato compensa um possível desgaste de imagem no médio prazo.

A busca por aprovação instantânea não pode se sobrepor à construção de credibilidade. Porque, ao final, o que sustenta uma presença sólida não é a quantidade de likes, mas a percepção contínua de valor. O ideal é que cada conteúdo publicado reforce essa percepção, despertando no público não apenas atenção, mas respeito.

Em um ambiente em que tudo se replica com facilidade, a verdadeira diferenciação está na capacidade de escolher com consciência.

E, talvez, o maior sinal de maturidade comunicacional não esteja em participar de todas as tendências, mas em saber, com precisão, de quais delas é melhor ficar de fora.

Fábio Monteiro é jornalista, especialista em gestão de crise e reputação e diretor executivo da Dialum Assessoria de Imprensa & Comunicação Estratégica.

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Livre-arbítrio

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Por Francisney Liberato

Então ele perguntou aos doze discípulos: Será que vocês também querem ir embora? João 6:67

Deus não força ninguém a fazer a Sua vontade. Deus não quer que ninguém O siga por obrigação. Ele espera que os seres humanos O amem de coração. Já percebeu que Jesus não lhe força a fazer nada? Quer segui-Lo? Que seja por vontade e desejo genuíno de suas escolhas.

O livre-arbítrio é a manifestação do amor de Deus por nós. Sem ele nós seríamos apenas robôs.

Quando Jesus esteve neste mundo ele não forçou nenhum dos Seus seguidores. Ele dirigiu apenas convites para os doze, os quais de pronto O aceitaram e se tornaram os Seus discípulos.

Além dos doze apóstolos de Jesus, o grupo mais íntimo que O acompanhava, havia uma imensa multidão que também fazia o mesmo, cada um com seus interesses, alguns por milagre e cura, outros para saciar a fome física, já outros com intuito de encontrar falhas na mensagem do Mestre para incriminá-Lo, como igualmente tínhamos pessoas sedentas pela mensagem de Boas Novas, enfim.

Volto a dizer: os seguidores seguiam porque queriam, seja lá quais fossem as suas intenções.

Dessa multidão, alguns participavam de um ou outro encontro com o Mestre e logo desistiam de segui-Lo. Pode ser que por atender a sua necessidade, o abandonava e já seguia o seu rumo de vida. Entretanto, outros indivíduos estiveram com Jesus por um tempo maior. Também encontramos pessoas que permaneceram conectadas com Jesus até a sua morte, como os discípulos, em seus martírios.

Cada ser humano presenciou Jesus de uma forma, maneira, sob uma perspectiva, com os seus desejos e vontades, os seus sonhos e esperança, dentre outras motivações. Será que é diferente do que acontece conosco hoje? Claro que não, todos nós temos as nossas motivações para seguir ou não seguir Jesus, com base no nosso livre-arbítrio.

Vamos ao relato bíblico. Em João 6:1-4: “Depois disso, Jesus atravessou o lago da Galileia, que também é chamado de Tiberíades. Uma grande multidão o seguia porque eles tinham visto os milagres que Jesus tinha feito, curando os doentes. Ele subiu um monte e sentou-se ali com os seus discípulos. A Páscoa, a festa principal dos judeus, estava perto”.

Observe que a multidão seguia Jesus, neste momento, devido a seus milagres. Na sequência, Jesus faz o milagre da multiplicação dos pães e peixes, pois o público estava com fome. Após isso, os participantes exclamaram (João 6:14): “Os que viram esse milagre de Jesus disseram: De fato, este é o Profeta que devia vir ao mundo!”

Depois disso, as multidões começaram a reunir-se em volta de Jesus, esperando receber mais comida, pois não era muito fácil conseguir trabalho e comida na época, vejamos João 6:26-27: “Jesus respondeu: — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: vocês estão me procurando porque comeram os pães e ficaram satisfeitos e não porque entenderam os meus milagres. Não trabalhem a fim de conseguir a comida que se estraga, mas a fim de conseguir a comida que dura para a vida eterna. O Filho do Homem dará essa comida a vocês porque Deus, o Pai, deu provas de que ele tem autoridade”.

As multidões não o seguiam motivadas pela fé, mas pela curiosidade acerca dos milagres que ele havia realizado.

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Se não bastasse o que já tinha acontecido, aquela multidão queria mais e mais milagres, isto é, era insaciável (João 6:30): “Eles disseram: — Que milagre o senhor vai fazer para a gente ver e crer no senhor? O que é que o senhor pode fazer?”

Então Jesus começou a pregar de forma mais incisiva a sua mensagem, a fim de fazer uma peneira, isto é, saber quem realmente desejava segui-Lo de coração e não por interesses camuflados.

