CIDADES
Tribunal de Contas aprova nota técnica e municípios devem apresentar projetos executivos até sexta
Municípios interessados em utilizar recursos estaduais para retomar obras de creches, que tenham sido originalmente pactuadas com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), devem apresentar os projetos executivos das unidades paralisadas ou inacabadas até sexta-feira (21). A viabilidade de custeio por parte do Governo foi apontada em nota técnica do Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação (Gaepe-MT), homologada por unanimidade pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) nesta terça-feira (18), e deve garantir a aplicação de parte dos R$ 122 milhões previstos para esta finalidade na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024.
O prazo para os municípios foi estabelecido em reunião convocada pelo TCE-MT na última semana, coordenada pelo presidente do órgão, conselheiro Sérgio Ricardo, e pelo presidente da Comissão Permanente de Educação e Cultura, conselheiro Antonio Joaquim, com participação do conselheiro Waldir Teis, quando também ficou definido o apoio da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) aos gestores no processo de elaboração das propostas, que serão encaminhadas, na sequência, à Secretaria de Estado de Educação (Seduc).
Conforme Antonio Joaquim, a nota técnica considera a Lei Federal nº 14.719/2023, que institui o Pacto Nacional pela Retomada de Obras e de Serviços de Engenharia Destinados à Educação Básica e Profissionalizante. “Mato Grosso, junto a outros três estados, está na vanguarda entre os entes que possuem recursos no orçamento para investir na melhoria da educação da primeira infância. Costumo dizer que lugar de criança é no orçamento, porque é preciso recursos para ajudar a melhorar a vida das crianças brasileiras.”
O conselheiro reforçou ainda a urgência do trabalho ao lembrar que a Legislação veda as transferências voluntárias de recursos financeiros do estado para os municípios durante os três meses que antecedem o pleito eleitoral. Deste modo, os repasses só poderão ser feitos até o dia 6 de julho.
“É preciso agilidade para poder gastar pelo menos 20% ou 30% desse valor ainda em 2024. O que importa é que, antes do impedimento legal das eleições, essas questões estejam equacionadas para que essas obras sejam executadas ainda esse ano”, completou.
A nota técnica também está fundamentada em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida no Recurso Extraordinário (RE) 1.008.166, que considerou a responsabilidade do Poder Público de garantir a oferta de vagas em creches e pré-escolas para crianças até 5 anos de idade.
“Estamos dando aos municípios a garantia jurídica de que não há problema em concluir a obra pactuada com o FNDE com recursos do Governo do Estado e, inclusive, com recursos municipais”, reforçou o conselheiro.
Orçamento
A destinação de recursos para as creches em Mato Grosso é fruto de articulação do conselheiro Antonio Joaquim, que, em 2023, solicitou à Assembleia Legislativa de Mato Grosso a inclusão dos valores na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA). Sua atuação também resultou na derrubada de vetos às emendas neste ano.
Agora, o valor poderá suprir os recursos federais pactuados junto ao FNDE que não estão sendo repassados em virtude de pendências ou prioridades estabelecidas em nível federal. As prefeituras beneficiadas deverão adotar todas as tratativas necessárias de regularização, bem como demais providências junto ao Fundo.
O trabalho tem como objetivo a redução de um déficit de pelo menos 12 mil vagas de creches no estado, apontado em estudo do Gaepe-MT. “Estamos finalmente discutindo como gastar esse dinheiro e o estado está fazendo uma ação histórica para a construção de creches, que é uma política pública fundamental”, conclui Antonio Joaquim.
CIDADES
Regularização fundiária moderniza gestão territorial e impulsiona economia em 33 municípios
Com quase 81 mil imóveis regularizados em 33 municípios, GeoGis reforça avanço da regularização fundiária e atualização cadastral no país
A modernização do cadastro territorial tem se consolidado como uma das principais estratégias para fortalecer as finanças dos municípios brasileiros sem aumento de impostos. Em meio às dificuldades fiscais enfrentadas pelas prefeituras, iniciativas de regularização fundiária e atualização cadastral vêm ampliando a arrecadação, reduzindo a informalidade e melhorando o planejamento urbano.
O tema ganhou ainda mais relevância com a implementação do Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), conhecido como o “CPF dos imóveis”, que passou a integrar dados de cartórios, prefeituras e Receita Federal. O sistema permite maior controle sobre imóveis irregulares, construções fora do cadastro oficial e propriedades que ainda não integram a base tributária municipal.
Hoje, estima-se que cerca de metade dos imóveis brasileiros apresente algum tipo de irregularidade documental ou cadastral. Em muitos casos, isso significa imóveis sem atualização de IPTU, construções não registradas oficialmente ou propriedades sem regularização completa.
Nesse cenário, empresas especializadas em gestão territorial vêm ganhando protagonismo. Em Mato Grosso, a GeoGis já regularizou 80.996 imóveis por meio da emissão de Certidões de Regularização Fundiária (CRF), em 33 municípios, beneficiando milhares de famílias e ampliando a capacidade de arrecadação das cidades atendidas.
Além da regularização documental, os projetos permitem atualizar bases territoriais, identificar inconsistências cadastrais e ampliar o controle sobre áreas urbanas. O reflexo é direto na gestão pública: com informações mais precisas, os municípios conseguem melhorar a cobrança de tributos, planejar investimentos e organizar serviços essenciais.
O avanço da regularização fundiária também tem mobilizado parlamentares de diferentes regiões do país. Durante evento sobre gestão territorial, o deputado federal pela Paraíba, Mersinho Lucena destacou que a falta de documentação ainda impede a chegada de investimentos públicos em milhares de comunidades.
“Quando uma área não está regularizada, o Poder Público fica impedido de levar infraestrutura, saneamento, escolas e outros serviços essenciais. A regularização fundiária é uma ferramenta que garante segurança jurídica e permite que as políticas públicas cheguem a quem mais precisa”, afirmou Lucena.
Outro exemplo vem de Maceió (AL), onde a GeoGis participa de um programa de regularização fundiária com previsão de alcance de 5 mil imóveis. Até o momento, 492 unidades já foram regularizadas na capital alagoana.
Especialistas apontam que a atualização cadastral se tornou uma ferramenta estratégica para as cidades. Um cadastro desatualizado reduz a eficiência da arrecadação e limita o planejamento urbano, afetando diretamente áreas como infraestrutura, pavimentação, saneamento e habitação.
Além do impacto fiscal, a regularização fundiária também movimenta a economia. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros precisem de algum tipo de regularização. O levantamento aponta ainda que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Segundo o estudo, imóveis regularizados podem alcançar valorização de até 30%, além de ampliar o acesso ao crédito, facilitar financiamentos e aumentar a segurança jurídica dos proprietários.
Para o deputado federal Augusto Coutinho, a regularização fundiária continua sendo uma das principais demandas da população em áreas urbanas consolidadas. Segundo ele, moradores de comunidades visitadas recentemente em Pernambuco relataram viver há décadas em seus imóveis sem possuir a documentação definitiva.
“A regularização traz dignidade às famílias. Com a posse formal do imóvel, o cidadão passa a ter acesso ao crédito, pode investir na própria casa e conquista uma segurança que muitas vezes esperou por décadas”, destacou o parlamentar.
Para gestores públicos, o avanço da tecnologia aplicada à gestão territorial também representa mais transparência e redução de fraudes nas transações imobiliárias. A expectativa do setor é que a modernização cadastral se consolide nos próximos anos como uma das principais ferramentas de fortalecimento financeiro das cidades brasileiras.
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