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O cliente não deixou de sair de casa, mas passou a consumir de outra maneira

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Por Daniel Teixeira

Uma pesquisa realizada pela Abrasel Nacional com 1.417 estabelecimentos no mês de março, registrou mudanças como redução do consumo, menos álcool e mais compartilhamento à mesa. A matéria foi publicada no site Estadão e revela uma mudança que muitos bares e restaurantes já começam a perceber no dia a dia. O levantamento mostra que, seis em cada dez estabelecimentos sentiram algum impacto relacionado ao uso de medicamentos para emagrecimento. Os sinais aparecem no comportamento do consumidor: pedidos menores, mais pratos compartilhados, busca por porções reduzidas e aumento da procura por bebidas sem álcool.

Isso mostra que, ao menos por agora, a mudança não está propriamente na frequência de ida aos estabelecimentos, mas no padrão de consumo. O cliente continua presente, porém mais contido, mais seletivo e, em muitos casos, com menor volume de consumo por visita.

Para o setor, o efeito merece atenção. Quando há redução em entradas, sobremesas, bebidas alcoólicas e complementos, a operação pode sentir reflexos no tíquete médio e na margem. É uma alteração silenciosa, mas que já começa a redesenhar hábitos à mesa.

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Diante desse cenário, o melhor caminho não é o exagero na preocupação, mas a adaptação inteligente. Cardápios mais estratégicos, porções adequadas à nova demanda, opções leves, pratos individuais bem construídos e um olhar mais atento sobre a rentabilidade de cada item passam a ganhar ainda mais importância.

O consumidor mudou. E todo setor que observa essa mudança com atenção sai na frente. Na gastronomia, como quase sempre acontece, entender o novo comportamento do cliente é uma forma de proteger o negócio e manter sua capacidade de crescer.

A Abrasel vai continuar monitorando essas tendências, mas o atual desafio está em buscar por tamanhos de porção suficientes para as pessoas que querem consumir boas receitas, mas comem pouco, sem impactar diretamente nos serviços ou na qualidade dos pratos.

Daniel Teixeira é empresário e presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, seccional Mato Grosso (Abrasel-MT)

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Redação perfeita, ideias frágeis

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Por Paula Tavares

Não há como negar que a inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para se tornar uma ferramenta cada vez mais presente no cotidiano. Seja na elaboração de trabalhos acadêmicos, relatórios, petições, e-mails, legendas de fotos ou simples mensagens, os textos passaram a ser produzidos com correção gramatical quase impecável e em uma velocidade que impressiona.

À primeira vista, esse avanço parece apenas positivo. Afinal, escrever melhor, com menos erros, sempre foi um objetivo desejável. No entanto, por trás dessa aparente evolução, surge um fenômeno mais sutil e preocupante: a progressiva terceirização do pensamento.

A facilidade proporcionada pelas ferramentas de inteligência artificial tem incentivado uma postura cada vez mais passiva diante da escrita. Em vez de organizar ideias, refletir sobre argumentos e construir um raciocínio próprio, observa-se uma crescente tendência de delegação dessa tarefa à tecnologia. O resultado são textos formalmente corretos, mas frequentemente genéricos, pouco críticos e, por vezes, desconectados da realidade concreta de quem os utiliza.

Esse cenário traz implicações relevantes, inclusive no campo jurídico. A prática do Direito exige não apenas domínio da norma, mas capacidade analítica, senso crítico e responsabilidade na construção de argumentos. A utilização indiscriminada de inteligência artificial pode comprometer justamente essas competências, ao substituir o esforço intelectual por respostas prontas, ainda que bem redigidas.

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Não se trata de rejeitar a tecnologia. Pelo contrário, a inteligência artificial pode, e deve, ser utilizada como ferramenta de apoio, capaz de otimizar tempo e ampliar o acesso à informação. O problema reside no uso acrítico e excessivo, que transforma um instrumento em substituto da própria atividade intelectual.

Com o tempo, essa dependência tende a tornar o raciocínio mais lento e menos autônomo. Basta observar o que ocorreu com os aplicativos de navegação. Se antes as pessoas memorizavam trajetos, nomes de ruas e pontos de referência, hoje não é raro que se percam em percursos simples sem o auxílio da tecnologia. Da mesma forma, se antes eram capazes de decorar dezenas de números de telefone, hoje se tornam reféns de agendas digitais. Como diz o ditado: “quem não exercita, atrofia”, e com o pensamento não é diferente.

Há, ainda, um risco menos evidente, mas igualmente relevante: a padronização do discurso. À medida que mais pessoas recorrem às mesmas ferramentas, os textos tendem a seguir estruturas e estilos semelhantes, empobrecendo o debate público e reduzindo a diversidade de perspectivas. Em um ambiente democrático, a pluralidade de ideias é um valor essencial e não pode ser sacrificada em nome da mera conveniência.

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Diante desse contexto, o desafio que se impõe não é tecnológico, mas humano. É preciso resgatar o papel ativo do indivíduo na produção do conhecimento, utilizando a inteligência artificial como aliada, e não como substituta. Escrever bem não deve significar apenas evitar erros gramaticais, mas expressar pensamento próprio, crítico e consciente.

Em tempos de respostas instantâneas, talvez o verdadeiro diferencial esteja justamente naquilo que nenhuma máquina pode oferecer plenamente: a autenticidade do pensamento.

Paula Tavares é advogada, mestre em Administração Pública e assessora jurídica do Tribunal de Contas de Mato Grosso.

 

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