POLÍTICA NACIONAL
Setor produtivo defende negociação coletiva como saída para redução de jornada e fim da escala 6×1
Representantes do setor produtivo manifestaram consenso durante debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados: a negociação coletiva entre empresas e trabalhadores é o melhor caminho para tratar da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho e um de descanso por semana).
A audiência, realizada nesta terça-feira (7), discutiu duas propostas de emenda à Constituição (PEC):
- a PEC 8/25, que sugere quatro dias de trabalho por semana; e
- a PEC 221/19, que reduz a carga semanal de 44 para 36 horas.
Os dois textos estão em análise na comissão.
Modelo flexível
A superintendente de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sylvia Lorena de Sousa, alertou que uma mudança imposta por lei pode gerar riscos econômicos severos.
Segundo ela, cerca de 30% dos acordos coletivos atuais já tratam de jornada, provando que o modelo flexível funciona.
Preços e PIB
Sylvia Lorena apresentou dados da CNI segundo os quais a redução para 40 horas sem corte salarial pode elevar os preços ao consumidor em 6,2% e causar uma queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB).
“Representa uma perda da ordem de R$ 76 bilhões para a economia brasileira. Além disso, os custos com trabalho formal podem aumentar entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões, com efeitos disseminados em toda a economia.”
Segundo ela, o “caminho mais responsável é fortalecer o que já funciona no Brasil, a negociação coletiva”.
Sylvia Lorena de Sousa alertou para riscos econômicos severos em caso de redução da jornadaRepasse para o consumidor
Outros representantes de confederações reforçaram a visão da CNI. Frederico Toledo Melo, da Confederação Nacional do Transporte (CNT), destacou que o setor já sofre com a escassez de motoristas e que novos custos seriam repassados aos preços, gerando inflação.
Já Roberto Luís Lopes Nogueira, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), afirmou que a diversidade do setor não comporta uma “jornada de trabalho estanque determinada pela lei”.
Experiência anterior
O relator das propostas na CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), apresentou contrapontos para o setor produtivo. Ele lembrou que, em 1988, a jornada caiu de 48 para 44 horas sob alertas semelhantes, mas os efeitos negativos previstos não se concretizaram na magnitude esperada.
Azi questionou a eficácia da negociação coletiva, uma vez que muitos setores não avançaram no tema voluntariamente nos últimos anos.
“Quais seriam os obstáculos e as dificuldades que hoje existem para esses setores em avançar na redução por meio da negociação coletiva e por que isso não tem sido feito?”, indagou o relator.
Em resposta, Rodrigo Hugueney, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), argumentou que o contexto de 1988 era de transição democrática e economia fechada, diferente da globalização atual.
Trabalhadores rurais
No setor rural, Hugueney apontou que a redução de dias trabalhados afetaria diretamente o bolso do trabalhador, que muitas vezes recebe por produtividade (por saca colhida, por exemplo). “Se ele vai trabalhar um dia a menos, ele vai colher menos, ele vai receber menos”, explicou.
O debate contou ainda com a participação, entre outros parlamentares, do deputado Lucas Redecker (PSDB-RS), que alertou para a dificuldade de alterar uma regra após ela ser incluída na Constituição e citou os desafios de indústrias que operam 24 horas por dia.
Dignidade humana
O deputado Patrus Ananias (PT-MG) defendeu a redução para 40 horas semanais por uma questão de dignidade humana. Para ele, o Brasil ainda carrega um “legado da escravidão” e o atual modelo impede que o trabalhador tenha tempo para a família, o estudo e a saúde mental.
Ananias também contestou a eficácia da negociação coletiva hoje. “Há hoje uma fragilização dos movimentos sindicais.”
Em março, representantes de sindicatos de trabalhadores também foram ouvidos pela CCJ e defenderam a redução da jornada como estratégia para aumentar a eficiência e melhorar o convívio familiar.
Segundo o presidente da CCJ, Leur Lomanto Júnior (União-BA), a constitucionalidade das propostas que tratam do assunto deverá ser votada no dia 14 ou 15 de abril.
Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
POLÍTICA NACIONAL
Comissão da Câmara aprova piso salarial de R$ 5,5 mil para assistentes sociais; texto pode ir ao Senado
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou proposta que fixa o piso salarial do assistente social em R$ 5,5 mil para carga de trabalho de 30 horas semanais. O valor será reajustado anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Como foi analisada em caráter conclusivo, a proposta poderá seguir para o Senado, salvo se houver recurso para análise no Plenário da Câmara. Para virar lei, a versão final do texto precisa ser aprovada pelas duas Casas.
Por recomendação da relatora, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), foi aprovada a versão da Comissão de Trabalho para o Projeto de Lei 1827/19, do deputado Célio Studart (PSD-CE), e apensados. O texto original previa um piso de R$ 4,2 mil.
Justificativa
“Os assistentes sociais desempenham funções essenciais na análise, elaboração e execução de políticas e projetos que viabilizam direitos e o acesso da população a políticas públicas”, disse Célio Studart na justificativa que acompanha a proposta.
Hoje, são cerca de 242 mil profissionais registrados no Conselho Federal de Serviço Social (CFESS). “É o segundo país no mundo em número de assistentes sociais, mas ainda não existe um piso salarial”, disse o autor da proposta.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Da Reportagem/RM
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
-
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT6 dias atrásJustiça obriga banco a devolver R$ 29,7 mil a idosa vítima de golpe
-
BRASIL E MUNDO6 dias atrásMulheres impulsionam segurança no trânsito brasileiro e já são 36% dos motoristas habilitados
-
artigos7 dias atrásDia Nacional da Conservação do Solo
-
tce mt6 dias atrásTribunal de Contas inicia monitoramento da descentralização ambiental: 63% dos municípios ainda dependem do Estado
-
cultura6 dias atrásLivro com histórias “da Vovó do Coxipó” é lançado e distribuídos para alunos de Cuiabá
-
BRASIL E MUNDO6 dias atrásLula envia ao Congresso projeto para o fim da escala 6×1
-
cultura6 dias atrásSecel promove consulta pública online para elaboração do novo Plano Estadual de Cultura
-
POLÍTICA MT5 dias atrásMulher indígena faz história ao assumir vaga de deputada na ALMT






