cultura
“O Agente Secreto” e Wagner Moura conquistam o Globo de Ouro
Por Brisa Sanches
A noite deste domingo (11.01), se tornou um marco para o cinema brasileiro no cenário internacional. A 83ª edição do Globo de Ouro coroou o filme “O Agente Secreto” com o prêmio de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e, em um feito ainda mais grandioso, Wagner Moura levou para casa o troféu de Melhor Ator em Filme de Drama por sua atuação na mesma produção.
A vitória de “O Agente Secreto” na categoria de filme estrangeiro quebra um jejum de 27 anos para o Brasil, desde a última conquista com “Central do Brasil”. Ao receber o cobiçado troféu, o diretor Kleber Mendonça Filho fez questão de mandar um emocionado “alô, Brasil”, agradecendo ao elenco e ressaltando a parceria com o protagonista. “As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo”, declarou o cineasta, sublinhando a força da colaboração criativa.
Em coletiva de imprensa, Mendonça Filho reiterou a relevância do momento e incentivou a próxima geração de realizadores. “Estamos muito felizes de ver um filme brasileiro gerando tanta discussão boa sobre a história do Brasil. E eu quero muito ver jovens cineastas brasileiros e brasileiras. Pode usar telefone, pode fazer seu próprio projeto. A gente falando da nossa casa todo mundo ouve ao redor do mundo”, afirmou, reforçando a potência das narrativas nacionais.
“O Agente Secreto” superou filmes de peso como “Valor Sentimental”, “Foi Apenas um Acidente”, “A única saída”, “Sirat” e “A Voz de Hind Rajab”. O anúncio do vencedor foi feito de forma especial pela atriz Minnie Driver, que saudou o Brasil com um “Parabéns” em português antes de revelar o título do filme.
Wagner Moura: o melhor ator em drama
A celebração brasileira foi amplificada com a vitória de Wagner Moura na categoria de Melhor Ator em Filme de Drama. Em um discurso carregado de emoção e significado, o ator agradeceu calorosamente ao diretor Kleber Mendonça Filho e discorreu sobre a mensagem central de “O Agente Secreto”.
“É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Eu acho que se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis”, disse Moura, evocando a resiliência e a integridade em tempos desafiadores. Finalizando em português, ele brindou: “E para todo mundo no Brasil que está assistindo isso agora, viva o Brasil e a cultura brasileira”.
Moura concorreu com talentos como Joel Edgerton (“Sonhos de trem”), Oscar Isaac (“Frankenstein”), Dwayne Johnson (“Coração de lutador: The Smashing Machine”), Michael B. Jordan (“Pecadores”) e Jeremy Allen White (“Springsteen: Salve-me do desconhecido”), consolidando sua posição como um dos grandes nomes da atuação mundial.
A trama que conquistou o mundo
Ambientado nos turbulentos anos 1970, “O Agente Secreto” narra a história de um professor universitário, interpretado por Wagner Moura, que decide retornar ao Recife para reencontrar seu filho caçula. Sua jornada é repleta de perigos, pois ele desafia abertamente a repressão imposta pela ditadura militar brasileira da época. A vitória do filme e de seu protagonista no Globo de Ouro não apenas reconhece a excelência artística da produção, mas também reaviva discussões cruciais sobre memória, história e resistência no Brasil.
cultura
Museu do Morro da Caixa D’Água Velha reúne dois importantes nomes da poesia visual brasileira
A capital mato-grossense receberá, entre os dias 7 e 21 de junho, uma rara oportunidade de imersão na poesia visual contemporânea. O Museu do Morro da Caixa D’Água Velha abre simultaneamente as exposições Convergências, de Tchello D’Barros, e Divergências – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema, de Juliano Lobato, reunindo 60 obras de dois artistas reconhecidos por suas contribuições à arte experimental brasileira. Com entrada gratuita e classificação livre, a programação reforça o protagonismo histórico de Mato Grosso na poesia visual e transforma o público em participante ativo da criação artística.
