cultura
Museu do Morro da Caixa D’Água Velha reúne dois importantes nomes da poesia visual brasileira
A capital mato-grossense receberá, entre os dias 7 e 21 de junho, uma rara oportunidade de imersão na poesia visual contemporânea. O Museu do Morro da Caixa D’Água Velha abre simultaneamente as exposições Convergências, de Tchello D’Barros, e Divergências – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema, de Juliano Lobato, reunindo 60 obras de dois artistas reconhecidos por suas contribuições à arte experimental brasileira. Com entrada gratuita e classificação livre, a programação reforça o protagonismo histórico de Mato Grosso na poesia visual e transforma o público em participante ativo da criação artística.
Ao reunir 30 obras de cada artista, a iniciativa reafirma o papel do Museu do Morro da Caixa D’Água Velha como espaço de difusão cultural, reflexão e aproximação entre a produção artística contemporânea e a comunidade.
A exposição Convergências, de Tchello D’Barros, apresenta trabalhos que exploram as relações entre imagem, palavra e percepção visual. Reconhecido nacional e internacionalmente, o artista possui trajetória consolidada no campo da poesia visual, com participação em exposições, publicações e projetos culturais desenvolvidos em diversos países.
Já Divergências, de Juliano Lobato, propõe uma experiência baseada na liberdade interpretativa do observador. Artista visual, poeta experimental, curador e pesquisador da linguagem visual, Lobato desenvolve há mais de três décadas uma produção vinculada aos Poemas Sem Palavras, ao Intensivismo e aos desdobramentos contemporâneos do Poema-Processo.
Embora partam de influências estéticas distintas, as duas exposições compartilham uma mesma proposta: transformar o visitante em participante ativo da experiência artística. Sem títulos explicativos ou narrativas fechadas, as obras convidam o público a construir seus próprios significados, assumindo o papel de coautor da poesia presente em cada trabalho.
Para Juliano Lobato, os Poemas Sem Palavras dialogam diretamente com os princípios do Poema-Processo, movimento que compreende a leitura como parte essencial da obra. “Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema. O artista cria a estrutura visual, mas a poesia se completa quando encontra o olhar, a memória e a experiência de quem observa”, afirma.
A proposta também evidencia a relevância histórica de Mato Grosso para os movimentos experimentais da poesia visual brasileira. O estado mantém forte ligação com artistas e pesquisadores que contribuíram para a consolidação de linguagens inovadoras no cenário nacional, entre eles Wlademir Dias-Pino, Rubens de Mendonça e Silva Freire, referências fundamentais para diferentes gerações de criadores.
A realização simultânea das exposições reforça o compromisso da Prefeitura de Cuiabá com a democratização do acesso à cultura e a valorização dos equipamentos públicos como espaços permanentes de formação, convivência e difusão artística.
Administrado pelo município, o Museu do Morro da Caixa D’Água Velha vem ampliando sua programação cultural e consolidando sua atuação como centro de preservação da memória e promoção das artes. Além de exposições de diferentes linguagens, o espaço desenvolve ações educativas voltadas a estudantes e visitantes de diversas regiões do estado.
Nos últimos meses, o museu recebeu iniciativas de destaque, como a exposição coletiva Unidos pela Arte, que reuniu mais de 20 artistas mato-grossenses, além de atividades vinculadas ao projeto Caminhos da Cultura, fortalecendo sua vocação de aproximar a população do patrimônio histórico, da produção artística contemporânea e das múltiplas manifestações culturais de Mato Grosso.
Para Juliano Lobato, apresentar a exposição em Cuiabá tem significado especial. “Cuiabá ocupa um lugar importante na história da poesia visual brasileira, sendo berço de artistas e movimentos que influenciaram gerações. Expor essas obras ao público é uma forma de reconhecer essa herança cultural e fortalecer o diálogo entre a produção contemporânea e a comunidade.”
“Além de apresentar ao público a produção contemporânea de dois importantes nomes da poesia visual brasileira, as exposições também buscam aproximar os mato-grossenses do legado de Wlademir Dias-Pino, referência internacional da arte e da literatura experimental e um dos principais expoentes das vanguardas poéticas surgidas em Mato Grosso”, destaca Lobato.
E conclui: “A mostra contribui para valorizar um patrimônio cultural que nasceu no estado e continua influenciando artistas e pesquisadores em diversas partes do mundo.”
SERVIÇO
Exposição: CONVERGÊNCIAS
Artista: Tchello D’Barros
Exposição: DIVERGÊNCIAS – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema
Artista: Juliano Lobato
Período: 7 a 21 de junho de 2026
Local: Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, Cuiabá/MT
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre
cultura
Estúdio Mestre Bolinha é instalado no Museu da Imagem e do Som de Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, lançou nesta quarta-feira (3), às 19h, o Estúdio Municipal Mestre Bolinha, instalado no Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (Misc). O espaço foi criado para ampliar o acesso de artistas locais à gravação de projetos musicais e culturais, fortalecendo a produção artística do município.
A cerimônia de inauguração contou com apresentação da Banda da Polícia Militar, presença de autoridades municipais e dos 59 artistas selecionados por meio de edital para utilizar a estrutura do estúdio.
A iniciativa integra as ações da política cultural do município voltadas ao incentivo da produção artística, oferecendo oportunidades para músicos, compositores e produtores culturais que, muitas vezes, enfrentam dificuldades para acessar espaços profissionais de gravação.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, destacou que o estúdio foi criado para ampliar a visibilidade dos artistas locais e contribuir para a difusão da cultura cuiabana.
“O estúdio abre oportunidades para novos talentos e também para artistas já reconhecidos que desejam registrar seus projetos. A expectativa é levar a produção cultural cuiabana para além dos limites da cidade e ampliar seu alcance junto a outros públicos”, afirmou.
Segundo o secretário municipal de Cultura, Johnny Everson, o edital priorizou artistas em início de carreira, sem deixar de contemplar profissionais já consolidados, promovendo a troca de experiências entre diferentes gerações da cena cultural.
“A proposta foi garantir acesso aos novos talentos, sem deixar de incluir artistas experientes. Esse intercâmbio fortalece a produção cultural e amplia as oportunidades para quem está começando”, pontuou.
Entre os selecionados está o músico Gabriel Alves, que atua na área musical desde a adolescência e vê no projeto uma oportunidade para desenvolver seu trabalho.
“É uma oportunidade importante para registrar minhas canções e compartilhar minha mensagem por meio da música. Estou muito feliz por participar desse momento e por ter acesso a essa estrutura”, comentou.
O Estúdio Municipal Mestre Bolinha passa a integrar os equipamentos culturais administrados pela Prefeitura de Cuiabá e deverá atender artistas contemplados em editais promovidos pela Secretaria Municipal de Cultura.
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