Jesus fala sobre: o verdadeiro maná do céu e que Ele era Deus (versículos 32-41). Os líderes judeus e o povo entenderam a mensagem de Cristo e começaram a criticá-Lo (versículo 42). Jesus respondeu dizendo mais uma vez que ele era o verdadeiro pão da vida (versículo 48). Acrescentou que quem comer a Sua carne e beber o Seu sangue permanece em nEle, e eu, nele (versículos 54-56). Essa era a mensagem em que Jesus pediu compromisso aos seus seguidores.

Essa mensagem foi dada quando Jesus estava ensinando na sinagoga de Cafarnaum.

A multidão quando ouviu as palavras de Jesus resmungou (João 6:60-61): “Muitos seguidores de Jesus ouviram isso e reclamaram: — O que ele ensina é muito difícil! Quem pode aceitar esses ensinamentos? Não disseram nada a Jesus, mas ele sabia que eles estavam resmungando contra ele. Por isso perguntou: — Vocês querem me abandonar por causa disso?”. Quando a verdade chega a nós, muitos optam por criar barreiras, circunstâncias negativas e desculpas esfarrapadas.

Ao ouvir a falação, Jesus foi duro com eles e perguntou: se quiser, pode Me abandonar, em outras palavras, só fique quem quiser ouvir a mensagem de salvação. Os falsos discípulos foram embora. O mestre disse isso por que já sabia desde o começo quem era os que não iam crer nEle e sabia também quem ia traí-Lo (João 6:64).

Depois disso, o que aconteceu? Muitos abandonaram Jesus. Por quê? Provavelmente porque estavam seguindo-o pela motivação errada, em um alicerce raso e falso (João 6:66): “Por causa disso muitos seguidores de Jesus o abandonaram e não o acompanhavam mais”.

Naquele momento Jesus estava separando o joio do trigo. Estava dispensando aqueles que não seguiam Ele de forma genuína. Ele estava separando os fiéis dos infiéis.

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Note o que o “Comentário bíblico de Matthew Henry” diz:“Muitos deles voltaram para suas casas, famílias e chamados, que haviam deixado por algum tempo para segui-lo; voltou, um para sua fazenda e outro para sua mercadoria; voltou, como Orpah fez, para seu povo, e para seus deuses, Rute i. 15. Eles haviam entrado na escola de Cristo, mas voltaram, não apenas faltaram às aulas uma vez, mas se despediram dele e de sua doutrina para sempre. Note, a apostasia dos discípulos de Cristo dele, embora realmente uma coisa estranha, tem sido uma coisa tão comum que não precisamos nos surpreender. Aqui estavam muitos que voltaram. Frequentemente é assim; quando alguns se apostatam, muitos se apostatam com eles; a doença é infecciosa”.

Se não bastasse a situação narrada, Jesus ainda se dirigiu ao Seu grupo mais íntimo e deu a oportunidade para que todos que quisessem poderiam sair do grupo e não mais segui-Lo. Em outras palavras, Jesus foi direto ao ponto, preto no branco, sem essa estória de meio-termo (João 6:67): “Então ele perguntou aos doze discípulos: Será que vocês também querem ir embora?”

Em outro momento, Mateus 12:30, também é direto quanto ao nosso desejo de decidir: “Quem não é a meu favor é contra mim; e quem não me ajuda a ajuntar está espalhando”.

E o episódio termina com a fala do líder Pedro confirmando que desejam ficar com o Mestre e, Jesus ratifica essa decisão (João 6:68-70): “Simão Pedro respondeu: Quem é que nós vamos seguir? O senhor tem as palavras que dão vida eterna! E nós cremos e sabemos que o senhor é o Santo que Deus enviou. Jesus disse: Fui eu que escolhi todos vocês, os doze”. Destaca-se que os verdadeiros discípulos permaneceram com Cristo.

Enfim, chegará um tempo em que essa mesma separação vai acorrer no futuro. Será necessário que Jesus dê um basta nas pessoas que O seguem pelas motivações erradas. Quiçá possamos decidir, com base nosso livre-arbítrio, o caminho de estar ao Seu lado, mesmo diante das dificuldades a serem enfrentadas.

Apocalipse 22:11 apresenta o momento futuro: “Quem é mau, que continue a fazer o mal, e quem é imundo, que continue a ser imundo. Quem é bom, que continue a fazer o bem, e quem é dedicado a Deus, que continue a ser dedicado a Deus”.

Em qual lado você estará? Você continuará sendo um seguidor do Mestre?

Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.

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