Ao reunir 30 obras de cada artista, a iniciativa reafirma o papel do Museu do Morro da Caixa D’Água Velha como espaço de difusão cultural, reflexão e aproximação entre a produção artística contemporânea e a comunidade.
A exposição Convergências, de Tchello D’Barros, apresenta trabalhos que exploram as relações entre imagem, palavra e percepção visual. Reconhecido nacional e internacionalmente, o artista possui trajetória consolidada no campo da poesia visual, com participação em exposições, publicações e projetos culturais desenvolvidos em diversos países.
Já Divergências, de Juliano Lobato, propõe uma experiência baseada na liberdade interpretativa do observador. Artista visual, poeta experimental, curador e pesquisador da linguagem visual, Lobato desenvolve há mais de três décadas uma produção vinculada aos Poemas Sem Palavras, ao Intensivismo e aos desdobramentos contemporâneos do Poema-Processo.
Embora partam de influências estéticas distintas, as duas exposições compartilham uma mesma proposta: transformar o visitante em participante ativo da experiência artística. Sem títulos explicativos ou narrativas fechadas, as obras convidam o público a construir seus próprios significados, assumindo o papel de coautor da poesia presente em cada trabalho.
Para Juliano Lobato, os Poemas Sem Palavras dialogam diretamente com os princípios do Poema-Processo, movimento que compreende a leitura como parte essencial da obra. “Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema. O artista cria a estrutura visual, mas a poesia se completa quando encontra o olhar, a memória e a experiência de quem observa”, afirma.
A proposta também evidencia a relevância histórica de Mato Grosso para os movimentos experimentais da poesia visual brasileira. O estado mantém forte ligação com artistas e pesquisadores que contribuíram para a consolidação de linguagens inovadoras no cenário nacional, entre eles Wlademir Dias-Pino, Rubens de Mendonça e Silva Freire, referências fundamentais para diferentes gerações de criadores.
A realização simultânea das exposições reforça o compromisso da Prefeitura de Cuiabá com a democratização do acesso à cultura e a valorização dos equipamentos públicos como espaços permanentes de formação, convivência e difusão artística.
Administrado pelo município, o Museu do Morro da Caixa D’Água Velha vem ampliando sua programação cultural e consolidando sua atuação como centro de preservação da memória e promoção das artes. Além de exposições de diferentes linguagens, o espaço desenvolve ações educativas voltadas a estudantes e visitantes de diversas regiões do estado.
Nos últimos meses, o museu recebeu iniciativas de destaque, como a exposição coletiva Unidos pela Arte, que reuniu mais de 20 artistas mato-grossenses, além de atividades vinculadas ao projeto Caminhos da Cultura, fortalecendo sua vocação de aproximar a população do patrimônio histórico, da produção artística contemporânea e das múltiplas manifestações culturais de Mato Grosso.
Para Juliano Lobato, apresentar a exposição em Cuiabá tem significado especial. “Cuiabá ocupa um lugar importante na história da poesia visual brasileira, sendo berço de artistas e movimentos que influenciaram gerações. Expor essas obras ao público é uma forma de reconhecer essa herança cultural e fortalecer o diálogo entre a produção contemporânea e a comunidade.”
“Além de apresentar ao público a produção contemporânea de dois importantes nomes da poesia visual brasileira, as exposições também buscam aproximar os mato-grossenses do legado de Wlademir Dias-Pino, referência internacional da arte e da literatura experimental e um dos principais expoentes das vanguardas poéticas surgidas em Mato Grosso”, destaca Lobato.
E conclui: “A mostra contribui para valorizar um patrimônio cultural que nasceu no estado e continua influenciando artistas e pesquisadores em diversas partes do mundo.”
SERVIÇO
Exposição: CONVERGÊNCIAS
Artista: Tchello D’Barros
Exposição: DIVERGÊNCIAS – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema
Artista: Juliano Lobato
Período: 7 a 21 de junho de 2026
Local: Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, Cuiabá/MT
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre
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